15.5.10

2014


ARIOPLANO

2013

Os mais repugnantes dos ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio em perigo.





ler no DN

2102


Salários isentos de IRS pagam nova taxa de 1%

LUCÍLIA TIAGO
A sobretaxa do IRS, que começa a ser aplicada em Julho, pode abranger rendimentos de trabalho que até agora estão isentos de fazer retenção na fonte. E deverá também "apanhar" os subsídios de férias pagos a partir daquela data.

2101


Não deixa de ser curioso que, neste ano em que se comemora o centenário da República Portuguesa, se assista à submissão do Governo a um ultimato porventura mais severo e humilhante, a longo prazo, do que aquele que levou à queda da Monarquia.
Desta vez, Portugal não abdicou das suas ambições territoriais sobre o mapa cor-de-rosa, mas teve de abdicar da sua soberania económica e de abandonar a política cor-de-rosa de José Sócrates.

14.5.10

2100

2099

MANUEL ALEGRE, A CANDIDATURA E A QUESTÃO DA DESERÇÃO (da guerra colonial)

A falsa imputação lançada pela direita contra Manuel Alegre de ter desertado (noutra versão de ter «traido a pátria) está a suscitar um interessante debate no VIAS DE FACTO que já ultrapassou o candidato e a candidatura, mas que merece atenção:

Textos de
RUI BEBIANO
JOÃO TUNES . O candidato perante a lama e a exigência dos puros 1 e 2
MIGUEL SERRAS PEREIRA
JOANA LOPES
JOÃO TUNES
RUI BEBIANO

2098


AUMENTO DE IMPOSTOS

Corte no défice custa três vezes mais às famílias que às empresas


....
Segundo o mapa preliminar que esteve na mesa das negociações entre o executivo e o maior partido da oposição (ver tabela ao lado), as famílias devem entrar com 400 milhões de euros no segundo semestre deste ano em sede de IRS, valor que compara com os 150 milhões de euros adicionais em sede de IRC que seriam cobrados às empresas que apresentassem lucros acima de um milhão de euros. Este último valor será, afinal, bem menor pois o plano de corte do défice definitivo, ontem apresentado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, só vai penalizar as empresas que lucrarem mais de dois milhões de euros ao ano.
...

2097


FERNANDA CÂNCIO

...
Como cidadã portuguesa e eleitora deste Governo, gostava de ver estas minhas perguntas respondidas. Como gostava de perceber por que motivo, num País em que a fuga aos impostos é estimada em 20% do PIB - pelo menos o dobro da regra nas economias avançadas --, se assiste a tão poucos progressos e tão poucos anúncios de esforços tendentes a direccionar a máquina fiscal no sentido de recuperar aquilo que anualmente anda, nas previsões mais conservadoras, nos 10 mil milhões por ano, uma maquia que corresponde a cerca de dois terços do défice - ou seja, do problema.
...

13.5.10

2096

Já se percebe melhor porque o engenheiro de domingo nos quer aumentar os impostos.
A crise também chega aos amigos e camaradas (dele):

Lucros da Mota-Engil crescem menos que o esperado
A Mota-Engil anunciou esta manhã que os resultados líquidos do primeiro trimestre aumentaram 25,8% para 3,03 milhões de euros, abaixo do crescimento de 79% estimado pelos analistas.



JORNAL DE NEGÓCIOS*+


Até porque os nossos impostos servem para pagar os prejuizos, se os houver, dos amigos e camaradas que constroem o TGV:



Base XCV
IRC

1 — Quando ocorra variação da taxa global de tributação directa sobre o lucro das sociedades que, conjunta ou isoladamente, tenha por efeito a variação da TIR Accionista em mais de 0,0100 pontos percentuais face ao que se encontra previsto no Caso Base, a Concessionária pagará ou receberá do Concedente, consoante o caso, os valores que, simulados no Caso Base, reponham, ano a ano, o valor do Cash Flow Accionista caso tal variação não tivesse ocorrido.

Decreto Lei 33-A/2010 que aprovou as bases da concessão do troço Poceirão-Caia

.

2095

Afinal havia impostos


Banda desenhada na VISÃO

2094



Câmara de Matosinhos construiu campo inútil por falta de largura

Por Aníbal Rodrigues
Vice-presidente da Câmara de Matosinhos diz que a autarquia vai ter de decidir se investe no alargamento ou se opta por instalar ali outro tipo de equipamento

A Câmara de Matosinhos construiu um campo de futebol de sete no Bairro dos Pescadores, há cerca de dez anos, dotado de balneários e iluminação, mas, apesar de relativamente recente, o espaço não é utilizado para a prática desportiva e a relva já tomou conta do piso. Mas nem tudo se perdeu, já que o Rancho Folclórico dos Pescadores de Matosinhos utiliza parte da infra-estrutura como sede. Nuno Oliveira, vice-presidente da Câmara de Matosinhos, explica que se "falhou nas dimensões" do campo de futebol. "Ele tem o comprimento oficial, mas faltam-lhe quatro metros em largura", resume. Resultado: o campo nunca foi utilizado nos jogos oficiais das camadas de formação e nem sequer ao nível dos treinos.


