30.1.10

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1678


O «eng» "martelou" o número do deficit de 2009 para (julga ele) enganar o mundo em geral e os portugueses em particular nos resultados do próximo ano e daí retirar eventuais proveitos políticos?

Não sei.

Mas que, atendendo à sua natureza intrínseca, é possível, é!

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video

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SEGURANÇA SOCIAL

Governo retira do OE novo apoio a famílias pobres

por CATARINA ALMEIDA PEREIRA
 Ministério do Trabalho garante que a intenção se mantém, mas não esclarece se o custo  está, ou não, orçamentado  
O Governo retirou da versão final do Orçamento do Estado a intenção de avançar, já em 2010, com uma nova prestação social de apoio às famílias pobres com filhos. Ao DN, o Ministério do Trabalho não esclarece se a verba que financiará este apoio está, ou não, orçamentada.
Trata-se de uma promessa eleitoral que, segundo explicou a ministra do Trabalho, Helena André, a 18 de Dezembro, no Parlamento, deverá avançar em 2010, Ano Europeu do Combate à Pobreza.
A versão preliminar do Orçamento do Estado, a que o DN teve acesso, estipulava expressamente que "o Governo promoverá, já em 2010, o desenvolvimento de duas novas prestações sociais, dirigidas a pessoas com deficiência e a famílias trabalhadoras com filhos que tenham rendimentos inferiores ao limiar da pobreza".
Na versão final do documento, apresentado esta semana, este parágrafo desaparece.
Questionado sobre o facto da referência não constar da versão final, fonte oficial do Ministério do Trabalho confirma apenas que "a prestação para famílias trabalhadoras com filhos será aprovada e apresentada durante o ano de 2010". A mesma fonte remete para esse momento "qualquer divulgação de mais detalhes", não esclarecendo quais os custos e alcance da medida e se o novo apoio está, ou não, orçamentado.
Há pouca informação sobre esta nova prestação social, anunciada de forma genérica, e que ao que tudo indica deverá funcionar como um complemento, à semelhança do que existe para os idosos. E não é para menos. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a pobreza de famílias trabalhadoras com crianças se agravou de forma significativa: a taxa de risco passou de 5% em 2007 para 10% em 2008.
Num ano marcado pelo extraordinário aumento do desemprego - que em Dezembro terá chegado a 563 mil pessoas - a Segurança Social enfrentou o aumento das despesas com apoios, e a estagnação da principal fonte de receita, as contribuições. A tendência deverá agravar-se este ano, com o saldo da Segurança Social a cair a pique: de 1611 milhões em 2007 para 559 milhões em 2009 e 294 milhões em 2010.

29.1.10

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Dramatizações políticas e outras

por Ana Sá Lopes,

CADA VEZ QUE acontecia uma discussão mais embirrante, o Zé, o terceiro dos ex-maridos da Vanessa, simulava a iminência de um ataque cardíaco. Agarrava-se ao peito, revirava os olhos e, evidentemente, a discussão acabava ali, com a Vanessa a telefonar para o INEM, quando estava em causa um tema shocking, ou a sacar a caixa das aspirinas da gaveta dos medicamentos, se o drama em questão fosse do género light. E assim foram vivendo, enquanto a Vanessa, carregada de culpa pela morte anunciada, se esforçou por não radicalizar a coisa. Isto foi quase há 15 anos e ainda no sábado passado vi o Zé, feliz, embriagado e a fumar que nem um bruto, borrifando-se para o dr. Fernando Pádua mais a prevenção cardíaca. 


A Vanessa lembrou-se disto quando apareci lá em casa para beber um café exactamente na altura em que o dr. Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, anunciava ao país a iminente crise política e a impossibilidade de prosseguir a governação se fosse aprovada a lei que manda para a Madeira os dinheiros reivindicados pelo dr. Jardim, apoiado pelos comunistas. 


- Eh lá! Mas se isto acontecer o governo demite-se mesmo? perguntou, enquanto olhava para o ar sofrido de Teixeira dos Santos depois de tantas noites a sonhar com o défice. 


De repente vieram-lhe à cabeça as cenas do Zé e desatou às gargalhadas.

