10.4.09
584

Quando é manifesto para toda a gente que as alterações à chamada lei do divórcio são uma tontaria feita precipitadamente e por meras razões de agenda política, permanecer nessa tontaria ainda por evidentes razões de agenda política, não é só asneira, já é desonestidade.
PS não altera lei do divórcio nesta legislatura JN
O vice-presidente da bancada do PS Ricardo Rodrigues afirmou que até ao final da presente legislatura a nova lei do divórcio não será alterada.
O PS apenas admite algum “aperfeiçoamento” a médio prazo.
A posição de Ricardo Rodrigues destinou-se a responder ao vice-presidente da bancada social-democrata Montalvão Machado, que declarou que o PS já "reconheceu que o novo regime jurídico do divórcio está errado".
"Lemos hoje que o PS reconheceu que o novo regime jurídico do divórcio está errado", declarou Montalvão Machado. "Aquilo que aprovou há escassos meses o PS já entende que está mal", acrescentou.
O deputado social-democrata referia-se à notícia o jornal Público segundo a qual o "PS vai fazer 'pequenas correcções' à lei do divórcio na sequência dos reparos feitos por juízes e advogados".
Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada socialista Ricardo Rodrigues frisou que o seu Grupo Parlamentar "não irá alterar a lei do divórcio por a considerar substancialmente justa e adequada aos nossos tempos".
Segundo Ricardo Rodrigues, "toda a estrutura da nova lei do divórcio, que assenta no afastamento da culpa como forma errada do fim da vida em comum, está no entender do PS bem erradicada do sistema jurídico".
"De boa-fé, o PS apenas referiu para esta lei, como para qualquer outra, que é sempre possível aperfeiçoar pequenos erros. Mas o PS nunca pretendeu dizer que o faria nesta legislatura", justificou o dirigente da bancada socialista.
De acordo com o "vice" da bancada socialista, o PS "entende que todas as leis devem ter o seu espaço e o seu tempo mínimo de vigência para que possam ou devam ser alteradas".
"No caso da nova lei do divórcio, esse tempo ainda não ocorreu", salientou.
No entanto, de acordo com Ricardo Rodrigues, em relação ao futuro da lei do divórcio, "naturalmente que os intérpretes irão fazendo o seu percurso normal de interpretações e que a jurisprudência irá apurando o real sentido da lei".
583

De que tem medo o PS?
O PS tem um problema com a corrupção que, sendo o PS Governo, se torna um problema do país. Sempre que o tema vem à baila, designadamente na AR, o PS mostra-se patentemente incomodado, e tal incómodo manifesta-se numa torrente de palavras e declarações de intenção que, por um motivo ou por outro (e pode legitimamente recear-se que seja por outro), nunca se traduz em actos. Paralelamente, se hoje, em Portugal, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um corrupto ir parar à cadeia, isso deve-se fundamentalmente a um Código Penal aprovado pelo PS. Ao mesmo tempo, o deputado socialista que mais batalhou por eficazes leis anti-corrupção passou a…ex-deputado.
Agora é o enriquecimento ilícito de titulares de cargos públicos. Os portugueses habituaram-se a ver gente que ocupa ou ocupou lugares de decisão política aparecer a vender cabritos sem ter, que se saiba, cabras e pareceria natural que a lei lhe perguntasse (como já faz no domínio fiscal) donde vieram os cabritos. O PS acha a pergunta imprópria, e nem permite que o TC se debruce sobre ela. Que hão-de pensar os portugueses?
8.4.09
578

