2.7.11


Investigação: Autarcas suspeitos de crime económico

Narciso enfrenta Justiça

Narciso Miranda, vereador em Matosinhos, Joana Lima, presidente da Câmara da Trofa, e o presidente do Sporting de Braga, António Salvador, estão na mira da Justiça mas não foram constituídos arguidos. Em causa está uma mega-investigação da Polícia Judiciária do Porto a crimes económicos, no âmbito da qual já há 11 arguidos, entre os quais dois funcionários das Finanças. Sobre os restantes, as autoridades apenas garantem que não são figuras públicas
Por:Manuela Teixeira



Ontem, porém, em declarações à Lusa, a coordenadora da 6ª secção do DIAP/Porto, que supervisiona a investigação, admitiu a possibilidade de ainda serem constituídos novos arguidos neste processo de criminalidade económico-financeira envolvendo burlas, crimes informáticos e ilícitos fiscais ou relacionados com a Segurança Social.
Entre os alvos da investigação, que levou a buscas domiciliárias na terça-feira, estão o ex-presidente da Câmara de Matosinhos, a presidente socialista da Câmara da Trofa e o presidente do Sp. Braga. Os dois autarcas são suspeitos de beneficiarem Salvador, que é também proprietário da empresa de construção Britalar. O tipo de benefícios não está esclarecido, mas a direcção do Sp. Braga confirmou as buscas no clube, referindo que o objectivo da PJ foi aceder "a uma lista de convidados para alguns jogos de futebol". Já Narciso Miranda afirma-se inocente mas, de acordo com a investigação, é suspeito de se ter apropriado de milhares de euros, em troca de cargos políticos e empregos em autarquias, entre os quais a da Trofa. Narciso foi apanhado pela investigação em duas escutas telefónicas durante a campanha da sua candidatura independente à Câmara de Matosinhos, em 2009, onde foi derrotado por Guilherme Pinto, do PS.

1.7.11




Pelo andar da carruagem


Há um provérbio popular que, devidamente adaptado, se pode aplicar com proveito a governos: "Pelo andar da política fiscal se vê quem vai lá dentro". Porque, sendo a política fiscal um instrumento de redistribuição da riqueza e do rendimento, ela espelha, mais do que nenhuma outra, o rosto de uma governação.
Como se propõe um governo obter recursos?; como se propõe redistribui-los?, são questões cujas respostas dizem quase tudo o que quisermos saber sobre esse governo mas tivermos vergonha de perguntar.
Com o corte de 50% dos subsídios de Natal, o novo Governo tenciona obter 800 milhões de euros, saídos (na verdade nem lá chegarão a entrar) dos bolsos de trabalhadores e reformados.
E para onde irá tanto dinheiro? Com mais 800 milhões poupados em "acomodações" na despesa do Estado que "o senhor ministro das Finanças detalhará nas próximas semanas" (preparemo-nos para o pior, designadamente para mais cortes nos apoios sociais e na saúde), servirá para compensar os 1 600 milhões que o Estado deixará de cobrar com a redução de 4% da TSU das empresas. O que é o mesmo que dizer que 50% dos subsídios de Natal dos trabalhadores e reformados, mais as "acomodações" ainda a anunciar, irão parar às contas bancárias dos empresários. Será reconfortante ver passar um Ferrari (pelo menos em regiões deprimidas como a do Vale do Ave) e imaginar que talvez uma porca de um daqueles pneus seja o nosso subsídio de Natal.

30.6.11

Contas a fingir
João Cândido da Silva

As contas das administrações públicas apresentaram um saldo negativo no primeiro trimestre de 2011, garante outro documento oficial. Está baralhado? 

