31.10.09

1407


As criaturas evitam olhar para o criador
deve ser para não se verem no espelho

fotografia de Fernando Veludo no Público

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Fui à "instalação" da Assembleia da Freguesia de Matosinhos.
O PS tem na assembleia 9 representantes.

Na eleição para o executivo da Junta a lista apresentada pelo PS recebeu 12 votos a favor e teve 7 votos contra.
"Sei" donde vieram aqueles 3 votos a mais, e percebo porque vieram.

Na eleição da mesa da assembleia a lista apresentada pelo PS teve os mesmos 12 votos favoráveis.
Votaram contra 6 eleitos.

E houve 1 abstenção.

Por favor expliquem-me donde veio aquela abstenção.
E porquê!

1405


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A face oculta dos negócios






SOL: 














Diário de Notícias:







A carreira de um corrupto

Por Vasco Pulido ValenteO dr. Mário Soares pediu esta semana à imprensa e à televisão que não insistissem no que ele chama "sensacionalismo" e percebessem, de uma vez, que o "sensacionalismo" não "paga": não "vende papel", nem aumenta audiências. Logo por azar três dias depois saiu um novo "escândalo" das profundezas do Ministério Público. Pior ainda: esse escândalo alegadamente envolve antigos membros de um governo PS e um velho amigo do primeiro-ministro. Em prosa tremendista, o Ministério Público declarou que há no caso uma "rede tentacular". Não sei se há "rede" ou não há "rede". Só sei, como sabe, ou desconfia, a maioria dos portugueses, que o regime se tornou numa enorme rede de corrupção. E não tenho a menor dúvida sobre a maneira como na prática isso aconteceu.Basta imaginar a carreira típica de um corrupto. Começou por se inscrever num partido (no PS ou no PSD, evidentemente). Ou tinha influência, própria ou da família, ou conseguiu arranjar um "protector" (um empresário, um advogado, alguém com prestígio ou com dinheiro) para se promover a presidente da concelhia ou a qualquer cargo de importância. Daí passou para a administração central, para a Câmara do sítio ou, com muita sorte, para uma empresa pública. Com o tempo chegou a uma situação em que podia "pagar" os "favores" que até ali recebera e fazer novos "favores", em que já participava como sócio. Entretanto conhecia mais gente e alargava pouco a pouco os seus "negócios". Se punha o pé fora da legalidade, punha com cuidado, bem protegido por amigos de confiança e pretextos plausíveis.Um dia, por fidelidade ao chefe, "trabalho" no partido (financiamento directo ou indirecto) e recomendação de interesses "nacionais", foi chamado ao governo: a secretário de Estado, normalmente. No governo, proibiu ou permitiu conforme lhe convinha ou lhe mandavam e convenceu outro secretário de Estado ou mesmo um ministro mais "versado" ou "ingénuo" a colaborar na sua "obra". Torcendo um regra aqui, explorando uma ambiguidade ali, a sua reputação cresceu. Não precisava agora de se mexer. Era, como se diz no calão da tribo, um "facilitador". A iniciativa privada gostava dele, o "sector público" gostava dele, o alto funcionalismo (a quem, de quando em quando, dava uma gorjeta) gostava dele. Ninguém lhe tocava. O corrupto ascendia à respeitabilidade. E anda, por aí, no meio de nós.






30.10.09

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Mãos sujas, alma limpa

Como sucede habitualmente quando, como agora, vêm a público os negócios sujos que, um pouco por todo o país, envolvem lixo e tratamento de resíduos, os envolvidos são quase sempre gente (empresários, autarcas, políticos…) lavada e educada, da do género que não entra em casa sem limpar cuidadosamente os pés.

 O problema é não haver tapete de entrada onde se limpe a sujidade das mãos. De qualquer modo, quando os jornais conseguem enfim chegar à fala com eles, estão todos de consciência limpa. O lixo e o dinheiro são, com efeito, matérias com a singular propriedade de sujarem as mãos e raramente sujarem a consciência (e mais raramente ainda o cadastro, pelo menos entre nós, onde as leis penais e processuais penais lavam mais branco que em qualquer outra parte do mundo), de tal modo que o capítulo moral da democracia portuguesa que vier um dia a ser dedicado ao assunto não poderá deixar de levar o sugestivo título de "Mãos sujas, alma limpa". Não se percebe é que a PJ se dê a tanto trabalho para desvendar a "Face oculta" de tais negócios, se ela e o MP é que acabam sempre por sair sujos dos tribunais.