Face a esta falta de uso, Nuno Oliveira afirma que a autarquia "vai ter de tomar uma decisão nos próximos meses". Uma das soluções passará por desbastar um talude e construir um muro de sustentação com cerca de dez metros, o que permitiria alargar o campo de futebol os referidos quatro metros. Uma obra que poderá custar "centenas de milhares de euros", nos cálculos do autarca.


Porém, se a Câmara de Matosinhos concluir que se trata de "um investimento desproporcionado", Nuno Oliveira adianta que terá de "ser dado um uso diferente" àquele espaço. Tratando-se de uma zona definida como equipamento no Plano Director Municipal de Matosinhos, o vice-presidente da autarquia aponta - como alternativa possível - a construção de uma "residência assistida para idosos". 


Já José Manuel Santos, presidente do Rancho Folclórico dos Pescadores de Matosinhos, cuja sede funciona junto aos balneários do campo de futebol, apresenta uma visão diferente do problema. Lamenta que o campo nunca tenha recebido um piso sintético, como chegou a ser avanaçado pela autarquia, e acrescenta que, nas condições actuais, não seria curial deixar as crianças jogar ali futebol, uma vez que, "com os buracos, até podiam partir ali uma perna".


Por seu turno, Narciso Miranda, que era presidente da Câmara de Matosinhos quando se construiu o campo, explica o objectivo daquela infra-estrutura. "Aquilo era o que chamei Oficinas do Desporto. Aquilo não é para ser utilizado oficialmente, é para as pessoas irem para lá jogar, brincar, e alguns dos nossos craques nasceram nas ruas." Actual vereador da oposição na autarquia, Narciso Miranda critica "a política desportiva da câmara dos últimos quatro anos, que prometeu mundos e fundos - aquilo eram estádios e campos de futebol em todo o lado! - e não fizeram nada nem vão fazer".

2093


Camilo Lourenço
Quando os governos não têm juízo


O país vai apertar o cinto a níveis sem precedentes nos últimos 27 anos, o que se traduzirá na quebra do rendimento disponível, cortesia da violenta subida dos impostos (IVA a 22% e pelo menos 20% de IRS sobre o 13º mês). Fora a redução dos benefícios fiscais...

Para o cidadão comum, o que não consegue fugir aos impostos e o principal prejudicado pelo aumento vertiginoso da carga fiscal nas últimas três décadas, este aperto é uma grande injustiça. Só que não há outra solução: como o Estado vai gastando cada vez mais (nenhum Governo baixou a despesa corrente), precisa também de mais receita para cobrir a despesa. 

E eis-nos chegados ao desastre actual. Depois de meses a brincar à consolidação orçamental, o Governo ficou entre a espada (Comissão) e a parede (FMI): ou baixa o défice ou a União larga-nos nas mãos dos mercados. E com taxas de juro das OT a 10 anos a 6,2% e BT a 3% ninguém resiste muito tempo…

Acresce que como o país não vai "tolerar" o confisco do 13º mês (ou parte dele) para sempre, o Governo tem um gravíssimo problema: como reduzir o défice para 5,1% em 2011 se até lá não vai conseguir por a despesa (corrente) na ordem? Para complicar tudo, Portugal tem ainda um monumental problema de competitividade, expresso em défices externos à volta de 9% do PIB de há seis anos a esta parte (que se manterão pelo menos até 2013). 

São estes receios que mantêm os mercados e agências de rating em alerta. Como dizia ontem o analista Marco Annunziata, ao NYT, "Quando não se é competitivo não se consegue ter crescimento económico". Voilá.

2092





O argumento da "maioria"

As maiorias são aritmética, não argumento válido para tudo. Mas foi com base na verdade feita de que a maioria dos portugueses é católica que o Governo, interpretando o "sentir" do "povo português", decretou vários dias de tolerância de ponto para que o povo funcionário público fosse ver o Papa. Publicaram-se até estatísticas de baptismos tentando provar que 90% dos portugueses são "católicos". Mesmo eu, que fui baptizado mas não tenho religião (e, entre baptizados ateus ou agnósticos e baptizados que entretanto seguiram outras religiões, não hei-de ser caso único) entro nessas estatísticas como "católico". Para justificar o facto, reconhecido pela própria Igreja, de que menos de 20% dos portugueses vão à missa, as estatísticas e a Igreja criaram o enigmático conceito de "católico não praticante", como se pudesse professar-se uma religião não a praticando. E o Benfica? Não é também verdade feita que os benfiquistas, praticantes e não praticantes, são para aí uns 6 milhões? Porque não houve também tolerância de ponto para o tal "povo português" poder festejar a vitória do Benfica no campeonato?