Se respondeu "sim", compreende-se. O verdadeiro estado das finanças públicas raramente foi matéria que, em Portugal, conseguisse honrar, sem reservas, a transparência e a seriedade que deviam caracterizar as relações entre o Estado e os cidadãos. Qualquer leitor habitual dos pareceres do Tribunal de Contas acerca das contas públicas terá escassas dúvidas de que muito do dinheiro sugado à economia é gasto sem critério, nem diligência. E, pior, também não ficará surpreendido por haver frequentes menções a despesas que deviam estar devidamente reflectidas mas que se limitam a pairar no éter, na esperança de quem ninguém as detecte. O período final da vida do anterior Governo foi o cenário onde se tentaram construir as mais grosseiras manipulações para iludir eleitores e credores de que a execução orçamental não só estava a correr sobre rodas, como até a brilhante gestão do dinheiro dos contribuintes estava a gerar excedentes. Pura ilusão. A táctica utilizada foi básica e tinha a solidez de um castelo de cartas exposto a uma rajada de vento. Bastava pegar nos relatórios mensais de execução da direcção-geral do Orçamento, ignorar que os valores de receitas, despesas e saldos neles contidos eram um mero exercício de tesouraria que reflectia apenas entradas e saídas de dinheiro e omitiam compromissos assumidos mas não liquidados. Depois, os números eram arremessados para a opinião pública como uma prova de sucesso no controlo do monstro, papel que, pela sua natureza, os documentos em causa nunca poderiam representar. Foi assim que o Governo anterior foi saltitando de mentira em mentira, acabando por anunciar, sem pingo de vergonha e provavelmente sem vestígios de remorso, que o saldo das administrações públicas durante os primeiros três meses de 2011 tinha sido positivo em quase 500 milhões de euros. O vistoso desempenho, conforme logo se apressaram a garantir os porta-vozes para todo o serviço, era um resultado "importante" e "positivo". Se ainda tiver sobrado alguma garganta a esses portadores das boas novas, depois de a terem usado para actos de propaganda de qualidade rasteira, poderão agora utilizá-la para engolirem os elogios que teceram a uma gestão do Orçamento do Estado que revela dados importantes mas que de positivo tem pouco oferecer. As dúvidas que persistissem ficaram esclarecidas ontem. A verdade sobre as contas públicas do primeiro trimestre deste ano, de acordo com os cálculos do Instituto Nacional de Estatística, confirma que onde estava escrito superavit encontra-se, afinal, um défice. E bem gordo. São perto de 3.200 milhões de euros de saldo negativo, equivalentes a 7,7% do produto interno bruto, valor que está longe da meta orçamental de 5,9% que Portugal tem de cumprir este ano. As conclusões são evidentes. A situação orçamental vai exigir medidas de correcção adicionais se o actual Governo quiser evitar a continuação de uma derrapagem fatal. É o que Pedro Passos Coelho deverá fazer hoje, quando anunciar mais uma dose de austeridade indigesta. Depois, ficou mais nítido o retrato da irresponsabilidade delirante do Governo de José Sócrates. Fez muito pouco para dominar as contas públicas mas fez muito para fingir que as controlava. Pior, teria sido difícil.


Jornal de Negócios

Investigação da PJ: Financiamento da candidatura à Câmara de Matosinhos

Prometia empregos e cobrava milhares

Narciso Miranda, que foi candidato independente à Câmara de Matosinhos nas últimas eleições, é suspeito de vender promessas, cargos de vereação e empregos na autarquia a financiadores da campanha para a presidência que acabou por não conquistar em 2009. O histórico socialista, que não teve apoio do partido naquelas eleições, está sob investigação da Polícia Judiciária do Porto, conforme o CM avançou ontem.
Por:Manuela Teixeira/ Tânia Laranjo



Narciso, com quem o nosso jornal tentou ontem insistentemente falar, sem sucesso, é suspeito de ter arrecadado milhares de euros que seriam alegadamente para financiar a candidatura mas que foram desviados para as contas bancárias pessoais do candidato. Para obter o dinheiro Narciso convencia alguns potenciais apoiantes de que ia reconquistar a Câmara de Matosinhos, garantindo os vulgarmente chamados ‘tachos políticos ’, com lugares importantes na edilidade, a quem financiasse a campanha.
O esquema foi detectado em duas conversas telefónicas interceptadas no âmbito da investigação a funcionários das Finanças por crimes de corrupção. Não existirá relação directa com este caso, pelo que foi extraída certidão para abertura de um processo autónomo.
Perante os indícios de apropriação indevida de dinheiros, a PJ fez anteontem buscas à casa de Narciso Miranda, em Matosinhos. E ainda na antiga sede da candidatura ‘Matosinhos Sempre’, que Narciso mantém no centro da cidade.
Uma das conversas telefónicas de Narciso durante a campanha envolve a presidente da Câmara da Trofa, Joana Lima. À autarca do PS, que conquistou em 2009 a câmara ao PSD, Narciso cobrava favores no âmbito de lugares políticos e empregos nas autarquias socialistas. A PJ fez buscas na Câmara da Trofa e em casa de Joana Lima.
O CM tentou falar com Narciso Miranda e Joana Lima. O primeiro não atendeu o telemóvel e a segunda teve o aparelho desligado. 