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Ferreira FernandesU
M PONTO É TUDO

Sucateiros e outros sucateiros

por Ferreira Fernandes


Os resíduos sólidos costumam atrair gente com costumes não tão sólidos assim. Lixo atrai lixo. Basta ver a série televisiva Os Sopranos. Os amigos mafiosos de Tony Soprano, e ele próprio, dedicam-se a várias traficâncias - da falsificação de cartões telefónicos à prostituição - que pontuam este ou aquele dos 86 episódios. Mas só um negócio atravessa toda a série da Máfia de Nova Jérsia: o negócio do lixo (na sua vasta gama, recolha e tratamento do lixo, aterros sanitários, incineração, sucatas...). Outro exemplo, e desta vez sem recorrer à ficção: o mais lucrativo negócio da Camorra, a Máfia de Napóles, é o lixo. Não conheço as razões que relacionam os homens do lixo e os homens de negócios sem escrúpulos. Mas que se atraem, atraem. Talvez o compadrio venha do convencimento comum de que o dinheiro não tem cheiro. Uns porque já têm a pituitária destruída pela matéria orgânica em putrefacção, outros porque são podres eles próprios. Em todo o caso, o facto é esse: a gente venal adora o lixo. E o país que se lixe.

29.10.09

1399












Presunção de inocência

Sempre que surgem notícias sobre desenvolvimentos de uma qualquer investigação criminal, sobretudo se os suspeitos ou arguidos são figurões ligados à política ou aos negócios, logo políticos (primeiro estes) jornalistas, comentadores e outros bichos caretas se apressam a esgrimir com o «princípio da presunção de inocência» para evitar comentar o assunto e, preferencialmente, afastá-lo da discussão pública.
Desde logo na tentativa de silenciar os órgãos da comunicação social.

O dito princípio está instituído na Constituição como uma das garantias do processo penal:

Artigo 32.º
Garantias do Processo penal
1. O processo criminal assegura todas as garantias de defesa, incluindo o recurso.
2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.
3. O arguido tem direito a escolher defensor e a ser por ele assistido em todos os actos do processo, especificando a lei os casos e as fases em que a assistência por advogado é obrigatória.
4. Toda a instrução é da competência de um juiz, o qual pode, nos termos da lei, delegar noutras entidades a prática dos actos instrutórios que se não prendam directamente com os direitos fundamentais.
5. O processo criminal tem estrutura acusatória, estando a audiência de julgamento e os actos instrutórios que a lei determinar subordinados ao princípio do contraditório.
6. A lei define os casos em que, assegurados os direitos de defesa, pode ser dispensada a presença do arguido ou acusado em actos processuais, incluindo a audiência de julgamento.
7. O ofendido tem o direito de intervir no processo, nos termos da lei.
8. São nulas todas as provas obtidas mediante tortura, coacção, ofensa da integridade física ou moral da pessoa, abusiva intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações.
9. Nenhuma causa pode ser subtraída ao tribunal cuja competência esteja fixada em lei anterior.
10. Nos processos de contra-ordenação, bem como em quaisquer processos sancionatórios, são assegurados ao arguido os direitos de audiência e defesa. 


A sua razão de ser é meramente interna ao procedimento judicial; não pode o julgador deixar de presumir a inocência do arguido em caso de insuficiência da prova; não pode condená-lo se a prova dos factos pelos quais vem acusado não for claramente feita.
Mas isso é nos tribunais.

Na vida em sociedade, nas conversas de café, no que se escreve nos blogues, os cidadãos não estão obrigados a presumir a inocência de ninguém.
Diria mesmo que antes pelo contrário.
No nosso convívio social, nas opiniões que emitimos, na apreciação que fazemos do comportamento dos políticos, dos gestores, das figuras públicas devemos ajuizar o seu comportamento público, os factos que traduzem uma maneira de ser e estar, o seu carácter, a sua actuação.
E não temos de aplicar o principio da presunção de inocência.
Temos de fazer um juízo sobre os factos que vamos tendo conhecimento, e integrá-lo com aquilo que sabemos da maneira de agir daqueles a quem são imputados, pela investigação, factos possivelmente ilícitos.

