21.9.09

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Crime Público

Portanto, o Governo está a espiar a Presidência da República! Gravíssimo! Que fazer? Há várias alternativas para um presidente espiado. Denunciar o Governo espião e dar-lhe um ralhete exemplar em público (nunca no "Público") utilizando uma comunicação nacional na TV como o fez com irrepreensível dramatismo e inigualável teatralidade com o estatuto dos Açores. Desta vez, teria de incluir a demissão do Parlamento e a convocação de novas eleições. O caso não seria para menos. Um governo a usar serviços secretos do Estado para espiar outro órgão de soberania exige demissões e eleições. Mas não. O presidente da República, o mais alto magistrado da nação, o comandante em Chefe das Forças Armadas, sabe que está a ser espiado. Tem a certeza disso porque, da sua doutrina passada ficou o axioma de que "raramente se engana e nunca tem dúvidas". Estando a ser espiado qual é a actuação realmente presidencial para este caso? Exigir do procurador-geral da República uma investigação imediata? Convocar o Conselho de Estado (já com a respeitabilidade recuperada desde a saída de Dias Loureiro)? Fazer uma comunicação ao Parlamento como é seu privilégio e, neste caso, obrigação? Nada disso! A Presidência de Cavaco Silva, através da sua Casa Civil, decide encomendar (mandar fazer in: Dicionário Porto Editora) uma reportagem a um jornal de um amigo.

Como os jornalistas são por vezes um bocado vagos e de compreensão lenta, a Casa Civil da Presidência da República achou por bem ser específica na encomenda dando um briefing claro a pessoa de confiança no jornal. "Vais falar com fulano e pergunta-lhe por sicrano, vais aqui, vais ali, fazes isto e aquilo e trazes a demasia de volta". O homem ainda tentou cumprir com a incumbência, mas a coisa não tinha pés nem cabeça e parece que lhe disseram isso repetidamente.

Por isso, logo, por causa disso, houve mais um ano e meio de fartar espionagem enquanto no Pátio dos Bichos continuavam todos a ouvir vozes

Cavaco Silva deve ter tido uma birra monumental com a sua Casa Civil e mandou perguntar ao amigo do jornal: "Sócrates está quase a ser reeleito e essa notícia não sai"? Como o que tem de ser tem muita força, a história lá saiu. Mal-amanhada, mas era o que se podia arranjar. Lá se meteu a Madeira no meio porque, como ninguém gosta do Jardim, gera-se logo um capital de boa vontade. Depois, como tinha pouca substância, puseram na mesma página duas colunas ao lado a dizer que, há uns anos, o procurador-geral da República tinha dito que também estava a ser escutado, e a encomenda ficou mais composta. Que interessa que tudo isto seja bizarramente inverosímil? Nos média, o que parece, é. Cavaco Silva julga que está a ser escutado, portanto, está a ser escutado, tanto mais que o seu recente depoimento presidencial é que "não é ingénuo". Com tudo isto, fica-me uma certeza. O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.

Invocar aqui delações, divulgação de fontes ou violação de correspondência é desonesto. Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições?

20.9.09

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Há três clones no Conselho Superior da Magistratura

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É fundamental ler a crónica do Provedor do Leitor do "Público" de hoje:











O caso das escutas de Belém suscita a mais preocupante das perguntas: terá este jornal uma agenda política oculta?

Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes, acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, José Manuel Fernandes admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega, correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma “anormalidade” ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.

A onda de nervosismo, na verdade, acabou por extravasar para o próprio mundo político, depois de o Diário de Notícias ter publicado anteontem ume-mail de um jornalista do PÚBLICO para outro onde se revelava a identidade da presumível fonte de informação que teria dado origem às manchetes de 18 e 19 de Agosto, objecto de análise do provedor. A fuga de informação envolvia correspondência trocada entre membros da equipa do jornal a propósito da crónica do provedor. O provedor, porém, não denuncia fontes de informação confidenciais dos jornalistas – sendo aliás suposto ignorar quem elas são –, e acha muito estranho, inexplicável mesmo, que outros jornalistas o façam. Mas, como quem subscreve estas linhas não é provedor do DN, sim do PÚBLICO, nada mais se adianta aqui sobre a matéria, retomando-se a análise suspensa há oito dias.