-  Ó pá, e aquelas vezes todas que eu telefonei para o 115! E vinha a ambulância e o gajo ia para o hospital! E eu pensava que era o fim! Lembras-te? Fogo, os homens são todos iguais!
no I

1673





O bom aluno

Durante algum tempo, foi contrariado que Teixeira dos Santos desempenhou nas TV e jornais o papel de vilão que lhe coube no "casting" da derrapagem das contas públicas. Via-se-lhe na cara que preferia o papel de "técnico competente", o homem que matara o Liberty Valance do défice e deixara o herói ("Já o fiz antes e sei como fazê-lo") ficar com os louros e com a rapariga.

Aos poucos ganhou o gosto à coisa e o actor acabou por se transformar na personagem. Só um "político competente", e não um "técnico competente", teria, sem corar, previsto para 2009 um défice de 2,2% e, depois, perante os factos, corrigir o tiro para 5% para, no final do ano, o corrigir de novo para 8,7% e, uns dias depois, no momento da apresentação do OE, o recorrigir ainda mais uma vez para 9,3%, disparando culpas em todas as direcções, da crise internacional às agências de "rating" (faltou o aquecimento global). Agora, Teixeira dos Santos diz-se "disposto a abdicar de parte do seu salário, se for necessário". Entretanto, e para já, vai "abdicando" dos salários alheios. Ninguém pode acusá-lo de que não aprende depressa.

1672


Garantia de reembolso abrange cerca de 2250 clientes

BPP pago pelos contribuintes

São os contribuintes, através de verba inscrita no Orçamento do Estado, que vão pagar parte do dinheiro aplicado pelos clientes do retorno absoluto do BPP.

O Governo vai comprometer-se a pagar o intervalo entre o valor das aplicações que estiverem no Fundo Especial de Investimento, que será constituído até ao fim de Fevereiro, e o tecto máximo de 250 mil euros de reembolso que o Executivo admite pagar na maturidade do fundo, ou seja, daqui a quatro anos. A garantia de reembolso abrange cerca de 2250 clientes.
'A recuperação de até 250 mil euros é fixada no montante correspondente exclusivamente à diferença entre o valor nominal das aplicações dos titulares de contas de Retorno Absoluto de Investimento Indirecto', lê-se no Orçamento do Estado. 'Os eventuais encargos decorrentes da execução do disposto nos números anteriores são suportados por recurso a adequada dotação a inscrever no Orçamento do Estado referente ao ano em que for exigível o respectivo pagamento', acrescenta.
Numa fase inicial, a verba a atribuir aos clientes será paga pelo accionamento do Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização dos Investidores, caso os clientes adiram ao fundo. Os pagamentos serão feitos 'a título de ressarcimento indemnizatório, amortização de capital, distribuição de rendimentos, partilha de activos em liquidação, ou qualquer outro'.

D.R

28.1.10

1671





Última hora! Último Escândalo!
Para que servem os deputados do Porto?
Prepara-se um novo 31 de Janeiro?
O PIDDAC regionalizado para o Distrito do Porto passou de 351 milhões em 2009 para 55,7 milhões em 2010, o que significa uma quebra de 84% do investimento público, não sendo agora mais do que 17% do PIDDAC nacional.
Pode pensar-se que tal resulta de cortes no investimento público dado o contexto... Santa Ingenuidade!... Só no Porto é que existe uma quebra deste tipo! Para o Distrito de Lisboa o PIDDAC sobe 25%!!!
Em 2009 cada portuense (distrito) "recebia" em teoria 180 €, agora ficar-se-á nos 31€!!!
Que fazem no Parlamento os deputados e deputadas do Porto além do papel de bobos? Representam quem? Estão no Parlamento por mandato de quem? Como se atrevem a aprovar uma ignomínia destas? Írá mais algum para os cofres do clube da capital? Ou alguém pediu um novo 31 de Janeiro? Mais bem preparado, mais eficaz? Até porque também nisto, ainda hoje, se sentem os efeitos da derrota do de 1891! Quem semeia ventos, colhe tempestades. E por mais meteorologias que estudem nos marketings políticos que consomem boa parte do Orçamento, as tempestades sociais são sempre imprevisíveis (Pedro Baptista).

1671



Ponte do Carro                           imagem daqui

1670

Há um momento que vai ser fulcral na candidatura do poeta Alegre.
Dado que é (creio) inevitável o apoio do PS, a partir do momento em que se torne claro esse apoio em que pé ficam a candidatura e o candidato.
Continua o discurso dos últimos tempos, «à esquerda»?
Ou vai domesticar-se, e acolher-se ao redil do «eng»?
E se o fizer onde é que o BE mete o tão pressuroso apoio?