Isto para dizer que no que respeita ao que hoje aí anda nas notícias e nas personagens nelas referidas eu não uso nenhuma presunção de inocência.
Antes pelo contrário.


1398





Crimes e castigos

José Sócrates inicia este mandato como primeiro--ministro fragilizado politicamente. Pela primeira vez na democracia portuguesa, um chefe de Governo vê diminuir de forma drástica a sua base eleitoral e parlamentar. Já houve executivos minoritários que se tornaram maioritários. Mas só agora assistimos ao fenómeno inverso. Sócrates acaba de tomar posse, mas já perdeu a pose.

O mandato que agora inicia vai ser um verdadeiro inferno. Com o país a pedir reformas urgentes e sempre adiadas, o Partido Socialista irá apenas preocupar-se com a manutenção do poder. Para este propósito, contará com o auxílio ora do CDS, ora do Bloco de Esquerda. Estes dois partidos vão querer fazer render as suas recentes conquistas eleitorais e consolidar a sua diminuta mas crescente influência no aparelho de estado português. Iremos assistir à negociação parlamentar de muitos diplomas, com discussões de forte carga doutrinária. Mas, em simultâneo, e por baixo do pano, haverá muita negociata, muitas nomeações para lugares de Estado, muito tráfico de favores. Em benefício do Bloco e do PP, mas também do parceiro do bloco central de interesses, o PSD.
No vértice, e como garante deste sistema de governo, está um homem refém dos grandes grupos económicos, aos quais hipotecou o país. Aguenta-se no cargo sem honra nem glória, descredibilizado pessoalmente e diminuído politicamente. Ser primeiro-ministro é o seu crime e o seu castigo.
2. Fragilizados estão também os presidentes de Câmara, na sua maioria. Quase dois terços dos autarcas eleitos iniciam o seu último mandato. Ou seja, a partir do momento em que são empossados, estão já de saída. Começarão progressivamente a perder autoridade nos seus municípios. Dentro de dois anos, já serão ignorados e os poderes clientelares, que foram criando, depressa se rebelarão contra eles. Serão os primeiros a ser sacrificados nas lutas fratricidas pela sua sucessão. Arrastar-se-ão até ao final dos mandatos, a exemplo dos presidentes americanos no seu segundo e último mandato. Estarão muito mais preocupados com o seu próprio futuro do que com o dos seus concelhos. E sabem que, por muitos disparates que cometam, já não terão de se inquietar com as suas consequências.
Desempenhar funções autárquicas é, em grande parte das vezes, um crime. Em fim de carreira, será também um castigo.

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fotografia de JOSÉ SENA GOULÃO (via 31 da Armada)

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Ora cá estão eles.
Vejamos pelos nomes:
Luís Amado- Por quem? Só se for pelos que apoiaram a invasão do Iraque
Teixeira dos Santos- Toda a gente sabe que santos da casa......
Pedro Silva Pereira – Iniciais PSP (só não sei é policia ou o nome do partido)
Augusto Santos Silva – Iniciais ASS (SS que azar)
Rui Pereira – Este basta olhar para a cara; diz tudo
Alberto Martins – Conhecido pelo cara alegre (vejam como está sempre a rir)
Vieira da Silva – Alguém acredita em quem pisca o olho?
António Serrano – Se for da família dos presuntos......
António Mendonça – É a cota que o PCP dá sempre aos governos
Dulce Pássaro – Sem falar na vestimenta, é bom ter um pássaro. Dá bom ambiente
Helena André – Sindicalista ma “non tropo”
Ana Jorge – Híbrida até no nome (Jorge)
Isabel Alçada – Alçada da Fenprof para o Governo
Mariano Gago – Gago ou mudo; descubra quem puder
Gabriela Canavilhas – Cheira a música de cana......rachada
Jorge Lacão – Mais presunto ;ou será pernil de porco(dic. Porto Editora)


Peço desculpa mas foi o melhor comentário político(????) que consegui fazer a tão brilhante panóplia


Rui Huet Viana Jorge

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José Penedos, presidente da REN

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Hoje é um daqueles dias em que lembramos Walter Rosa, socialista que se demitiu do cargo de ministro porque o filho assaltou um banco com uma pistola de brinquedo.
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E em que não conseguimos deixar de ver nos olhos das pessoas de bem com que nos cruzamos a névoa da dúvida sobre qual a extensão do nosso comprometimento nas actividades ilícitas da associação criminosa a que pertencemos.