576

Ex-administradores passaram para o BCP
575

Enquanto lia as declarações do procurador Lopes da Mota ao DN de sábado achei por bem cravar as unhas na minha própria carne para ter a certeza de que estava acordado. É certo que alguns jornais pintam um quadro negro das chamadas "pressões", envolvendo o ministro Alberto Costa e supostas ameaças de represálias a quem está a investigar o caso Freeport.
Mas eu cá estou-me nas tintas para o quadro negro quando tenho o próprio Lopes da Mota a admitir ao DN que disse aos dois procuradores que lideram a investigação, e cito: "O que eu sei é que o primeiro-ministro quer isto esclarecido rapidamente." Notem bem. Isto não são palavras de Manuela Moura Guedes. Isto não é uma investigação de Felícia Cabrita. Isto não é um editorial de José Manuel Fernandes. Isto são palavras que o próprio procurador Lopes da Mota disse que disse. Pergunto: como é possível ele manter-se no cargo depois de confessar publicamente que no seu entendimento os desejos do primeiro-ministro devem ser tidos em conta na investigação do Freeport?
Há aqui uma questão sensível que é saber o que chamar a José Sócrates neste caso. Arguido, ele não é. Suspeito, também nos disseram que não. Testemunha, ainda não foi. Envolvido, parece um bocado mal. O melhor é chamar-lhe alguém-vagamente-relacionado-com-o-caso Freeport. Ora, desde quando é que os estados de espírito de alguém-vagamente-relacionado-com qualquer caso com fortes suspeitas de corrupção são matéria de preocupação para os investigadores? Durante os últimos dias eu ouvi falar tanto de pressões que parecia estar a assistir a um infindável boletim meteorológico de Anthímio de Azevedo. Mas há limites para tudo. Ou se cria o conceito de "socratete" para quem continua a garantir que José Sócrates é um anjo que paira imaculado sobre Alcochete e que não deve justificações a ninguém, ou a justiça pára com a tremedeira de pernas e faz finalmente o que tem a fazer. Quer isto dizer que o deve acusar? Não. Quer isto dizer que o deve escutar. Como há muito o teria feito se o alguém-vagamente-relacionado-com-o-caso não se chamasse José Sócrates.
Nota final: Como é do conhecimento público, José Sócrates decidiu processar-me por difamação, devido a um artigo de 3 de Março em cuja primeira frase o seu nome coabitava com o de Cicciolina. Por muito tentadora que possa parecer a ideia de ir a tribunal discutir tangentes entre o primeiro-ministro e a ex-deputada italiana, há que fazer justiça ao engenheiro Sócrates e ao escritório de advogados do dr. Proença de Carvalho e esclarecer que fui processado por muitas frases desse artigo, mas nenhuma delas inclui antigas estrelas de cinema pornográfico. Lamento pôr em causa tanta criatividade textual e visual que saiu em meu auxílio na blogosfera, mas opiniões são opiniões - e factos são factos.
7.4.09
572
571

Não há almoços grátis
A palavra "pressões" entrou em grande no vocabulário mediático. Tudo por via de uma cândida e judicial (e crê-se que judiciosa) conversa de magistrados ao almoço sobre um processo em investigação que, para um dos convivas, terá sido de troca de impressões e,
para os outros, de compra e venda de supressões. Infelizmente não fui convidado, e não posso dirimir a digestão da con(tro)versa.
Impressiona-me, no entanto, não ter lido em parte alguma sobre o menu da refeição nem sobre quem pagou a conta, e espero que o inquérito do Conselho Superior do Ministério Público não deixe essa matéria por esclarecer. Porque uma coisa é o almoço ter sido pago pelo alegado - "alegado", em jornalês, é assim a modos como o escudo invisível do dentífrico, que protege o esmalte deontológico e o mantém brilhante e lavado; outras vezes é o diáfano e queirosiano manto de dúvida que cobre a nudez crua da verdade - pressionador, outra coisa é que as despesas da conversa tenham sido por conta dos pressionados. Ou que o menu tenha sido secretos de porco preto ou, como tudo parece indicar, pescadinha de rabo na boca.
570

Alberto Costa: demissão e revogação
Em suma: a razão substancial da demissão de Alberto Bernardes Costa não foi anulada pelos tribunais, foi anulada, sim, a habilidade do Governador, pela qual o meu despacho de demissão foi substituído por outro apto a ser anulado por vício de forma, ou seja por falta de fundamentação.
Quem quiser ler os documentos, pois está tudo documentado, é só ir aqui. Agradeço o favor de ser reposta toda a verdade».
6.4.09
569

BCP lidera correcções
Ora, a instituição com maior volume de imposto corrigido foi - de acordo com informação recolhida junto da administração fiscal - o BCP. E o volume dessas correcções foram a pedra-de-toque das pressões que a IGF exerceu sobretudo desde o final de 2008 para que se estabelecessem novas regras (ver caixa).
Contactada pelo PÚBLICO sobre este relatório, fonte oficial do BCP preferiu não comentar.
Finanças: faltam recursos
568

5.4.09
567

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.
José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.
Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?
À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.



.jpg)