Em causa estavam as notícias dando conta de que a Presidência da República estaria a ser alvo de vigilância e escutas por parte do Governo ou do PS. O único dado minimamente objectivo que a fonte de Belém, que transmitiu a informação ao PÚBLICO, adiantara para substanciar acusação tão grave no plano do funcionamento do nosso sistema democrático fora o comportamento “suspeito” de um adjunto do primeiro-ministro que fizera parte da comitiva oficial da visita de Cavaco Silva à Madeira, há ano e meio. As explicações eram grotescas – o adjunto sentara-se onde não devia e falara com jornalistas –, mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO, que não citavam qualquer fonte nessa passagem da notícia (embora tivessem usado o condicional).

A investigação do provedor iniciou-se na sequência de uma participação do próprio adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, queixando-se de não ter sido ouvido para a elaboração da notícia, apesar de Tolentino de Nóbrega ter recolhido cerca de seis meses antes a sua versão dos factos. O provedor apurou que na realidade Tolentino de Nóbrega, por solicitação de um dos autores da notícia, o editor Luciano Alvarez, já compulsara no Funchal, logo após a visita de Cavaco Silva, e enviara para a redacção informações que convergiriam com aquilo que Rui Paulo Figueiredo lhe viria a afirmar um ano depois (e que o correspondente entendeu não ter necessidade de comunicar a Lisboa, convencido de que o assunto morrera). Esses dados, contudo, não haviam sido utilizados na notícia (foi por tê-lo dito na crónica que o provedor recebeu de José Manuel Fernandes o epíteto de mentiroso, não tendo recebido entretanto as explicações que logo lhe pediu). O provedor inquirira José Manuel Fernandes e Luciano Alvarez sobre as razões dessa omissão mas não obtivera resposta.

Quanto ao facto de não se ter contactado o visado para a produção da notícia, como preconiza o Livro de Estilo do PÚBLICO (“qualquer informação desfavorável a uma pessoa ou entidade obriga a que se oiça sempre ‘o outro lado’ em pé de igualdade e com franqueza e lealdade”), respondeu Luciano Alvarez ao provedor: “Ao fim do dia da elaboração da notícia, eu próprio liguei para Presidência do Conselho de Ministros, para tentar uma reacção de Rui Paulo Figueiredo, mas ninguém atendeu. Cometi um erro, pois deveria ter, de facto, ligado para São Bento, pois sabia bem que era aí que Rui Paulo Figueiredo habitualmente trabalhava, já que uma vez lhe tinha telefonado para São Bento para elaboração de outra notícia”.

Numa matéria desta consequência, em que se tornaria crucial ouvir o principal protagonista, o provedor regista a aparente escassa vontade de encontrar Rui Paulo Figueiredo, telefonando-se ao fim do dia (em que presumivelmente já não estaria a trabalhar) e para o local que o jornalista sabia ser errado. A atitude faz lembrar os métodos seguidos num antigo semanário dirigido por um dos actuais líderes políticos (que por ironia tinha por objectivo destruir politicamente Cavaco Silva, então primeiro-ministro), mas não se coaduna com a seriedade e o rigor de que deve revestir-se uma boa investigação jornalística. Se o jornal já possuía a informação há ano e meio, porquê telefonar à figura central pouco antes do envio da edição para a tipografia? É um facto que Rui Paulo Figueiredo, segundo afirmou ao provedor, estava então de férias, mas isso não desculpa a insignificância do esforço feito para o localizar.

Também José Manuel Fernandes reconheceu ao provedor “o erro de tentar encontrar Rui Paulo Figueiredo na Presidência do Conselho de Ministros e não directamente na residência oficial do primeiro-ministro”, acrescentando porém: “Tudo o mais seguiu todas as regras, e só lamentamos que os recados deixados a Rui Paulo Figueiredo não se tenham traduzido numa resposta aos nossos jornalistas, que teria sido noticiada de imediato, antes no envio de uma queixa ao Provedor – a resposta não impediria que se queixasse na mesma, mas impediu-nos de noticiar a sua posição e de lhe fazer mais perguntas”.