12.5.10

2091

Para além disso, a chamada «deserção política», aquela da qual Alegre tem sido acusado e da qual se serve periodicamente a direita para tecer insinuações de «cobardia», representou para muitos milhares de jovens um acto de bravura, uma vez que os condenou ao duro exílio, à prisão, ou, por vezes, à clandestinidade. Em qualquer dos casos a uma existência muito difícil, que sabiam ser inevitável em função do seu gesto arriscado e definitivo. Desertar era resistir, tal como, de forma diferenciada mas constante, defendia publicamente a larga maioria da oposição ao Estado Novo, da qual Alegre fez parte e foi importante símbolo. Declarações desta natureza, no mínimo ambíguas, deixam no ar uma desconsideração da coragem de desertar da Guerra Colonial que pode trazer uns quantos votos mas é pouco digna de um resistente. São inaceitáveis e ofensivas para muitos portugueses vivos ou mortos. E nada têm a ver com o respeito devido à larga maioria daqueles que fizeram a difícil guerra por escolha ou incapacidade para a recusarem.






2090





Tempo de milagres

Antecedendo a visita do Papa, Portugal tem sido contemplado com uma verdadeira cornucópia de milagres, da desabituada vitória do Benfica no campeonato ao arquivamento (sem julgamento) do processo em que um ex-presidente da Câmara de Lisboa e mais responsáveis camarários eram acusados de ter lesado a autarquia em benefício da notória Bragaparques, propriedade do não menos notório Domingos Névoa, também ele, por sua vez, milagrado pela Relação de Lisboa com a absolvição do crime de tentativa de corrupção de um vereador, apesar de ter sido dada como provada toda a matéria de facto que levara à sua condenação em primeira instância. Nada, porém, que se compare ao milagroso sobressalto de consciência que levou 10 ex-ministros das Finanças em peregrinação, de baraço ao pescoço, junto de outro ex-ministro das Finanças, para lhe mostrarem a sua "profunda preocupação" com a "situação do país". Ao todo, os 10+1 ex-ministros foram responsáveis pela "situação do país" durante 28 dos 36 anos de Democracia. Se foi, e acredito que sim, a visita do Papa que os inspirou ao arrependimento, abençoado seja o Papa.

2089



Portugal apresenta pior nível salarial dentro da Zona Euro


Portugal tem o pior nível salarial no conjunto dos países da OCDE que integram a Zona Euro. São 1388€ de remuneração bruta mensal. A carga fiscal representa 37,2% dos custos totais suportados pelo empregador e empregado, a 17.ª mais alta num total de 30 países.

11.5.10

2088

">

2087

2086


António José Seguro: Exemplo de cima

António José Seguro, do PS, avisou ontem, na SIC Notícias, que foram pedidos “muitos sacrifícios” e que nos cortes contra o défice o exemplo “tem de vir de cima”.



Ex-governante ganha 14 mil euros na ERSE

O ex-secretário de Estado da Administração Interna e da Agricultura no primeiro Governo de José Sócrates vai ganhar um salário mensal bruto de 14 198 euros como vogal da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos – ERSE. Com a nomeação de Ascenso Simões para este cargo pelo Executivo na passada quinta-feira, este é o segundo socialista próximo de Sócrates a ser colocado num organismo regulador desde Novembro de 2009.


2085





Eles estão de volta

Ficou famosa há uns anos uma notícia publicada na rubrica "Notícias militares" do extinto "Comércio do Porto" em que se informava que a esposa do comandante de um regimento da cidade dera à luz uma "robusta menina" concluindo: "Está de parabéns toda a oficialidade". Ocorreu-me este episódio ao saber do conciliábulo sobre a "situação do país" que Cavaco Silva ontem manteve com uma "brigada do reumático" de 10 ex-ministros das Finanças. Porque, se é Cavaco o "pai do monstro" do défice, como Cadilhe diz, toda aquela "oficialidade" está igualmente de parabéns pelo inestimável contributo que deu à gestação do "robusto menino" que o Orçamento há décadas embala. A julgar pelas posições públicas presentes e pelas políticas passadas de alguns deles, não é difícil adivinhar que soluções têm para a "situação do país": cortes nas despesas sociais, cortes em salários e pensões, aumento de impostos. E que soluções não têm: cortes nos escandalosos salários e prémios de gestores públicos e "boys", moralização do IRC da Banca, tributação das grandes fortunas. Era pedir de mais a tão luzida e ex-ministerial gente.