29.6.11


PJ deteve dois funcionários das Finanças por corrupção

Narciso Miranda e presidente da Câmara da Trofa investigados por crimes económicos

Por Mariana Oliveira

A PJ realizou ontem buscas a casa de Narciso Miranda, vereador da Câmara de Matosinhos e antigo presidente deste município, tendo visitado igualmente as instalações da associação Narciso Miranda - Matosinhos Sempre, a que o vereador preside desde a sua criação em Setembro de 2008, e que serviu para lançar a sua candidatura independente às autárquicas do ano seguinte. No âmbito do mesmo inquérito, que investiga crimes económicos, a PJ também realizou buscas à Câmara da Trofa e à residência da sua presidente, Joana Lima, também dirigente nacional do PS e ex-deputada socialista.
O PÚBLICO sabe que Narciso Miranda é suspeito de se ter apropriado ilicitamente de dezenas de milhares de euros, o que o próprio nega. Contactado pelo PÚBLICO, o vereador, sem pelouro, começou por dizer que não fazia comentários sobre o caso, tendo, mais tarde, ligado para o PÚBLICO negando qualquer apropriação ilícita. O autarca terá sido apanhado em escutas telefónicas a conversar com Joana Lima sobre favores que pretendia que a autarca do PS realizasse.
Joana Lima, eleita em Outubro de 2009, derrotou Bernardino Vasconcelos (PSD), o único presidente de Câmara da Trofa desde a sua elevação a concelho em 1998. Ontem, apesar de várias tentativas, o PÚBLICO não conseguiu contactá-la. A sua assessora de imprensa, que estava de férias, disse não saber nada sobre o assunto, tendo solicitado um novo contacto. Contudo, desde então, nunca mais atendeu as chamadas do PÚBLICO.

PÚBLICO

Investigação em Matosinhos

PJ suspeita que Narciso desviou fundos

Narciso Miranda, ex-presidente da Câmara de Matosinhos, está sob investigação da Polícia Judiciária por suspeitas de se ter apropriado indevidamente de fundos da ‘Associação Narciso Miranda - Matosinhos Sempre’, criada para financiar a sua última candidatura à liderança daquela autarquia, em 2009, quando concorreu como independente, sem o apoio do Partido Socialista, e acabou derrotado.
Por:Henrique Machado


Esta investigação da PJ, apurou o CM, partiu de outra, por corrupção nas Finanças do Porto – em que o nome de Narciso Miranda surgiu de uma forma colateral, tendo sido extraída uma certidão por haver indícios fortes de crime económico por parte do ex-autarca. Entretanto, no âmbito do processo que envolve o histórico governante de Matosinhos – derrotado nas últimas eleições autárquicas no concelho pelo seu antigo delfim Guilherme Pinto –, o CM sabe que foram também feitas buscas pela PJ à Câmara da Trofa.

28.6.11


Falta de passageiros

Espanha suprime três ligações de alta velocidade

 Por Pedro Crisóstomo

A rede ferroviária nacional espanhola (Renfe) decidiu suprimir três ligações de alta velocidade que ligavam directamente Toledo, Cuenca e Albacete, por falta de procura.



As ligações que desde Dezembro garantiam transporte ferroviário de alta velocidade entre as três cidades da região autónoma de Castilla-La Mancha deixam de operar a partir de sexta-feira, 1 de Julho.

Em seis meses, o serviço transportou apenas 2796 passageiros, quando, por exemplo, na linha Toledo – Madrid (onde se mantêm as ligações de alta velocidade) viajam diariamente, em média, 4100 pessoas. Um “desastre” que o presidente da Renfe, Enrique Urkijo, admitiu aos jornais espanhóis.El País refere que a ligação de alta velocidade que liga directamente Toledo a Albacete transporta uma média de apenas nove passageiros por dia. Quem, dentro de três dias, quiser viajar entre as duas cidades terá de o fazer com escala em Madrid, a partir das ligações que já funcionavam entre Madrid e Valencia (onde termina a linha de lata velocidade).
A supressão daquelas três linhas vai obrigar a Renfe a aumentar a oferta de ligações ferroviárias convencionais entre Toledo e Albacete (que passa a demorar mais 23 minutos, para 2h28 de viagem se combinar com o serviço de Altaria, ou mais 1h28, para 3h33 se combinar com o de Altaria).