O provedor considera porém que nem “tudo o mais seguiu todas as regras”. As notícias do PÚBLICO abalaram os meios políticos nacionais, e o próprio primeiro-ministro as comentou considerando o seu conteúdo “disparates de Verão”. O assunto era pois suficientemente grave para o PÚBLICO, como o jornal que lançou a história, confrontar a sua fonte em Belém com uma alternativa: ou produzia meios de prova mais concretos acerca da suposta vigilância de que a Presidência da República era vítima (que nunca surgiram) ou teria de se concluir que tudo não passava de um golpe de baixa política destinado a pôr São Bento em xeque. Não tendo havido qualquer remodelação entre os assessores do Presidente da República nem um desmentido de Belém, era aliás legítimo deduzir que o próprio Cavaco Silva dava cobertura ao que um dos seus colaboradores dissera ao PÚBLICO. Mais significativo ainda, o PÚBLICO teria indícios de que essa fonte não actuava por iniciativa própria, mas sim a mando do próprio Presidente – e essa era uma hipótese que, pelo menos jornalisticamente, não poderia ser descartada. Afinal de contas, o jornal até podia ter um Watergate debaixo do nariz, mas não no sentido que os seus responsáveis calculavam.

No prosseguimento da cobertura do caso, o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio Presidente da República com as suas responsabilidades políticas na matéria. Tendo o provedor inquirido das razões dessa inacção, respondeu José Manuel Fernandes: “O PÚBLICO tratou de obter um comentário do próprio Presidente, mas isso só foi possível quando este, no dia 28 [de Agosto], compareceu num evento em Querença previamente agendado, ao qual enviámos o nosso correspondente no Algarve. Refira-se que, quando percebemos que não conseguiríamos falar directamente com o Presidente para a sua residência de férias, verificámos a sua agenda para perceber quando ia aparecer em público, tendo notado que a notícia saíra da Casa Civil exactamente antes de um período relativamente longo em que o Presidente não tinha agenda pública”.

Em Querença, Cacaco Silva limitou-se porém a invocar “os problemas do país” e a apelar para “não tentarem desviar as atenções desses problemas”, tendo faltado a pergunta essencial: como pode o Presidente fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento? E, como qualquer jornalista político sabe, havia muitas maneiras de confrontar a Presidência da República com a questão e comunicar ao público a resposta (ou falta dela), não apenas andando atrás do inquilino de Belém.

Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte de Belém), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?

Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra – não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É pois sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos.

Publicada em 20 de Setembro de 2009



19.9.09

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Na matéria candente que aí anda em discussão com o fim de esconder outras misérias, penso ZON:




O engenheiro de domingo podia viver sem «escutar» o Dr. Cavaco?
Podia!

Mas não era a mesma coisa!

O Dr. Cavaco podia viver fazendo as coisas de cara aberta, sem mandar recados aos jornais pelas suas empregadas domésticas?
Podia!

Mas não era a mesma coisa!



.

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Sugira uma legenda:


A48 (141) por Narciso Miranda Matosinhos Sempre.

18.9.09

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Director do Público diz que jornal pode estar sob escuta

Hoje às 09:27

O director do Público considerou que o jornal que dirige está sob escuta, uma vez que o acesso ao e-mail enviado por um editor deste jornal só pode ter sido feito pelos serviços secretos. À TSF, José Manuel Fernandes afirma que toda esta questão parece «confirmar as suspeitas do Presidente da República».

na TSF

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Curto e grosso

Joé Miguel Júdice no «Público» de hoje:

«O PS e o PSD não irão provavelmente fazer qualquer coligação. Isso não desagradaria a um PS inteligente, pois poderia assegurar um governo de legislatura, a vitória (negociada) de Cavaco no início de 2011, o reforço carácter estruturante para o sistema político do PS e a sua indispensabilidade, o aumento da votação futura no CDS, a redução do papel liderante à direita do PSD.»

