
(remodelado)


A justificação é que o eleitorado do PCP não usa cheques nem cartões multibanco, e deve poder ir buscar ao colchão 1 257 660 euros em notas para entregar no Centro de Trabalho mais próximo. Guerra Junqueiro falava, há mais de cem anos, de partidos "análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais (…) como metades do mesmo zero, não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão (…) de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar". Afinal, cabem. E é fácil imaginá-los a repetir uma das "Ladaínhas modernas" do mesmo Junqueiro correcta e aumentada: "S. Venha-a-Nós, satisfazei-nos este desejo, /S. Venha-a-Nós, este desejo timorato: / S. Venha-a-Nós, fazei do país um queijo, / S. Venha-a-Nós, e fazei de nós um rato".



A Câmara de Matosinhos prepara-se para ceder, gratuitamente, uma propriedade municipal de 26 mil metros quadrados à empresa que produz os computadores Magalhães. A JP Sá Couto, instalada em Perafita, quer expandir a fábrica.
A decisão é tomada hoje à tarde na reunião do Executivo. O acordo - a estabelecer ao abrigo das medidas pró activas anti-crise aprovadas pela Autarquia em Março deste ano e que contempla a possibilidade de cedência de terrenos municipais para a instalação de empresas - visa apoiar a sociedade na construção de uma nova unidade industrial para a produção de computadores, de boards e outros produtos informáticos. O objectivo é aumentar a capacidade de fabrico dos computadores Magalhães.
Na minuta do protocolo, a que o JN teve acesso, assinala-se que as novas linhas de produção permitirão fabricar cerca de 250 mil portáteis por mês. O investimento da JP Sá Couto na expansão totalizará 11 milhões de euros e permitirá criar 320 "postos de trabalho efectivos". A empresa possui instalações na Rua da Guarda, na freguesia de Perafita. "Graças ao sucesso do portátil Magalhães, aliado à inexistência de produtores de boards na União Europeia, a empresa vê-se obrigada a ampliar a sua capacidade produtiva", pode ler-se na proposta, que deverá ser aprovada. O PS detém a maioria no Executivo.
A par do "sucesso" e da "notoriedade" dos portáteis com contratos de exportação para países africanos e da América Central e do Sul, a Autarquia destaca o aumento de volume de negócios da sociedade que, de 2006 para 2007, passou de 65 para 96 milhões de euros. A proposta dá conta, ainda, dos números da política de captação de investimento. Desde 2005 estão 1,31 mil milhões de euros garantidos ou em fase de contratualização. "Tal reflectiu-se, até ao momento, na criação de 6360 postos de trabalho, perspectivando-se, até 2010, a criação de mais 4630 postos", especifica-se.
Os terrenos municipais em Perafita serão cedidos, em direito de superfície e "a título gratuito", por 25 anos. Findo esse prazo, a empresa poderá adquiri-los.
O protocolo contém uma cláusula de reversão. Caso não sejam cumpridos os prazos para o início de actividade (que não são referidos no documento), haja uma cessação da laboração por mais de um ano ou verifique-se a existência de uma "desconformidade do empreendimento com os projectos e os regulamentos" legais, os terrenos voltarão à posse do Município, sem que a sociedade tenha direito a indemnização.
Na sessão de hoje, será discutida, igualmente, a entrega de outro terreno camarário para a construção de um centro de formação profissional do Instituto de Emprego. O edifício, cuja área bruta será superior a 17 mil metros quadrados, destinar-se-á a acolher iniciativas de qualificação dos recursos humanos. Desde Outubro do ano passado que o desemprego sobe em Matosinhos. O centro de emprego do concelho contava, em Março deste ano, com 7942 desempregados inscritos, sendo que 3,6% procuram o primeiro emprego e 38,2% estão inscritos há mais de um ano. 70% dos desempregados têm mais de 35 anos.
"Há um desajustamento entre a oferta de emprego e as características dos desempregados, traduzindo-se num índice de satisfação da oferta de empregos de apenas 43%", lê-se na proposta de cedência da propriedade municipal ao Instituto de Emprego. 69,4% dos inscritos possuem como escolaridade máxima o terceiro ciclo do Ensino Básico.
Notas:
1 - Ainda ninguém conhece o «contrato» que levou á adjudicação da fabricação do Magalhães à J. P. Sá Couto.
2 - Não sabemos ainda quem financia a elaboração e comercialização dos ditos.
3 - A «venda» dos Magalhães para África e para a Venezuela tem sido um êxito? Quais são os «números»?
4 - Ao fim de 25 anos a J. P. Sá Couto pode comprar o terreno:
Por quanto? Em que condições? Tem direito a qualquer indemnização pelas obras que lá tenha construído? Pode ceder o direito que agora lhe é conferido a outrém? Em que condições?
5 - Se a «crise» acabar antes dos 25 anos - como é possível - isso não terá nenhuma influência neste negócio?
6 - Justifica-se que uma Câmara disponha gratuitamente de património imobiliário próprio a favor de uma empresa privada?
7 - Qualquer outra empresa - que não seja "bandeira" do regime - pode aspirar a igual benesse?