PÚBLICO


Dinheiro Vivo

A morte do BPN

A vida do BPN está em contagem decrescente. Ou é vendido até ao final de Julho ou perde a licença bancária. Uma coisa ou a outra já deviam ter acontecido. Mas o que ainda não aconteceu foi o mais importante: encontrar, e condenar, os culpados deste descalabro pago com dinheiro dos contribuintes.
Por:Pedro S. Guerreiro, Director do Jornal de Negócios



Há poucos interessados no BPN. Com a marca desfeita e operando basicamente num mercado em recessão, a cadeia de balcões do BPN pode ficar para rede de "fast food". O Governo fez bem em nacionalizar o BPN em 2008. Devia ter feito bem em vendê-lo mais cedo. Não fez cedências e agora arrisca-se a ficar com todo o "buraco" para si. Ou seja: para nós. A conta é de pelo menos dois mil milhões de euros.
Foi isto que nos custou a nacionalização do BPN. Foi isto que nos custou a ladroagem naquela casa. E isso é o mais revoltante desta história: é a impunidade de um processo repleto de nomes sonantes e de políticos eleitos.
O Governo fez o que tinha a fazer na nacionalização do BPN, mas o Estado falhou. Falhou antes dessa nacionalização, com uma supervisão que foi enganada e não fez muito por ser despertada. E está a falhar depois, ao não capturar os culpados deste escândalo. Oliveira e Costa está detido, em casa, é o único. Mas não foi o único a enriquecer à custa do nosso empobrecimento.



Não é censura, é outra coisa


Tudo em seis meses: novo presidente, novo governo, nova maioria e ("zoom" para, sucessivamente, grande plano, plano aproximado e "close up") novo director do "Expresso" e novo Estatuto Editorial cujo ponto 7 reza: "O 'Expresso' sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por autocensura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se (...) o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério."
Chegou, pois, a altura de um jornal declarar, sem rebuço, que não publicará notícias "que mereciam ser publicadas em lugar de destaque" se entender que a sua divulgação pode "eventualmente" ser "nociva ao interesse nacional". O jornal ponderará, caso a caso, o "interesse nacional" das notícias, mas algo fica, desde já, claro: para esse jornal, a verdade factual deixou de ter por si só, mesmo dentro da lei, "interesse nacional"; e mais: o jornal passará a substituir-se ao poder político e a definir o que é, ou não, de "interesse nacional", podendo decidir não dar a conhecer verdades se as achar inconvenientes ou inoportunas. A bem da Nação.
Se ainda havia algum pudor, deixou de haver: um jornal assume às claras que se rege por critérios de oportunidade (políticos por excelência) e não exclusivamente por critérios jornalísticos.

27.6.11

A Praça Syntagma é a Praça Tahrir da Europa

por Ana Sá Lopes
Angela Merkel e Nicolas Sarkozy comportam-se perante a Praça Syntagma como Ben Ali e Mubarak nas manifs tunisianas e na Praça Tahrir
Há muitas pessoas que não gostam de Atenas e tenho alguma dificuldade em entendê-las. Eu adorei - e, pior, comovi-me um bocadinho em ruas e becos chamados "Sócrates" e outros nomes iniciais, que vão dar ao Pireu. Se a comoção com uma cidade é uma coisa tão indefinível como outro género de comoções, no caso de Atenas é razoavelmente evidente. Afinal, foi ali que tudo começou, que todos começámos, e não fora o desaparecimento do grego dos currículos, que torna alguma paisagem urbana incompreensível, a sensação confortável de estar num lugar desconhecido "onde pertencemos" seria plena.

A Praça Syntagma fica em frente ao parlamento e perto do centro comercial lá do sítio (a Plaka) e está à beira de se transformar na praça Tahrir da Europa. Enquanto isto, os líderes europeus, transformados em amibas políticas, continuam um processo de negação, resistindo a encarar a cada vez mais previsível realidade de que ali, onde "tudo" começou, vai tudo acabar. Ou, pelo menos, vai acabar o que foi dado como garantido durante os últimos anos em que os "desmandos" do Sul da Europa engordaram também a economia e os bancos alemães - vai acabar esse sonho do pós-guerra, um sonho político, económico e pacifista agora chamado União Europeia. Angela Merkel e Nicolas Sarkozy comportam-se com a mesma lucidez perante a Praça Syntagma com que Ben Ali e Mubarak enfrentaram as manifestações tunisianas e as da Praça Tahrir, no Cairo. 

E não são apenas Merkel e Sarkozy: uma multidão de porta-vozes europeus fala (a sério) na possibilidade de "salvação" da Grécia com a mais recente injecção de veneno - o pacote de austeridade que, à semelhança do anterior, não vai funcionar. 

E, no meio do caos que será o previsível contágio da situação grega a Portugal, Espanha e até Itália - a última sexta-feira negra foi um exemplo aterrador - um jovem governo em Portugal fica extremamente satisfeito por um Conselho Europeu que não resolveu nada de nada "ter corrido bem a Portugal". 