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Matosinhos: Narciso Miranda janta com socialistas, entrando na sala ao colo de um apoiante



no JN

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FERNANDO LIMA

Assessor de Cavaco Silva encomendou caso de escutas

Hoje

Documentos provam que foi o principal assessor de Cavaco Silva, Fernando Lima, quem deu indicações ao editor do jornal Público, Luciano Alvarez sobre as suspeitas de o Presidente estar a ser vigiado pelo Governo. Leia a história e os documentos que a sustentam hoje no DN

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Três dos seis monovolumes que acompanham a caravana ‘Avançar Portugal’ foram apreendidos no Barreiro

Campanha: Coima de 1110 euros anulada em dez horas

Governo perdoa multas a PS

Foram precisas apenas dez horas para ‘apagar’ as infracções que, anteontem, conduziram à apreensão de três carrinhas do PS, no Barreiro, e à passagem de uma multa de 1110 euros ao partido. Por ordem da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) – entidade que depende do Governo –, que alegou "a defesa do exercício de liberdades", a GNR devolveu as viaturas retidas, e perdoou a coima.


no CM

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Aeroporto

PS recusa autonomia do Sá Carneiro

O cabeça-de-lista do PS pelo círculo do Porto recusou uma gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, e sublinhou o compromisso do seu partido de manter a empresa Aeroportos e Navegação Aérea sob gestão pública. Alberto Martins falava num debate promovido pela Associação Comercial do Porto, no Palácio da Bolsa, em que participaram também os cabeças-de-lista de BE, CDU, PSD e CDS pelo círculo do Porto. 'O nosso compromisso é claro: há uma recusa da gestão independente dos aeroportos', disse Alberto Martins.


17.9.09

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Ele há quem diga e escreva coisas espantosas:



No concelho de Matosinhos só os ignorantes

ou portadores de alguma deficiência

é que poderão dizer mal de Narciso Miranda

enquanto foi presidente da câmara municipal.






(Além do mais é muito inclusivo)


Pode dizer-se mal do comedor antes ou depois de ter sido presidente da câmra, sem correr o risco de passar a sofrer de deficiência.

Ou ainda:


Existem pessoas que por muito que tentem nunca passarão de mediocres,

tal é a sua constituição genética



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no JN

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sondagens para todos os gostos





Última sondagem dá vitória a Narciso Miranda

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na SABADO

Votos a 25 euros no PSD

Por:Vítor Matos

16 SETEMBRO 2009

O voto num determinado candidato pode custar 25 ou 30 euros. O PSD tem sido marcado por tantas disputas internas nos últimos anos, para a direcção nacional e para a distrital de Lisboa, que para melhorar o resultado eleitoral houve quem comprasse votos a militantes angariados em bairros sociais, denunciam militantes e ex-militantes do partido que aceitaram dar a cara fazendo depoimentos em vídeo para a SÁBADO. Entre outros, estas fontes (cujos testemunhos em vídeo pode ver no final do artigo) acusam os deputados António Preto e Helena Lopes da Costa de serem coniventes, dando cobertura a estas práticas, quando tiveram poder ou influência na distrital de Lisboa. Várias fontes da SÁBADO, que trabalharam de perto com António Preto ou Helena Lopes da Costa, confirmaram estas histórias. Refira-se que ambos entraram nas listas do PSD na quota da líder, Manuela Ferreira Leite, debaixo de uma chuva de críticas por estarem acusados em processos judiciais.
Em termos estatísticos, comprova-se que as principais secções do PSD na distrital de Lisboa duplicaram de militantes com quotas pagas entre 2002 e 2008, sendo que a secção “E” até sextuplicou os filiados. Muitas quotas são pagas indiscriminadamente por alguém que não os militantes. Uma das estratégias de angariação de inscritos no PSD passa pela contratação de avençados em juntas de freguesia que, para manterem os empregos, têm de garantir a manutenção do poder ao presidente da sua secção angariando militantes que votarão em quem lhes indicarem.
Manuela Ferreira Leite não respondeu às questões enviadas pela SÁBADO.