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Armando Vara apanhado em escuta

de caso de corrupção


De acordo com informações recolhidas pelo JN, os despachos judiciais que sustentam os mandados de busca ontem cumpridos - cerca de 30 em Aveiro, Ovar, Feira, Lisboa, Oeiras, Sines, Alcochete, Faro, Ponte de Sôr e Viseu - aludem a uma conversa, de 23 de Maio passado, referente a um suposto pedido de 10 mil euros, em notas, por parte de Armando Vara a Manuel Godinho, como alegada forma de compensação por suposta "abertura de portas" para informações, trabalho e contratos com empresas públicas.

Mas o montante mais elevado referido no processo está relacionado com Paulo Penedos. Este jurista ligado ao PS - e causídico de pelo menos uma firma de Godinho - é referenciado como tendo recebido, no total, 270 mil euros, como alegada contrapartida por negócios com a empresa presidida pelo pai.

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O tornozelo de Ronaldo

Na posse do novo Governo voltaram a ouvir-se as mesmas palavras gastas de sempre: desenvolvimento, crescimento, inovação, modernização, emprego, solidariedade… Se as palavras se comessem (sobretudo a palavra "solidariedade", que é comprida e rotunda) seríamos um país farto.

Infelizmente não se comem e, segundo um estudo da Deco, há, em Portugal, 40 mil idosos a passar fome. Números afrontosos como este e os da pobreza costumam ser varridos pelo discurso político e mediático para debaixo do tapete da "modernização", da "inovação tecnológica" e quejandos (como que dizendo à maneira mordaz de Cesariny: "Assim como assim ainda há muita gente que come") ou brandidos como arma de arremesso durante as campanhas eleitorais e esquecidos mal acaba a contagem dos votos. A existência de tantos portugueses, os mais vulneráveis, com fome deveria encher-nos de culpa e de vergonha, deveria ser manchete dos jornais, notícia de abertura dos telejornais. Não é. É o TGV e o tornozelo do Cristiano Ronaldo. Ou a de que (lá vou eu ser acusado de "populismo") o Estado irá assegurar mais uns milhões a mais um banco.

28.10.09

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video

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Ganância criativa

Há no processo de formação de preços em economia de mercado um conceito admiravelmente engenhoso, o de "renda do consumidor".

A ideia é simples: quando se fixa o preço de um produto ou serviço, há gente a "ganhar" a diferença entre o que paga e o que estaria disposta a pagar. Para sacar essa "renda", as empresas procuram "compartimentar o mercado" e cobrar a cada um, pelo mesmo produto, o máximo que está disposto a pagar. Há muito que os bancos andam com a ideia fixa de cobrar a "renda" de comodidade e segurança que resulta do uso de cartões de crédito e débito (com que os bancos poupam milhões em custos de pessoal). Falhada a tentativa de se cobrarem pela utilização das caixas Multibanco, conseguem agora, com a possibilidade de os comerciantes passarem a "taxar" os pagamentos feitos com cartões, meter pela janela o que não entrara pela porta. Mas a mão que nos irá ao bolso não é a dos comerciantes, é a dos bancos. Através dos comerciantes, os bancos irão cobrar-nos, além das anuidades dos cartões, cada pagamento que fizermos com eles. Com uma vantagem: o odioso cairá sobre os comerciantes.

27.10.09

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A freguesia aumenta:

No Vietnam (via MatosinhosOnLine)






E na GAIANIMA!!!





1388





Matosinhos, terra no horizonte distante e de mar à mesa.

Continua esta pobre terra a dar uma forte contribuição para a originalidade política nacional.

Os "políticos" que encabeçam as três forças eleitas para a vereação mostram ao País a sua pobreza intelectual, cívica e ética com os sucessivos comportamentos que exibem e afirmações que produzem:

Um entende que chegou lá por mérito próprio - deve estar satisfeito com o resultado que conseguiu - que isso lhe dá direito a tratar da vidinha ocupando um lugar na vereação com as prebendas anexas, e que pode ignorar o partido a que todos julgávamos que pertencia e as decisões políticas deste.

Outro acha que pode concorrer contra o partido a que pertence sem que isso tenha quaisquer consequências, e que não o poder fazer seria um atentado à sua liberdade pessoal.