Outra questão curiosa vai ser ver como o candidato se relaciona com o Narciso Sempre.
Convirá não esquecer que, não vão lá muitos anos, dele dizia ser um grande socialista e um autarca exemplar (ele, poeta, lá saberá porquê e em quê).

Mas também era isso que diziam o Dr. Pinto e os seus actuais sequazes!




Em tempo e em geito de esclarecimento: antes Alegre que Cavaco 

1699

Já está:



1698





Socialismo honorário

Como naquele anúncio de um hipermercado, ainda sou do tempo em que o arroz carolino custava um tostão e em que o socialismo tinha como valores estruturantes a liberdade e a igualdade. Para alguns dos por assim dizer notáveis que hoje transportam o inerme facho do socialismo, isso foi chão que deu uvas.

Às alcatifas do seu socialismo "moderno" não chegam já as ditantes vozes dos "humilhados e ofendidos" e dos "condenados da terra", e a liberdade que espere sentada na antecâmara dos valores mais altos que entretanto se alevantaram das "infraestruturas urbanísticas, rodoviárias e turísticas". Daí os elogios do "presidente honorário" do PS, Almeida Santos, à "obra positiva" de Jardim no encerramento do Congresso do... PS-Madeira. Pelo suave milagre das "infraestruturas", esfumaram-se nas brumas da memória deste neo-socialismo o "défice democrático", o caciquismo, a liberdade vigiada e a miséria e exclusão ocultas atrás do "glamour" dos hotéis de luxo. De fora da gaveta onde Soares o meteu, o PS havia guardado do socialismo algumas palavras "ad usum" eleitoral. Agora, pelos vistos, já nem isso.

1697


Acordo com a Câmara de Lisboa valeu ao Benfica 65 milhões de euros

PJ termina investigação sobre o financiamento do novo Estádio da Luz

no JN

1696

CARLOS COSTA PINA

"Há condições para introduzir portagens nas SCUT no 1º semestre" - vídeo








27.1.10

1695





Pagos para travar o Benfica

JOGADORES DE MATOSINHOS CONFIRMARAM INCENTIVOS



O empresário Jorge Teixeira está sob investigação a cargo do Ministério Público por alegadamente ter abordado os três capitães do Leixões (Nuno Silva, Hugo Morais e Joel) e feito uma oferta de 50 mil euros para os matosinhenses conseguirem pontuar no Estádio da Luz - em jogo relativo à 6.ª jornada do campeonato.
Jorge Teixeira, filho do ex-presidente do Leixões, José Manuel Teixeira, já foi mesmo constituído arguido num processo que poderá ir muito além deste Benfica-Leixões, que terminou com a vitória dos encarnados por 5-0, a 26 de setembro do ano passado. A investigação do MP envolve, desde logo, o Sp. Braga, porque terá sido em nome do clube bracarense que a oferta foi feita. De resto, no decorrer da investigação, os próprios capitães do Leixões terão admitido que, nessa abordagem, Jorge Teixeira prometeu o referido prémio envolvendo o nome do Sp. Braga.
O presidente do Leixões, Carlos Oliveira - que só tomou conhecimento da situação a posteriori -, mostrou-se indignado e falou com os três jogadores, que lhe confirmaram os contactos por parte de Jorge Teixeira. Nuno Silva, Hugo Morais e Joel, apurou o nosso jornal, confessaram inicialmente o caso ao treinador José Mota enquanto a equipa viajava, no próprio dia do jogo, em direção a Lisboa.
Existem várias questões suscitadas no inquérito que está em andamento e, desde logo, uma delas é apurar se o referido empresário dispõe de condições para, em nome individual, realizar uma ação desta grandeza de valores, embora Record também saiba que a investigação procura simultaneamente saber se existe algum grau de relação entre Teixeira e o clube que lidera o campeonato. Por outro lado, António Salvador, presidente do Braga, terá ele próprio tomado a iniciativa de denunciar o caso à polícia no momento em que tomou conhecimento que o nome do seu clube aparecia envolvido nesta história.
De acordo com fonte junto do processo, este dossier iniciado a partir do Benfica-Leixões será apenas uma pequena parte de uma investigação mais alargada. Que, neste momento, até já deverá incluir a análise a mais jogos da Liga Sagres - com vista a apurar se existem outras ofertas e de que género, procurando o MP aí encontrar casos de infração mais grave, como por exemplo aliciamento para uma equipa se deixar derrotar. Nesse caso, a prática já configuraria corrupção.