Testemunhos: - Ana Paula Silva, ex-militante do PSD
- Irene Lopes, militante do PSD
- José Moreira, ex-militante do PSD
- Felismino Vaz, militante do PSD
- Marcelino Figueiredo, ex-militante do PSD
Reacções
- Helena Lopes da Costa, candidata do PSD por Lisboa
- António Preto, candidato do PSD por Lisboa
- Rui Marques, presidente da secção H do PSD de Lisboa
- Ismael Ferreira, presidente da secção oriental do PSD de Lisboa

16.9.09

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Gostava de ter escrito isto:


Zé Neves no 5DIAS



De como o espírito positivo dá cabo do ímpeto reformista – argumentos para não se votar nem no Partido da Laurinda Alves nem no Partido do José Sócrates

Diz-se que é preciso sermos mais positivos e que não basta sermos críticos para que a realidade seja transformada. Traduzindo em votos, isto significaria que, ao registo crítico de Louçã e Jerónimo, deveríamos preferir o espírito positivo de Sócrates e de uma modernidade que brilha e rebrilha contra a imagem mais baça de uma Ferreira Leite tida como impávida, inerte, imóvel, imbecil.

De acordo com esta conversa do espírito positivo, enquanto Louçã e Jerónimo se limitariam a pregar o quanto pior melhor, de modo a anteciparem o dia da revolução, Sócrates procuraria passo a passo, grão a grão, ir melhorando o actual estado de coisas, gerindo o possível – e isto seria uma esquerda moderna e democrática.

O problema em tudo isto está naquilo que se entende por possível.

É que a política não é a simples gestão do possível mas sim uma luta pelo que é e deixa de ser possível e pelo que se entende como possível, impossível, necessário, inevitável. Isto mesmo deveria ficar à vista de toda e qualquer esquerda, mais não fosse por obra e graça da actual crise, que interrompe o que era inevitável e introduz o aleatório na ordem do previsível.

Quem diria, há um ano atrás, que um dos pontos fundamentais da actual campanha seriam as nacionalizações ou o reforço dos serviços públicos?

Para mim é claro que a escolha a fazer nas próximas eleições não é entre a reforma de uns e a revolução de outros.

Quando Sócrates afirma que Louçã é radical e que Jerónimo é utópico, a sua afirmação diz tanto acerca do revolucionarismo de BE e PCP como diz acerca dos limites do ímpeto reformista do PS.

A escolha a fazer nas próximas eleições é sim entre uma esquerda que propõe reformas que Sócrates considera serem revolucionárias – e não digo que não o sejam, limito-me a não me opor a reformas revolucionárias – e aquilo que o próprio Sócrates considera ser do domínio do possível.

A questão é sabermos se o possível do PS de Sócrates chega e basta e se o PS pode ser abandonado a si próprio, como foi ao longo destes últimos quatro anos de maioria absoluta.

Deixo dois exemplos de matérias onde o PS tem reclamado créditos reformistas.

Primeiro exemplo, a questão do aborto. É verdade que foi graças ao PS, ao PCP e ao BE, e a muitos outros e outras que estão fora do quadro partidário, que a despenalização da IVG finalmente ocorreu – mas importa não esquecer que foi graças ao PS que ela não sucedeu anteriormente.

Outro exemplo: será graças ao PS (pelo menos à maioria dos seus deputados), ao PCP e ao BE que o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo poderá vir a ser reconhecido, mas é graças ao PS que ele ainda não o é. Dou estes exemplos mas não pretendo provar, através deles, que o PS de hoje tenha menos mérito nestas conquistas do que têm PCP e BE. Em política, as vitórias morais contam e devem ser distribuídas por tudo e todos que delas se reclamem.

Dou os exemplos para mostrar, isso sim, que no momento em que for votar convém ter em conta que o reformismo do PS de hoje tende a ser aquilo que o PS de ontem classificara como radicalismo de PCP e BE.