O terceiro é de opinião que pode candidatar-se sem dar satisfações ao partido a que diz pertencer, e que uma vez instalado pode, também sem querer saber do partido, fazer as alianças que lhe pareçam mais convenientes com o único fito de garantir a sua própria sobrevivência política.

Estamos entregues a homens cujo carácter, verticalidade, lisura e honradez estão à vista.

1387


JN:

PSD pode pedir expulsão de Guilherme Aguiar

Concelhia quer punir acordo com PS para garantir pelouros

00h30m

MARTA NEVES E VERÓNICA PEREIRA

Para o PSD/Matosinhos "não está fora de hipótese" propor a expulsão de Guilherme Aguiar à Comissão Política do partido, que vai a votos no próximo dia 21. Já o recente eleito vereador afirma que "o partido não manda" nele.

Com duas conferências de imprensa marcadas para a mesma hora, em Matosinhos, PSD local e Guilherme Aguiar esgrimiram, ontem, opiniões sobre a recente posição do social-democrata em assumir um acordo com o Executivo liderado pelo socialista Guilherme Pinto.

Clarisse Sousa, presidente do PSD/Matosinhos, acusou Guilherme Aguiar de se "julgar acima do partido", culpabilizando-o de uma "campanha sem união", que resultou "no pior resultado de sempre que o partido teve desde 25 de Abril".

A mesma responsável foi dura nas críticas que fez "à forma como Guilherme Aguiar lidou com as estruturas do PSD" local, descrevendo-a como "um caos". "Os nomes da vereação não foram estudados pelas estruturas do partido, mas surgiram de um capricho seu de querer trazer Gaia em peso para Matosinhos ", lamentou Clarisse Sousa.

Já o autarca reiterou que a "única pessoa que veio de Gaia" foi ele, e que a sua decisão "não é sinal de abuso de poder", tendo dado exemplos de coligações estabelecidas noutros municípios. O candidato sublinhou ainda que as questões que dizem respeito à Câmara "não são da competência do partido".

Da mesma forma, Guilherme Aguiar não se mostrou preocupado com a possível expulsão do PSD. "Esse é um problema que diz respeito ao partido. Tenho alguns conhecimentos dos estatutos mas respeitarei a vontade", afirmou, acrescentando: "O PSD não manda em mim".

Por seu turno, Artur Osório, presidente da mesa do PSD/Matosinhos e líder da bancada social-democrata na Assembleia Municipal, disse ver com "estranheza e desconfiança" o facto de Guilherme Aguiar não ter comunicado ao partido a intenção de se coligar com o PS. "Nunca nos comunicou nada. Por isso não é digno de pertencer ao PSD", reiterou , Artur Osório, que vai pedir uma "posição por parte da distrital".

Já para Clarisse Sousa "não estará fora de hipótese" propor à Comissão Política do PSD a expulsão de Guilherme Aguiar do partido.

Em resposta, Guilherme Aguiar apontou a mudança de atitude da líder da concelhia, "a partir do momento em que não foi convidada a integrar a lista da vereação". Em relação à pasta de vereação que irá assumir, Guilherme Aguiar preferiu não revelar, afirmando que cabe ao presidente da Autarquia essa comunicação. "Mais importante do que os pelouros, é termos encontrado uma convergência de pontos de vista", concluiu.


PÚBLICO:

A guerra entre a Concelhia de Matosinhos do PSD e o candidato pela coligação PSD/CDS à presidência da câmara, Guilherme Aguiar, já tinha começado, mas ontem travou-se uma das mais duras batalhas do conflito. "O PSD não manda em mim. Eu respeito os princípios estatutários do partido, mas o PSD não é meu dono e muito menos a comissão política concelhia", afirmou Guilherme Aguiar numa conferência de imprensa marcada para a mesma hora (12h00) e a escassa distância de outra, protagonizada pelo PSD-Matosinhos e que serviu para criticar Guilherme Aguiar.

Nessa conferência, Clarisse Sousa, presidente demissionária da Concelhia de Matosinhos do PSD, acusou Guilherme Aguiar de "não estar a respeitar a vontade do povo" devido ao acordo celebrado na última quarta-feira com o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto. Acordo esse que prevê uma delegação de competências em Guilherme Aguiar e em Nelson Cardoso, o outro vereador eleito pela coligação PSD/CDS.