"Jó" não era apenas o filho do presidente

O homem que está no olho do furacão é um jovem de 32 anos que tentou fazer uma carreira de futebolista. Jorge Teixeira, conhecido apenas por "Jó" entre os seus amigos mais próximos, foi jogador do FC Porto nas camadas jovens e ainda tentou como sénior afirmar uma carreira de futebolista, tendo jogado no Torre de Moncorvo.

Jorge é filho de José Manuel Teixeira, presidente do Leixões nos anos em que a equipa, sob as ordens de Carlos Carvalhal, conseguiu estar presente na final da Taça de Portugal (época de 2002/03) e regressar às competições europeias. Já muito próximo do clube, Jorge Teixeira acabou por ascender ao cargo de gestor desportivo, acompanhando os últimos meses da presidência do seu pai, um antigo jogador do Leixões conhecido pela sua raça.
José Manuel Teixeira assumiu a presidência do clube escorado também no facto de na altura ser casadocom Sílvia Carvalho, filha de um dos principais acionistas da SAD, o empresário da área dos congelados Manuel Carvalho. Tudo ficou mais difícil para José Manuel Teixeira quando se separou de Sílvia, tendo permanecido na estrutura do clube já quando Carlos Oliveira assumiu a presidência da SAD, mas saindo do clube no ano em que este conseguiu finalmente ascender, sob o comando de Vítor Oliveira, à 1.ª Divisão (época de 2006/07).
Jorge Teixeira saiu mais cedo que o pai, depois de chegar a acordo com o Leixões, tendo a administração alegado que tinha um vencimento incomportável com as suas funções. A atual administração terá detetado também situações que a levaram a romper com Teixeira pai e filho, que desde então se têm mantido numa oposição apagada à equipa conduzida por Carlos Oliveira. Jorge Teixeira enveredou então pela carreira de empresário de jogadores, aproveitando os contactos privilegiados que tinha com alguns protagonistas do futebol. Era conhecida a sua ligação a José Gomes, atual treinador adjunto de Jesualdo Ferreira no FC Porto, ao qual chegou mesmo a organizar uma festa de homenagem depois da passagem, sem sucesso, deste treinador pelo Leixões.

Note-se que o pai de Jorge Teixeira surgiu nas últimas eleições autárquicas a apoiar a candidatura de Narciso Miranda, antigo presidente da Câmara de Matosinhos que perdeu as autárquicas do passado dia 11 de outubro para Guilherme Pinto, de quem Nuno Oliveira, um dos filhos de Carlos Oliveira, é o n.º 2 no executivo.
O Benfica-Leixões de que agora se fala aconteceu duas semanas antes.

Expulsões, polémica e goleada

O Benfica-Leixões, que agora está a ser investigado pelo Ministério Público, foi um jogo envolto em polémica em que o Leixões acabaria a partida apenas com 9 elementos em campo, fruto das expulsões de Pouga (27') e Nuno Silva (54') por parte do árbitro João Capela.
Apesar do juiz lisboeta ter tido decisões acertadas ao mostrar o cartão vermelho aos dois jogadores matosinhenses (ambos por contínuo recurso a faltas perigosas), o técnico José Mota não calou a indignação no final da partida. "A expulsão de Pouga foi a pedido dos jogadores do Benfica", afirmou o técnico do Leixões.
Contudo, e tendo em conta as análises da maioria dos jornais no dia seguinte ao encontro, ficaram ainda duas grandes penalidades por marcar a favor dos encarnados: aos 15' falta de Nuno Silva sobre Cardozo na grande área e aos 37' por carga de Tucker sobre Ramires. Dois lances numa altura em que o resultado persistia ainda num nulo que só seria desfeito já nos descontos concedidos por João Capela na primeira parte, quando David Luiz desviou de cabeça um livre lateral cobrado por Pablo Aimar. No segundo tempo, o Benfica viria a marcar mais 4 golos por Cardozo (2), Ramires e Maxi.

