1.7.10

2154

A Revolta



Sento-me a ver o mar,
E sinto-me à beira mar plantado
Como quem se sente amarrado
Ao destino dum olhar
Do olhar dum desgraçado.
Ao mirar o horizonte,
Desfocado pela distância,
Meço em metros os anos
Que tem a ponte
Que vai de mim á minha infância.
Percorro o filme ao contrário,
Do que sei á ignorância,
Da desilusão á inocência,
E a revolta vai-se afastando.
Vai perdendo a energia,
Como as ondas do mar alto
Que vêm morrer á areia,
Trazendo-me á ideia,
Tempos idos; ideais,
Sofridos com os demais.
Em sobressalto
De tanto esperar
O país que desejei.

ruivianajorge@kanguru.pt

1 comentário:

Um lavrense vivo disse...

Li.Confesso, revejo-me no texto.
Assino por baixo...
Um abraço!
Ao meu amigo Rui Viana
Um Lavrense atento