O que é que correu bem, afinal? Os sorrisos da senhora Merkel? As palmadinhas nas costas de Sarkozy? Nada correu bem a Portugal, não por culpa de Passos Coelho himself, mas porque não pode correr bem enquanto a situação grega não for resolvida. Pode Passos Coelho ser o melhor primeiro-ministro que Portugal teve desde 1974 (!!!!) e mesmo assim quase nada ou muito pouco depende dele. Nada vai correr bem a Portugal se não correr bem à Grécia - e à zona euro no seu todo. 

A ideia de que daqui a muito pouco tempo possamos estar fora do euro, cada vez mais defendida por economistas de variados quadrantes, pode ser uma realidade. Há pessoas que dividem os problemas em dois géneros: os que se resolvem por si e os que não se resolvem de todo. Aparentemente, os dirigentes europeus optaram, face à crise do euro, em acreditar que o problema se resolve por si. Mas provavelmente este é dos que não se resolvem.

Tribunal de Contas acusa ministério de beneficiar privados


Organismo recomenda ao Ministério da Saúde que reveja o acordo da região de Lisboa e alerta para desperdício de verbas.
Hospitais e centros de saúde da região de Lisboa enviaram doentes para o Hospital da Cruz Vermelha antes de verificarem se outras unidades do sector público eram capazes de dar resposta às necessidades de consultas e cirurgias. Uma solução que é possível há dez anos, ao abrigo de um acordo entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e a Cruz Vermelha.
Os doentes não pagam taxas moderadoras e chegam a saltar a lista de espera, conclui o Tribunal de Contas (TC), que lembra que os recursos não são ilimitados e que deve ser feita uma análise custo-benefício a justificar estes protocolos.
No relatório, o TC alerta que há doentes a ser tratados de forma desigual e pouco transparente ao abrigo deste acordo, que pode nem sequer ser o mais vantajoso actualmente para o Serviço Nacional de Saúde.




"No pasa nada"

Em notícias como a de que o Exército pagou ilegalmente (aplicando, segundo a IGF, uma regra que "carece de suporte legal") 8,4 milhões de euros em remunerações, o que implicou ainda uma "revalorização" de outros salários que custou aos contribuintes 2,6 milhões por mês; ou a de que o Ministério da Justiça pagou centenas de milhares de euros em "subsídios de compensação" a magistrados que a ele não tinham direito, incluindo mortos; o que mais surpreende é que vêm a público e não se volta a ouvir falar no assunto.
Bem podem os portugueses interrogar-se sobre se os milhões pagos ilegalmente terão sido restituídos e se terá sido responsabilizado quem ordenou ou permitiu os pagamentos. Nunca terão resposta. Um denso pano cai sistematicamente sobre casos destes e, depois, a generalizada falta de memória faz o resto.
Em plena crise económica, o Comando-Geral da PSP gasta dinheiro em festarolas de aniversário quando muitos milhares de portugueses não têm que comer e a própria PSP vive afogada em carências de toda a ordem?; o Estado paga 15,7 milhões de euros em "estudos" a certos escritórios de advogados?; há autarquias que gastam 587 503 euros em concertos de Tony Carreira e Quim Barreiros, 4 324 163,13 em "festas" e 700 000 em corridas de automóveis?
"No pasa nada"... Os contribuintes "pergunt[am] ao vento que passa/ notícias do [seu] país/ e o vento cala a desgraça,/o vento nada [lhes] diz".

25.6.11

Ainda o legado de Sócrates












ENTRE BEJA E LONDRES Dois meses depois da inauguração, o aeroporto de Beja recebe um voo regular semanal, de Londres. No último domingo, o avião com capacidade para 49 lugares, trouxe sete passageiros. Ao final da manhã já não havia vestígios dos turistas e os serviços de apoio estavam fechados. O promotor das viagens considera “pobre” o primeiro mês de voos. Uma opinião contrária à do diretor do aeroporto, que faz uma avaliação muito positiva da nova pista de aterragem alentejana.

Retirado da capa do Expresso desta semana.

do modo de vida socretino


Antiga sede em Lisboa vendida para satisfazer necessidades fi nanceiras do MAI

SEF aluga parte do edifício-sede que vendeu há dois anos por seis milhões de euros

Por José Bento Amaro
Serviços foram transferidos para edifício alugado em Oeiras que não estava preparado para receber todo o equipamento informático. A solução foi alugar dois pisos nas antigas instalações.