Clarisse Sousa acusou Guilherme Aguiar de "excluir totalmente o partido" da recente campanha autárquica, de ter trazido para Matosinhos "Gaia em peso" e de estas opções terem levado ao pior resultado do PSD no concelho desde o 25 Abril. Já Artur Osório - presidente da mesa do núcleo de Matosinhos e novo líder da bancada social-democrata na assembleia municipal matosinhense - afirmou que Guilherme Aguiar "não é uma pessoa digna de pertencer ao PSD" e que o acordo com Guilherme Pinto consubstancia "um acto muito grave".

A conferência de imprensa de Guilherme Aguiar foi tão longa que deu tempo para o vereador responder às críticas proferidas no outro encontro com jornalistas. "A dr.ª Clarisse Sousa representa 1400 militantes e eu represento 15.000 eleitores" foi uma das frases proferidas por Guilherme Aguiar que contra-atacou, afirmando que a líder concelhia o elogiava várias vezes, mas que isso deixou de suceder quando ele lhe negou a possibilidade de ser terceira na lista candidata à câmara. "E, na sequência de não ser número três, recusou ser número dois na lista da assembleia municipal", acrescentou.

"Eu respeito as decisões do partido quando é da sua competência. E não é da competência do partido dizer ao vereador qual é o comportamento que deve ter perante a comunidade que o elegeu", insistiu Guilherme Aguiar, que deu o exemplo da Câmara de Gaia. Se fosse o partido a mandar, então o vice-presidente, Marco António Costa, que é líder concelhio e distrital, "mandaria no presidente da câmara". Já quando questionado sobre uma eventual sanção por parte do PSD, declarou: "Isso é um problema que diz respeito ao partido. O que eu digo é que o PSD não é meu patrão, o meu patrão é a minha consciência."


1386




Os insubstituíveis

Sou dos que estão de acordo com a prioridade dos deputados na vacinação contra a gripe H1N1, ao lado dos profissionais de saúde "dificilmente substituíveis", e os do INEM, do Instituto do Sangue ou da Linha Saúde 24.

Como nos naufrágios, primeiro os deputados, depois as mulheres e as crianças. Precisamos, de facto, dos deputados como de pão para a boca. Se eles calhassem de apanhar a gripe, o país pararia; sem as suas intervenções antes, depois e durante a Ordem do Dia, não saberíamos que fazer nem que pensar; sem as suas votações levantando-se e sentando-se disciplinadamente às ordens das direcções partidárias, seria o caos no país e nas consciências; e sem o Canal Parlamento a vida perderia sentido. Parafraseando Brecht, sem os deputados "o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima (…)/ E atrever-se-ia o Sol a nascer/ sem [sua] autorização"? Não entendo, por isso, os que defendem que os doentes crónicos e de risco deveriam ser vacinados primeiro que os deputados. Doentes é o que mais há e, se morrerem, podem substituir-se com facilidade. E ainda se poupará em despesas de saúde.

25.10.09

1384





As alianças espúrias, 
ou
Angustias da alma,
ou
Prosperidade da psiquiatria,
ou ainda
O casamento gay em Matosinhos


O Dr. Pinto e o Dr. Aguiar fizeram entre si, ao que parece, uma aliança para governarem a Câmara.
E também para se governarem nas questões menores da mercearia.

Desprezaram, como é de norma nestas coisas e entre pessoas finas, os respectivos partidos a quem não deram cavaco.
E os partidos dos senhores deixam?

O acordo entre os dois próceres do poder autárquico é apenas para a vereação ou inclui a Assembleia Municipal?
Os eleitos do PSD da Assembleia Municipal estão abrangidos pelo Acordo?
E sabem disso?
Vão votar com o PS?
Ou como o PS tem a maioria na Assembleia, aqui já não há acordo e votam como bem entenderem?
E votam contra a maioria da vereação onde está, em sintonia com o PS, o cabeça de lista do PSD (e se calhar o segundo)?

E nas juntas? Também há acordo?
Ou os eleitos do PSD nas freguesias podem, aí, opor-se à política da Câmara em cuja vereação está o seu candidato?
Estão vinculados aos programas com que concorreram, ou agora defendem os cozinhados que os dois Guilhermes fizerem?
E votam com as presidências, sobretudo nas juntas onde o PS não tem maioria absoluta?