Autor: NUNO FARINHA
Data: Quarta-Feira, 27 Janeiro de 2010 - 6:03

RECORD

1694





O pelintra pródigo

A notícia vem no DN: o Governo português comprometeu-se a emprestar a Angola até 200 milhões de dólares. Para isso, apesar de a dívida externa do país ultrapassar já os 100% do PIB (e com as agências de "rating" a anunciar, em face disso, o aumento das taxas de juro da remuneração da dívida), o Governo irá contrair um (mais um) empréstimo.
A boa notícia é que o mais certo é que parte desses milhões, ao menos a das "comissões" e das "contrapartidas", acabe por voltar a penates, seja através das empresas e dos negócios do costume, seja em artigos de "griffe" como relógios de ouro Rolex e Patek Phillipe, pulseiras Dior e H. Stern, roupas Ermenegildo Zegna e até... casacos de peles, comprados nas lojas de luxo de Lisboa sem olhar a preços. De facto, as elites do regime angolano constituem hoje, segundo uma notícia publicada pelo "Expresso" em finais de 2009, 30% do mercado de luxo português. Que isso nos sirva de conforto, aos pelintras contribuintes portugueses, quando pagarmos a escandalosa factura dos 200 milhões. Porque, como diria o gondoleiro de "A morte em Veneza", haveremos de pagá-la.



26.1.10

1693


AUTO-ESTRADAS

Contra portagens na A28

O reactivado movimento das assembleia municipais dos concelhos atravessados pela Scut Litoral Norte (A28) prepara-se para reunir-se pela primeira vez e poderá convidar representantes de outros municípios que serão afectados pela introdução de portagens a integrá-lo. O primeiro encontro está agendado para 7 de Fevereiro, para já apenas com os elementos que integravam o anterior movimento, mais concretamente das assembleias municipais de Viana do Castelo, Esposende, Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Mas, de acordo com Flora Silva, a presidente da Assembleia Municipal de Viana, há já outros municípios interessados em juntarem-se a este movimento. Entretanto, acaba de surgir mais uma voz no imenso coro de protestos contra as portagens na A28, entre Viana do Castelo e Porto. Agora foi a vez de o presidente executivo da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT), António Condé Pinto, se apresentar "completamente contra" a anunciada introdução de portagens naquela via.




(Foram ultrapassados os presidentes de câmara que tentaram «empatar» a luta contra as portagens?)

1690



EDITORIAL

Engenharia política com cara de póquer

por André Macedo



E se Portugal fosse temporariamente excluído do euro? A tese foi defendida por reputados economistas na véspera do Orçamento 2010


O "Financial Times" de ontem trazia um artigo assinado por dois professores, um de Oxford o outro da London School of Economics. Descontando o facto de um deles ser grego e de ambos serem falcões ortodoxos, o artigo em causa fala da crise de finanças públicas que afecta o chamado Club Med - Portugal, Espanha, Grécia e Itália -, mas curiosamente é o exemplo português que serve de balão de ensaio para a tese proposta. 
E que tese! Para evitar o descarrilamento, os dois economistas sugerem que Portugal volte a ter o escudo como "moeda" interna - durante um período de quatro anos - apesar de manter o euro como forma de pagamento internacional. Através deste duplo sistema, que ficaria conhecido como IOU escudo (acrónimo para "I owe you" - eu devo-te), o país conseguiria baixar os custo de produção face ao nível anterior - o IOU escudo valeria menos do que o euro e não seria convertível -, aumentaria a actividade económica e as receitas, recuperando assim a competitividade perdida durante estes confortáveis, mas ilusórios, anos de união monetária.
A ideia é simples: já que não vamos lá pelo aumento da produtividade, voltaríamos à boa e velha desvalorização cambial para recuperar competitividade. Dito de outra maneira, os nossos produtos e serviços custariam menos a produzir e seriam mais fáceis de exportar. Com esta estratégia radical, as contas públicas seriam reequilibradas a prazo e a zona euro seria poupada ao desagradável contágio dos também chamados PIGS, as economias portuguesa, italiana, grega e espanhola. Já se sabe, quando um dos membros sofre de gangrena, o melhor é amputar.
O artigo do "FT" talvez seja apenas uma tese desmiolada, mas revela o que toda a gente sabe: a reputação portuguesa nos mercados internacionais está no limite da decência. A comparação com os gregos é errada, mas só os portugueses a sentem como errada. Por isso, é preciso encarar o problema filosoficamente: portugueses não são gregos, mas há traços comuns - ninguém entende estas duas economias pobres e periféricas.
Perante isto, o que fazer? Este Orçamento seria um primeiro instrumento para mostrar que o país está disposto a sacrificar-se. Acontece que, aparentemente, não será assim. Ontem dizia-se que o défice das contas públicas em 2010 talvez baixe para os 8,3%. Ou seja, quase nada. Se for mesmo assim, há três explicações possíveis: 1. é bluff e o corte a apresentar hoje será mais profundo; 2. Sócrates está a preparar-se para eleições antecipadas em 2011 e não quer apertar a vida a ninguém; 3. no final do ano a redução será maior do que previsto no Orçamento e assim o governo conseguirá um brilharete inesperado, que valerá uma merecida vida extra em tempos difíceis.
Será? Hoje Sócrates só revelará parte das cartas. As outras vai jogá-las com a habitual cara de póquer. Seja como for, já não parecem sobrar-lhe ases no baralho. Ultimamente só lhe têm saído duques.