O negócio é difícil de perceber e está a causar polémica. O prédio que servia de sede ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em Lisboa, foi vendido há dois anos e o dinheiro canalizado para o Estado. Depois, o pessoal que lá trabalhava foi enviado para um edifício no Tagus Park, em Oeiras, alugado por uma renda anual de 1,250 milhões de euros e onde se gastou outro milhão em obras de adaptação. Mas como a nova morada não tem características para acolher algum do equipamento informático, aquela polícia viu-se obrigada a alugar parte do imóvel - caves e rés-do-chão - que vendeu.

Há cerca de dois anos, o prédio que antes albergava a sede do SEF (com um total de 11 pisos, onde se incluem as garagens e o sótão), na Rua Conselheiro José Silvestre Varela, em Carnide, acabou por ser vendido por seis milhões de euros, depois de o valor mínimo para a sua transacção ter sido fixado em 5,380 milhões. O pessoal que ali trabalhava foi colocado num edifício do Tagus Park arrendado por 125 mil euros/ mês. Mas o imóvel, onde antes estiveram instalados funcionários de uma empresa de telecomunicações, estava longe de reunir as condições desejadas. Começou então a executar-se uma vasta lista de trabalhos.De acordo com o que se encontra inscrito no portal da transparência da administração pública, só no período compreendido entre Maio de 2009 e Novembro do ano passado o SEF celebrou contratos para aquisição de diversos bens e serviços num montante de cerca de 1,1 milhões de euros. Estão inscritos valores que vão desde os 15 mil euros (aquisição de montagem de sinalética exterior) até aos 247 mil euros (para pagar a presença de uma empresa de segurança no edifício), passando ainda por mais de 23 mil para arranjos paisagísticos e 34 mil destinados a pagar o transporte anual, em autocarro, dos funcionários residentes em Lisboa que trabalhavam na antiga sede e acabaram por ser transferidos para Oeiras.Quando, por fim, se julgou que estavam concluídas as mudanças, surgiu mais um imprevisto: o prédio do Tagus Park não estava preparado para acolher os servidores informáticos. A solução encontrada foi mantê-los em dois pisos na antiga sede, pagando mais uma renda, cujo montante não foi possível apurar."Temos conhecimento dos valores em causa e também questionamos o negócio", disse ao PÚBLICO o secretário nacional adjunto do Sindicato dos Funcionários de Investigação do SEF, Mário Antunes Varela. Os sindicalistas lamentam que este processo de troca de instalações tenha, de algum modo, servido para descapitalizar um órgão de polícia que, durante anos, foi auto-suficiente e canalizou milhões de euros para os cofres do Ministério da Administração Interna e para outras forças policiais da mesma tutela."As situações de gestão e os negócios que, afinal, acabam por retirar dinheiro e património ao SEF são bem conhecidos do sindicato. Em diversas ocasiões solicitámos à antiga secretária de Estado [da Administração Interna], Dalila Araújo, que fizesse algo para reduzir custos. Até tínhamos uma proposta para reduzir a massa salarial. Mas, apesar de só ter a seu cargo o SEF, a secretária de Estado nunca esteve disponível", adiantou o mesmo responsável sindical.Entre as diversas críticas à política de aquisições, os inspectores perguntam ainda o porquê de, quando da aquisição de material informático, o SEF ter recorrido a um estabelecimento espanhol sediado em Lisboa que, alegadamente, pratica alguns dos preços mais elevados do mercado.Na impossibilidade de obter um comentário da ex-secretária de Estado, o PÚBLICO tentou contactar telefonicamente o director do SEF, Manuel Jarmela Palos, mas não conseguiu ouvi-lo até à hora do fecho desta edição.


PÚBLICO

O partido de esquerda que um dia chegará

por Ana Sá Lopes
Manuel Alegre chegou a pensar romper com o PS e fazer um novo partido à esquerda, que se poderia associar ao Bloco, mas recuou
A formação e o sucesso do Bloco de Esquerda foi um fenómeno extraordinário - associando dois partidos que, juntos, não chegavam aos 3% em legislativas e nem sequer tinham grande coisa a ver um com o outro, o PSR de Francisco Louçã e a UDP de Luís Fazenda, a um leque de ex-comunistas aquartelados num grupo chamado "Política XXI", ficávamos com uma misturada que tinha tudo para dar errado. E, misteriosamente, não deu. 

