31.10.09
1407
1406
Fui à "instalação" da Assembleia da Freguesia de Matosinhos.
O PS tem na assembleia 9 representantes.
Na eleição para o executivo da Junta a lista apresentada pelo PS recebeu 12 votos a favor e teve 7 votos contra.
"Sei" donde vieram aqueles 3 votos a mais, e percebo porque vieram.
Na eleição da mesa da assembleia a lista apresentada pelo PS teve os mesmos 12 votos favoráveis.
Votaram contra 6 eleitos.
E houve 1 abstenção.
Por favor expliquem-me donde veio aquela abstenção.
E porquê!
1403
A carreira de um corrupto
Por Vasco Pulido ValenteO dr. Mário Soares pediu esta semana à imprensa e à televisão que não insistissem no que ele chama "sensacionalismo" e percebessem, de uma vez, que o "sensacionalismo" não "paga": não "vende papel", nem aumenta audiências. Logo por azar três dias depois saiu um novo "escândalo" das profundezas do Ministério Público. Pior ainda: esse escândalo alegadamente envolve antigos membros de um governo PS e um velho amigo do primeiro-ministro. Em prosa tremendista, o Ministério Público declarou que há no caso uma "rede tentacular". Não sei se há "rede" ou não há "rede". Só sei, como sabe, ou desconfia, a maioria dos portugueses, que o regime se tornou numa enorme rede de corrupção. E não tenho a menor dúvida sobre a maneira como na prática isso aconteceu.Basta imaginar a carreira típica de um corrupto. Começou por se inscrever num partido (no PS ou no PSD, evidentemente). Ou tinha influência, própria ou da família, ou conseguiu arranjar um "protector" (um empresário, um advogado, alguém com prestígio ou com dinheiro) para se promover a presidente da concelhia ou a qualquer cargo de importância. Daí passou para a administração central, para a Câmara do sítio ou, com muita sorte, para uma empresa pública. Com o tempo chegou a uma situação em que podia "pagar" os "favores" que até ali recebera e fazer novos "favores", em que já participava como sócio. Entretanto conhecia mais gente e alargava pouco a pouco os seus "negócios". Se punha o pé fora da legalidade, punha com cuidado, bem protegido por amigos de confiança e pretextos plausíveis.Um dia, por fidelidade ao chefe, "trabalho" no partido (financiamento directo ou indirecto) e recomendação de interesses "nacionais", foi chamado ao governo: a secretário de Estado, normalmente. No governo, proibiu ou permitiu conforme lhe convinha ou lhe mandavam e convenceu outro secretário de Estado ou mesmo um ministro mais "versado" ou "ingénuo" a colaborar na sua "obra". Torcendo um regra aqui, explorando uma ambiguidade ali, a sua reputação cresceu. Não precisava agora de se mexer. Era, como se diz no calão da tribo, um "facilitador". A iniciativa privada gostava dele, o "sector público" gostava dele, o alto funcionalismo (a quem, de quando em quando, dava uma gorjeta) gostava dele. Ninguém lhe tocava. O corrupto ascendia à respeitabilidade. E anda, por aí, no meio de nós.30.10.09
1401
Mãos sujas, alma limpa
Como sucede habitualmente quando, como agora, vêm a público os negócios sujos que, um pouco por todo o país, envolvem lixo e tratamento de resíduos, os envolvidos são quase sempre gente (empresários, autarcas, políticos…) lavada e educada, da do género que não entra em casa sem limpar cuidadosamente os pés.
1400
U
M PONTO É TUDO
Sucateiros e outros sucateiros
29.10.09
1399
2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.
3. O arguido tem direito a escolher defensor e a ser por ele assistido em todos os actos do processo, especificando a lei os casos e as fases em que a assistência por advogado é obrigatória.
4. Toda a instrução é da competência de um juiz, o qual pode, nos termos da lei, delegar noutras entidades a prática dos actos instrutórios que se não prendam directamente com os direitos fundamentais.
5. O processo criminal tem estrutura acusatória, estando a audiência de julgamento e os actos instrutórios que a lei determinar subordinados ao princípio do contraditório.
6. A lei define os casos em que, assegurados os direitos de defesa, pode ser dispensada a presença do arguido ou acusado em actos processuais, incluindo a audiência de julgamento.
7. O ofendido tem o direito de intervir no processo, nos termos da lei.
8. São nulas todas as provas obtidas mediante tortura, coacção, ofensa da integridade física ou moral da pessoa, abusiva intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações.
9. Nenhuma causa pode ser subtraída ao tribunal cuja competência esteja fixada em lei anterior.
Mas isso é nos tribunais.
Na vida em sociedade, nas conversas de café, no que se escreve nos blogues, os cidadãos não estão obrigados a presumir a inocência de ninguém.
Diria mesmo que antes pelo contrário.
No nosso convívio social, nas opiniões que emitimos, na apreciação que fazemos do comportamento dos políticos, dos gestores, das figuras públicas devemos ajuizar o seu comportamento público, os factos que traduzem uma maneira de ser e estar, o seu carácter, a sua actuação.
E não temos de aplicar o principio da presunção de inocência.
Temos de fazer um juízo sobre os factos que vamos tendo conhecimento, e integrá-lo com aquilo que sabemos da maneira de agir daqueles a quem são imputados, pela investigação, factos possivelmente ilícitos.
Isto para dizer que no que respeita ao que hoje aí anda nas notícias e nas personagens nelas referidas eu não uso nenhuma presunção de inocência.
Antes pelo contrário.
1398
Crimes e castigos
José Sócrates inicia este mandato como primeiro--ministro fragilizado politicamente. Pela primeira vez na democracia portuguesa, um chefe de Governo vê diminuir de forma drástica a sua base eleitoral e parlamentar. Já houve executivos minoritários que se tornaram maioritários. Mas só agora assistimos ao fenómeno inverso. Sócrates acaba de tomar posse, mas já perdeu a pose.
1396
Rui Huet Viana Jorge
1394
Hoje é um daqueles dias em que lembramos Walter Rosa, socialista que se demitiu do cargo de ministro porque o filho assaltou um banco com uma pistola de brinquedo.
1393

Armando Vara apanhado em escuta
de caso de corrupção
1392

O tornozelo de Ronaldo
Na posse do novo Governo voltaram a ouvir-se as mesmas palavras gastas de sempre: desenvolvimento, crescimento, inovação, modernização, emprego, solidariedade… Se as palavras se comessem (sobretudo a palavra "solidariedade", que é comprida e rotunda) seríamos um país farto.
Infelizmente não se comem e, segundo um estudo da Deco, há, em Portugal, 40 mil idosos a passar fome. Números afrontosos como este e os da pobreza costumam ser varridos pelo discurso político e mediático para debaixo do tapete da "modernização", da "inovação tecnológica" e quejandos (como que dizendo à maneira mordaz de Cesariny: "Assim como assim ainda há muita gente que come") ou brandidos como arma de arremesso durante as campanhas eleitorais e esquecidos mal acaba a contagem dos votos. A existência de tantos portugueses, os mais vulneráveis, com fome deveria encher-nos de culpa e de vergonha, deveria ser manchete dos jornais, notícia de abertura dos telejornais. Não é. É o TGV e o tornozelo do Cristiano Ronaldo. Ou a de que (lá vou eu ser acusado de "populismo") o Estado irá assegurar mais uns milhões a mais um banco.
28.10.09
1390
Ganância criativa
Há no processo de formação de preços em economia de mercado um conceito admiravelmente engenhoso, o de "renda do consumidor".
27.10.09
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