O reformismo do PS será tanto maior quanto maior for a força eleitoral de PCP e BE – como mostraram as europeias, não há melhor forma de levar o PS a tentar uma viragem à esquerda (por mais tímida que seja) do que fortalecer PCP e BE. É evidente que as reformas por que o PS hoje reclama alguns créditos à esquerda seriam impossíveis sem a força de PCP e BE.

A elasticidade – digamos assim – dos posicionamentos políticos do PS não deve levar a que os seus dirigentes sejam objecto de um juízo de carácter, como é frequente suceder à esquerda; a elasticidade assiste à generalidade dos agrupamentos político-partidários e é o fruto das andanças de uma coisa simples a que se pode chamar correlação de forças eleitorais, de tal modo que PCP e BE – também eles – fazem hoje propostas que ontem não faziam ou que não faziam de forma tão explícita.

Não se trata, em nenhum destes casos, PS, BE ou PCP, de uma questão de maior ou menor firmeza, mas sim de percebermos que as posições políticas não sucedem fora da história.

Mas, atenção, é também aqui que chega o ponto mais importante: o PS farta-se de dizer que BE e PCP devem viver com os pés assentes na terra e que devem fazer propostas políticas condizentes com os tempos que correm. Este lugar comum dos apoiantes de Sócrates arrisca-se, no entanto, a repetir simplesmente críticas de natureza conservadora dirigidas contra todo e qualquer projecto político de transformação, seja este de natureza reformista ou revolucionária.

Dizer que a política não sucede fora da história não nos deve obrigar a ser fiéis ao conservadorismo subjacente ao papão anti-comunista segundo o qual toda a proposta política de mudança é um gesto de natureza ditatorial e de engenharia social, papão que nesta campanha tem sido alimentado de forma tão perniciosa quer pelo PS quer pela direita.

Dizer que a política sucede na história pode ser um acto anti-conservador, na medida em que signifique dizer que a história e a política são terreno de conflito e não de ordem, sendo justamente a hostilidade do PS ao conflito que faz com que a sua crítica a PCP e BE se limite ao conservadorismo mais rude.

Pelo contrário, a maior firmeza político-ideológica de PCP e BE não deriva da força de carácter absoluta dos seus dirigentes, mas do lugar relativo em que se situam ante a realidade – e este lugar é o lugar de quem toma partido num conflito, de quem não é equidistante no conflito entre patrão e trabalhador, de quem não é equidistante no conflito entre fortes e fracos.

É verdade que PCP e BE se têm mantido mais firmes do que o PS na defesa de algumas posições e que o fizeram mesmo quando o ar dos tempos não lhes era muito favorável – a crítica do neoliberalismo, hoje na boca do PS, é a crítica que o PS de ontem classificava como sinal de radicalismo e totalitarismo económicos de uma esquerda que considerava ultrapassada e simplesmente estalinista; mas PCP e BE mantiveram-se fiéis a esta crítica porque, a partir do ponto de vista dos protagonistas das lutas sociais dos últimos anos, o neoliberalismo foi uma realidade que interessava destruir e nunca uma realidade que se poderia simplesmente aceitar como inevitabilidade histórica. O ponto de vista de PCP e BE não é apenas o ponto de vista científico que objectiva a sociedade em prol de políticas consensuais que visam a harmonia social, mas é também o ponto de vista crítico que avança políticas alternativas que têm os pés assentes na mesma terra em que se encontram sujeitos que lutam contra outros sujeitos.

Chamem a isto o populismo de quem toma partido pelos pobres, o apelo a que os fracos intensifiquem a luta de classes, a persistência de uma cultura de protesto ou a importância de um sindicalismo vivo e actuante para o futuro desenvolvimento económico do país – em qualquer dos casos, estamos a falar da importância da crítica e da recusa da equidistância.

Por isso, o que nos parecer ser a menor firmeza do PS – digo-o e repito-o porque estou ciente que palavras como acanhamento, coerência ou firmeza traem ao que venho – deve ser lido, isso sim, como sinal de um partido que não tem uma relação problemática com a realidade, porque é um partido obcecado com o projecto de representar o todo – a unidade nacional, o interesse geral, a sociedade – e que por isso se recusa a tomar partido.