I

1692


Candidatura de Alegre está a condicionar aparelho do PS

Federações defendem adiamento das eleições distritais para depois da corrida a Belém

00h30m

CARLA SOARES
Vários líderes distritais do PS defendem que as eleições para as federações devem realizar-se só após as presidenciais, para não se dividir ainda mais o partido num cenário de candidatura de Manuel Alegre. Renato Sampaio discorda e quer antecipar a eleição do PS/Porto.
O calendário das eleições internas no PS foi discutido num jantar que juntou, no final da semana passada, oito líderes federativos. O mote para a conversa foi a disponibilidade que Manuel Alegre manifestou para se recandidatar à Presidência da República, decisão que apenas tomará após a aprovação do Orçamento.
No jantar, para o qual foram convidados os outros dirigentes, o sentimento geral foi o de que as federações apenas deveriam ir a votos após a corrida a Belém, em Janeiro próximo, para não mergulhar o PS em divisões. As eleições internas estão previstas para finais de Outubro, inícios de Novembro, o que, na opinião dos participantes no jantar, surge muito em cima da campanha para as presidenciais. Além disso, ter-se--ão comprometido a aguardar pela posição oficial do PS sobre quem apoiar nas presidenciais e a seguir essa orientação com empenho. No caso de o PS se dividir perante a candidatura de Alegre, argumentam alguns, seria mais uma razão para não fazer eleições internas a dois meses de distância. Já o Orçamento é argumento para não quererem antecipar.
À espera da posição oficial
No encontro, apurou o JN, estiveram os responsáveis pelas federações da Área Urbana de Lisboa (FAUL), de Aveiro, de Bragança, de Santarém, de Beja, do Algarve, do Oeste e de Coimbra, tendo sido este último a organizar o jantar.
Contactado pelo JN, o presidente do PS/Coimbra, Victor Batista, confirmou a iniciativa, mas como sendo um "jantar de amigos" que juntou os líderes federativos. E garantiu que o objectivo do jantar não é endereçar qualquer posição a José Sócrates.
A título pessoal, avançou a sua posição, defendendo que o quadro político não é o melhor para se realizar eleições federativas. Por um lado, porque a corrida para as concelhias decorre entre Março e Abril. Por outro, porque as presidenciais são em Janeiro.
Victor Batista considera que deve evitar-se que o PS entre em actos eleitorais sucessivos e "dividir o partido" em cima das presidenciais. E que não deve antecipar-se os congressos, "quando há matérias mais importantes, como o Orçamento". "Eleições em Junho para as federações é antecipar o calendário eleitoral. Não faz sentido. Haverá presidentes mais interessados nisso" do que nos dossiês nacionais, argumenta. Dasua parte, Vítor Batista, que prevê recandidatar-se, é coordenador do PS na comissão do orçamento.
"As eleições distritais só fazem sentido ou no tempo previsto, em Outubro, ou depois das presidenciais", resumiu, ao JN, alegando, também, que "o normal" nestas circunstâncias "é serem adiadas".
Renato Sampaio, líder do PS/Porto, discorda. Sem comentar o jantar, defendeu a antecipação. "Quando for para a campanha das presidenciais, o PS deve estar com a casa arrumada", justificou o deputado, alegando que os últimos congressos já foram adiados. E, agora, "também não custa nada antecipar por causa das presidenciais".
Para José Luís Carneiro, seu adversário na Distrital, o calendário deve ser respeitado, mas admite que o acto possa ser "atrasado" para "o partido não estar divido". Pelo menos, na corrida interna.