E discutem, todos, na comissão política concelhia as políticas do partido para o concelho?
Definem uma política para a Câmara, outra para a Assembleia Municipal e outra para as juntas?

Ou o PSD passa a ter uma única política: defender a administração de empresa municipal que vai ser dada ao Dr. Aguiar (e se calhar ao número dois) como único interesse relevante para o partido em Matosinhos?

E daqui a quatro anos com que programa se apresentam aos eleitores?
Terão programa próprio ou vão defender a política maioritária do PS levada entretanto a cabo?
Ou vão em coligação com o PS?
E tem lata para fazer campanha?

O problema não é meu, a não ser na medida em que sou munícipe de Matosinhos, mas vão conseguir viver com esta cacofonia?
E não ficam  disfuncionais?
A psiquiatria é um ramo com futuro nesta terra!

E se for eleita uma Comissão Política que não esteja pelos ajustes com a «aliança»?
Retira a confiança política ao Dr. Aguiar (e ao número dois)?
E este fica na Câmara?
Inscreve-se no PS?
Casa com o Dr. Pinto? (entretanto há-de ser aprovado o casamento gay)
Ou demite-se e vai para Gaia? E mantém, ou não, a administração na Matosinhos Sport?
E deixa o Dr. Pinto desamparado, de novo à mercê do comedor, o que ele verdadeiramente queria evitar?

E a distrital?
E a direcção nacional?
Não têm nada a dizer?
Esta obviamente que não, ocupada que está na escolha do sucessor.
E as que vierem a ser eleitas? Aceitam a «aliança»?
E se não estão pelos ajustes (directos)?

E no PS?
Veremos no próximo episódio...

E o Narciso?
Esse agora não conta, ocupado que está a aplicar (em proveito próprio como sempre) o principio de «quem não berra não mama», para ver se ainda salva alguma coisa.

imagem daqui

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Narciso contra "acordo de tachos" entre PS e PSD

00h30m

INÊS SCHRECK
O entendimento entre Guilherme Pinto (PS) e Guilherme Aguiar (PSD) "é um acordo de interesses pessoais e de tachos", diz Narciso Miranda, considerando que ficou, agora, com mais responsabilidades na Oposição em Matosinhos.
O candidato independente à Autarquia, derrotado nas eleições do passado dia 11, diz não ter ficado surpreendido com o entendimento alcançado esta semana. Recorde-se que Guilherme Pinto perdeu a maioria absoluta e anunciou que vai entregar um pelouro a José Guilherme Aguiar, do PSD, pasta que poderá vir a acumular com a liderança de uma empresa municipal.
Narciso Miranda recorda que, desde as eleições, só tem ouvido Guilherme Pinto gabar-se de o ter derrotado ou esmagado. "Não há uma palavra sobre o futuro de Matosinhos. Só ouço derrotei, esmaguei, só ouço ódios e vinganças, o que é dramático do ponto de vista político", referiu, acrescentando que "reduzir o debate a questões pessoais e fazer acordos sustentados em interesses pessoais ou em empatias de carácter estritamente pessoal é ferir a inteligência dos cidadãos".
A "empatia" a que se refere Narciso foi um dos argumentos usados por Guilherme Pinto para justificar a aliança à direita. O socialista referiu que o entendimento com José Guilherme Aguiar foi conseguido "graças à relação empática existente". Perante a declaração, Narciso não resiste: "como é que há empatia se, na campanha, durante um debate na rádio, Guilherme Aguiar acusou Guilherme Pinto de ser um mentiroso compulsivo?"
Narciso também não gostou de ouvir Guilherme Pinto invocar a "convergência dos programas eleitorais dos partidos" para justificar o acordo do PS com o PSD. "Isto é rasgar os valores do projecto ideológico do PS", comentou.
Perante aquilo que considera um "pântano político", Narciso entende que carrega responsabilidades acrescidas na Oposição de Matosinhos. "Não faremos obstrução, actuaremos de forma construtiva na base da transparência e do rigor", afirmou, garantindo que lutará por políticas geradoras de emprego, por uma gestão urbanística rigorosa e combaterá a pobreza e a exclusão social. "Seria políticamente criminoso se baixássemos os braços e não assumissemos as nossas responsabilidades", concluiu.