Só quem toma partido é que faz um uso da crítica que a torna capaz de problematizar a realidade e é através das perguntas para as quais nem sempre se tem resposta que alguma vez se poderá chegar a uma resposta diferente das que existem já hoje oficializadas por comentadores, analistas, cientistas políticos e outros que tais.

Não há vontade de transformação – reformista ou revolucionária – sem uma relação problemática com a realidade. A constante excitação do PS com tudo o que é “pensamento positivo”, “diálogo”, “consenso”, “negociação”, “avançar”, “concertação”, “construir”, assim como a correspondente desvalorização pelo PS de tudo o que soe a “resistência”, “luta”, “conflito”, “crítica”, “protesto”, limita os horizontes políticos do PS ao reino pequeno e tacanho do óbvio.

Porque desvaloriza o que é negativo, o PS só toma como realista aquilo que é evidente e o evidente é o que continua e é incontornável e não o que é transformável e reformável; o evidente é a persistência do que tem acontecido, o simples peso da tradição e do que se herda.

Uma relação assim tão leviana e pacífica com a realidade impede a apreensão e adesão a qualquer sentido de mudança da realidade.

Como diz um futuro deputado do PS, que provavelmente nem reparou no significado do que estava a dizer, quem governa não pode denunciar. Ou seja, é deixar andar, é deixar-se andar.

O PS desvaloriza a utopia e a resistência e limita-se ao que se vê, nunca percebendo que há sempre mais do que uma forma de ver a realidade e que o que é impossível para uns chega a ser necessário para outros. Para muitos apoiantes de Sócrates é impossível acabar com a exploração laboral, para outras pessoas isso é simplesmente necessário.

A realidade não é um dado mas é um problema – para o bem e para o mal – e só uma esquerda que tenha problemas com a realidade é que merece o nosso voto. Se é para cultivar a paz social e a harmonia entre os seres humanos, rejeitar o conflito social e fazer apelos à unidade nacional e ao avanço de Portugal e acabarmos todos a regar as florzinhas do jardim e dar milho aos pombos no reino do contentamento, então mais vale votar no partido da Laurinda Alves do que no partido de José Sócrates.

O meu problema com o PS não reside no facto deste pretender ser, por natureza, um partido reformista; mas sim no facto do seu reformismo ser a tal ponto acanhado que conviria antes perguntar se é justificado falarmos de natureza reformista.


(permiti-me subdividir os parágrafos do texto)

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Se as razões do Domingos «sócio» são estas, não percebo porquê, e sobretudo não percebo porquê agora.

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A outra Ferreira Leite


Ao contrário de Sócrates no dia anterior, Manuela Ferreira Leite aceitou o jogo das entrevistas dos “Gatos Fedorentos” e resistiu à tentação de transformar aquilo em mais um debate ou comício. Enquanto Sócrates jogou sempre à defesa, procurando furtar-se às ironias do entrevistador levando as questões para o discurso redondo que trazia preparado e repetindo a monocórdica cassete, mil vezes ouvida nesta campanha, das razões da governação dos últimos quatro anos, Manuela Ferreira Leite foi espontânea, inteligente e… divertida, conseguindo quase sempre ter mais e mais sibilina graça do que o próprio Ricardo Araújo Pereira. Uma verdadeira revelação para quem esperava encontrar a dama de ferro sisuda e indisposta, até “salazarenta”, que dela fazem os adversários. Para a coisa ter sido perfeita só faltou o sal da auto-ironia. “Le humour est la chose la plus sérieuse du monde” (acho que é Jankélévitch quem o diz), e um político com humor diferente do sarcasmo ou da piada grossa, uma raridade. O problema de Manuela Ferreira Leite, para eleitores cépticos (e com memória), é quando decide falar a sério.

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ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2009

Sócrates admite alianças à esquerda

por Ana Sá Lopes, Publicado em 16 de Setembro de 2009