O Bloco conseguiu trazer uma linguagem nova, que produzia um alto contraste com a chamada "cassete" do PCP, distanciava-se dos mitos do comunismo internacional (Coreia e China, por exemplo) e agarrou com todo o fulgor as chamadas "causas fracturantes", que agregavam uma esquerda e centro ansiosos por alguma modernidade social. Despenalização da droga e do aborto, casamento entre homossexuais, abertura social - o Bloco fez destas as suas bandeiras, assustando sobremaneira o PS e o PCP, que viam fugir as camadas mais jovens para aquela coisa que, durante muito tempo, foi apenas um movimento, transformando-se só num segundo momento em partido. Embora desde sempre grande combatente da causa da despenalização do aborto, o PCP acordou tarde para os direitos dos homossexuais (num extraordinário debate nas presidenciais de 1996 , confrontado com uma pergunta sobre o que o PCP pensava sobre os homossexuais - estávamos longe de se poder falar abertamente em casamento - o então candidato Jerónimo atrapalhou-se e acabou a dizer que o partido ainda não tinha discutido o tema homossexuais).Curiosamente, o Bloco aprendeu com o PCP uma regra que não se estende aos outros partidos - a roupa suja lava-se sempre em casa. Até o PCP, nos tortuosos tempos dos renovadores, das expulsões e das saídas em massa, que coincidiram com a Perestroika e a queda do Muro de Berlim, não conseguiu cumprir a regra. 
O problema da esquerda é antigo: a esquerda é feliz e "unida" na oposição e incapaz de encontrar convergências no poder. O PS português já fez coligações com o PSD e com o CDS, mas nunca à esquerda - se descontarmos a coligação municipal de Lisboa, liderada por Jorge Sampaio e João Soares. 

No auge da sua ruptura com Sócrates, na sequência da candidatura presidencial que levou a cabo sozinho, Manuel Alegre chegou a pensar em romper e fazer o tal partido de esquerda que se poderia associar ao Bloco. Francisco Louçã exultou - juntos, um partido alegrista e o Bloco poderiam chegar aos 20%, a força de um PRD. Mas Manuel Alegre recuou e conformou-se com uma candidatura presidencial associada a um partido do governo que lhe deu cabo da campanha e, em sequência, deu cabo do Bloco de Esquerda, o seu primeiro e mais inflamado apoiante. Agora um grupo com os renovadores comunistas admite avançar para a construção de um novo partido, aproveitando o espaço aberto pela crise bloquista. Mas um partido só por si não resolve nada. Se for para replicar os últimos dois anos do BE, pior.


24.6.11


Contribuintes com mais encargos

Estado assumiu mais dez mil milhões de euros para introdução de portagens nas SCUT


Os aditamentos feitos aos contratos das SCUT onde foram ou vão ainda ser introduzidas portagens representaram para o Estado encargos adicionais de dez mil milhões de euros, que não são em grande parte cobertos pelas novas receitas das portagens.


PÚBLICO

Reposicionamento de militares

Exército aumentou despesa em 8,4 milhões com regra ilegal


A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) acusa o Exército de ter aplicado uma regra que “carece de suporte legal” no reposicionamento de militares e de com isto ter aumentado em 8,4 milhões de euros a sua despesa pública anual.


PÚBLICO

23.6.11

Três maneiras de ser do PS

No PS, há três maneiras de ser. A primeira, é apoiando o camarada Assis. São os que estão no poleiro e têm medo de perder o tacho, porque não servem para mais nada. A segunda é defender o camarada Seguro.São os que não têm poleiro e têm como lema" Agora é a minha vez". A terceira são os que dizem não querer denunciar quem apoiam, para não influenciarem as vota-ções. São os que já têm muito calo e apoiam sempre o vencedor. Depois, ficam todos amigos e convencidos que o PS é de esquerda.
Desafio/Aposta

Daqui a 4 meses, já ninguém se opõe á renegociação da dívida, excepto os nossos credores, que é como quem diz, ninguém se opõe nessa altura, ao que o PCP diz agora. Mas fica também aqui feita uma aposta; lá para o fim do ano a discussão diária , será em que altura e como deverá Portugal sair do EURO. E para não ficar por aqui; daqui a um ano, o Euro já está morto e enterrado.

Entidades de supervisão do sistema financeiro pagaram seguros de saúde a 569 familiares de trabalhadores

Duas das três entidades de supervisão do sistema financeiro – Banco de Portugal, CMVM e ISP – pagaram em 2009 prémios de seguros de saúde/doença não só aos colaboradores mas também a 569 “familiares mais próximos” e uma das entidades pagou a parte não comparticipada dos Serviços de Assistência Médico Social (SAMS) dos bancários “nas despesas de saúde dos 5551 trabalhadores e a 2017 familiares (no montante de 1,4 milhões de euros)”.