1691





O regresso às aulas

A TAP convocou nove pilotos para um "curso de ética" alegadamente por estes terem mantido no Facebook um diálogo privado em que terão abordado assuntos relacionados com a empresa.

Para o Sindicato dos Pilotos, tal curso, que envolverá custos elevados, visa apenas humilhar e intimidar os referidos pilotos. A medida abre, porém, perspectivas estimulantes e não parece, por isso, uma ideia má de todo. Assim, pode ser que, agora, quando os gestores da TAP se atribuírem chorudos prémios e contemplarem com viaturas topo de gama apesar da situação deficitária da companhia, sejam chamados a frequentar um curso rápido, já não digo de gestão, mas tão só de economia doméstica; que, quando discriminarem funcionárias grávidas, retirando-lhes subsídios, tenham umas aulas de direitos fundamentais; e que, quando discordarem que a Constituição e as leis reconheçam aos funcionários da empresa o direito à liberdade de expressão e quiserem espreitar-lhes as conversas, aprendam a fazê-lo com um mínimo de elevação frequentando (e, pelo que se sabe do caso, já agora também os pilotos) algum curso de boas maneiras.

1689


Causas e consequências

Um saco de gatos

Dividido em grupos e grupinhos, o PSD não é mais do que um saco de gatos onde já ninguém se entende.

Supondo que o tempo, por si só, se encarregaria de produzir um milagre de dimensões incalculáveis, a direcção do PSD decidiu fechar os olhos à situação interna do partido para se dedicar em exclusivo à magna questão do Orçamento do Estado. Os resultados estão à vista. Terminadas as "negociações" com o Governo, durante as quais o PSD se distinguiu pela inconsequência das suas posições, é impossível ter uma ideia, por mais vaga que seja, sobre o conteúdo destas negociações.
Sabe-se que a dra. Ferreira Leite viu finalmente uns "sinais" positivos por parte do Governo e que, fiada nesses misteriosos "sinais", se prepara para viabilizar o documento através da abstenção do seu grupo parlamentar. Mas ignora-se, por completo, a natureza desses "sinais" que levaram o PSD a dar o benefício da dúvida a uma política económica que o mesmo PSD, ainda há duas semanas, considerava que estava a levar o País à ruína. Ao contrário do CDS, que conseguiu marcar a agenda das negociações, o PSD acabou por se revelar um parceiro secundário e titubeante, dividido entre uma hipotética ala dura, adepta do confronto e da ruptura, e um grupinho mais conciliador que acabou por fazer vingar as suas patrióticas opiniões depois da intervenção do Presidente da República.
Enquanto a direcção se entretinha com estas subtilezas de fundo, o partido conseguia superar as piores expectativas, afundando--se numa teia de candidatos a líderes que primam pela insignificância e se distinguem essencialmente porque um – Passos Coelho – já avançou e os outros – Aguiar-Branco e Paulo Rangel – não sabem se querem avançar. No PSD, o debate ideológico, que alguns querem transportar para um Congresso Extraordinário, reduz-se singelamente a esta pequena contabilidade que regista sorumbaticamente os pequenos passos destas pequenas figuras.
Aliás, qualquer ideia, por mais básica que seja, afoga--se de imediato no mar de ódios e de intrigas em que o partido se tem vindo a transformar. Independentemente das proclamações neste sentido dos seus promotores, o Congresso Extraordinário não serve propriamente para "produzir" ideias – que não existem – mas para proporcionar um palco aos presumíveis candidatos que por lá se passeiem num espectáculo que não parece particularmente auspicioso. Com Congresso antes das directas ou directas antes do Congresso, como defende entusiasticamente o aparelho do partido, este é o estado a que o PSD chegou: dividido em grupos, grupinhos e grupelhos, o partido não é mais do que um saco de gatos onde já ninguém se procura entender.



Constança Cunha e Sá, Jornalista