A esmagadora maioria dos leceiros estão contra o projecto da Câmara de Matosinhos para a Avenida do Dr. Antunes Guimarães, junto ao Porto de Leixões, em Leça da Palmeira.
Dos 1606 munícipes que responderam ao questionário, enviado pela Junta de Leça da Palmeira, 97,6% afirmou não concordar com o projecto. Perante as respostas expressivas, o socialista Pedro Tabuada, presidente da Junta, não tem dúvidas: "O presidente da Câmara não tem outra opção política se não repensar este projecto", afirmou ao JN.
O projecto da Autarquia em parceria com a Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL), assinado pelo arquitecto Orlando Soares Gaspar, foi apresentado publicamente em Junho de 2008. No período de discussão pública não recebeu qualquer reclamação. Já as respostas ao inquérito enviado a 8500 leceiros "superou as expectativas".
O projecto para a avenida prevê, entre outros, a redução de quatro para duas faixas de rodagem, ficando as outras duas para uma via colectora e estacionamento. A redução das faixas de rodagem recebeu 97,3% de votos contra. A falta de local para paragem de transportes públicos, complicando o trânsito, é contestada por 98% dos inquiridos e o facto do projecto não reservar um canal para uma futura linha de metro acolheu 91,2% de respostas negativas.
A diminuição dos locais para inversão de marcha não agrada a 80,3% dos leceiros e a ideia de criar um passeio largo para peões, ciclistas e cavalos (aproveitando a ligação ao Centro Hípico do Porto) não convence 95,4% dos inquiridos. Os resultados vão ser entregues na Câmara e na APDL.
O "timing" da consulta popular promovida pela Junta foi criticada pelo PSD de Leça da Palmeira e pelo próprio PS.
No JN

Petição Em Defesa da Reserva Agricola Nacional

Despesas do município com pessoal aumentaram 5 milhões
INÊS SCHRECK
As despesas com pessoal na Câmara de Matosinhos aumentaram cinco milhões de euros em três anos. O Executivo aprovou as contas de 2008 com os votos a favor do PS e contra do PSD/PP e CDU. A dívida total subiu de 55 para 57 milhões.
Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos, justifica o crescimento das despesas com pessoal (mais 22%) com a absorção de funcionários dos ex-serviços municipalizados e com a contratação de profissionais para responder ao desafio da "Escola a Tempo Inteiro".
Numa conferência de Imprensa antes da reunião do Executivo que aprovou as contas de 2008, o autarca tentou antecipar as críticas ao documento e disparou em várias frentes. "As despesas com pessoal é o argumento a que se vão agarrar as ignorâncias", previu Guilherme Pinto.
Dos 102 milhões de euros executados (despesa total), 30% referem-se a investimentos, 35% a despesas de funcionamento e 35% a despesas em actividades, analisou o presidente da Câmara. "É uma repartição muito confortável", referiu. O total da receita também aumentou, apesar da quebra acentuada nos impostos indirectos (-52%). Valeram os 8,5 milhões de euros em transferências de capital (fundos comunitários e nacionais), mais 4,8 milhões do que em 2007, mas menos 6 milhões do que em 2006.
Minutos depois de disparar a primeira crítica, Guilherme Pinto voltou a atacar, desta vez, os críticos dos recentes empréstimos à banca. "Mostram ignorância e até má-fé", lamentou. No final, ainda sobre os empréstimos (num total de 32,3 milhões de euros) e sobre as críticas à cedência de terrenos à Administração Central, lamentou que quem diz mal agora se tenha esquecido do que fez no passado. E concluiu, sem chegar a pronunciar o nome do seu antecessor, que "há políticos com alzheimer".
Números são números, mas as interpretações variam consoante a cor política. Enquanto Guilherme Pinto se orgulhou de apresentar, "pelo terceiro ano consecutivo, a maior taxa de execução de sempre", situada nos 82%, Nélson Cardoso, vereador do PSD, diz que neste mandato "não aconteceu nada em Matosinhos" e que a "capacidade de execução da autarquia está a diminuir".
Honório Novo, vereador da CDU, olha para a execução das Grandes Opções do Plano e vê "um investimento directo baixíssimo, inferior a 2007". Pior, realça o comunista, "a Educação, a grande bandeira desta maioria, teve uma execução de 63%, abaixo da média, que se situa nos 65%". Honório Novo não aceita que o discurso da crise - a táctica de Sócrates - sirva para encobrir "metiras". "As receitas correntes comportaram-se de forma aceitável e são a melhor forma de mostrar que os argumentos de Guilherme Pinto para justificar um empréstimo não são verdadeiros", referiu.
Para o PSD, o relatório - o último do mandato - mostra que Matosinhos paralisou. "Continuam a verificar-se as mesmas carências" e a "baixa taxa de execução evidencia as guerras políticas do PS em Matosinhos", diz Nélson Cardoso. Ainda assim, acrescentou, "só o aumento desenfreado" da dívida justifica o voto contra.
no JN