A informação consta no relatório de actividades de 2010 da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que refere mesmo que “nestes últimos casos existem dúvidas sobre a legalidade da atribuição e quanto à sua pertinência face ao actual período de contenção”. Em causa está o artigo 156 da Lei do Orçamento do Estado para 2007 que estabeleceu a cessação de “quaisquer financiamentos públicos de sistemas particulares de protecção social ou de cuidados de saúde”.

A análise comparativa da IGF ao sistema remuneratório das três entidades concluiu ainda que “a maioria significativa dos colaboradores de duas entidades de supervisão beneficiaram de prémios”, o que no entender da IGF, “não parece concordante com o princípio da distinção com base na qualidade do trabalho previsto para a restante Administração Pública”.A IGF critica ainda o facto das três entidades pagarem suplemento de isenção de horário de trabalho “com predominância das regras específicas previstas nos instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho em vez dos constantes no Código de Trabalho (adoptadas directamente por uma das entidades), o que se traduz nalgumas diferenças, tais como a forma de retribuição”. “Além disso, 45 por cento do total de efectivos de uma das entidades beneficiam deste suplemento, o que se afasta da sua natureza excepcional e ocasional”,lê-se no relatório.


PÚBLICO

do modo de vida socretino

PPP. Hospitais construídos por privados saem mais caros

por Ana Suspiro,
As propostas dos privados para a construção de alguns hospitais em regime de parcerias público privado (PPP) são mais elevadas do que o custo que teria para o Estado esses investimentos. Segundo a Inspecção-Geral de Finanças (IGF), "esta situação pode impossibilitar a assinatura de alguns contratos de parceria por o VAL (Valor Acrescentado Líquido) das respectivas propostas ser superior ao custo público comparável". O organismo conclui por isso que nestes casos, desaparecem os benefícios de se optar por uma PPP.

No relatório de actividades de 2010, a IGF analisa um concurso para o hospital Lisboa Oriental em que o custo público comparável era de 376,9 milhões de euros, enquanto que as três propostas entregues oscilaram entre 598 milhões e os 660 milhões de euros. A ex- ministra da Saúde e o ex-secretário de Estado do Tesouro, Ana Jorge e Costa Pina, decidiram rever o custo do comparador público para os 431 milhões de euros, ainda assim um valor abaixo das propostas dos concorrentes. A IGF diz que esta situação inviabiliza a opção por PPP pelo que o concurso deve ser anulado.

A Inspecção das Finanças denuncia ainda o recurso sistemático a consultores externos por parte da estrutura de missão Parcerias Saúde para apoiar a tomada de decisão e alerta para as significativas alterações económicas e financeiras ao longo dos processos de concurso.

22.6.11



Há o "inglês técnico" o "portunhol" e quem não tenha capacidade intelectual de entender ironias

20.6.11

CRIME DE PREVARICAÇÃO


Contratos de 266 mil euros com João Pedroso quando era ministra da Educação

Maria de Lurdes Rodrigues acusada por crime de prevaricação


A antiga ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foi acusada pelo crime de prevaricação no processo relacionado com o contrato celebrado com o jurista João Pedroso, irmão do ex-ministro do Trabalho e da solidariedade, Paulo Pedroso.


Em causa está uma adjudicação directa por parte do Ministério da Educação (ME), no valor de 266 mil euros, para a execução de uma série de trabalhos a partir de um levantamento exaustivo da legislação sobre educação. A verba foi paga, mas o contrato acabou por ser cancelado depois de o PÚBLICO ter revelado que a maior parte do trabalho nunca chegou a ser efectuada.
Além da antiga ministra, estão também acusados a sua então chefe de gabinete, Maria José Matos Morgado, o secretário-geral do ME, João Batista, aos quais são imputados crimes e prevaricação. Também João Pedroso foi acusado pelo procurador do Departamento de Investigação e Acção Penal que dirigiu inquérito.O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) investigou este caso concluindo que “tais adjudicações, de acordo com os indícios, não tinham fundamento, traduzindo-se num meio ilícito de beneficiar patrimonialmente o arguido João Pedroso com prejuízo para o erário público” e que os arguidos “estavam cientes” desse facto.
Durante a investigação foram feitas buscas nas instalações do ME, tendo sido recolhida documentação relacionada com os dois contratos assinados, em 2005 e em 2007, com João Pedroso, então professor em regime de exclusividade na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.