11.3.11

a triste sina de um país




12 de Março



do ProtestoGráfico

9.3.11

do modo de vida socretista

ENERGIA

Presidente da EDP Renováveis ganhou 593 mil euros com prémio

por Ana Suspiro
Ana Maria Fernandes recebeu um bónus anual de 209 mil euros em 2010 e mais que duplicou o vencimento face a 2009
A presidente executiva (CEO) da EDP Renováveis, Ana Maria Fernandes, recebeu no ano passado uma remuneração de quase 593 mil euros. Este valor, divulgado no relatório do governo da sociedade da subsidiária da EDP, representa um aumento de 140% em relação ao vencimento recebido em 2009, incluindo um prémio anual.
Para além da remuneração variável, o vencimento fixo da gestora também subiu face ao ano passado. Ana Maria Fernandes e o resto da equipa foram propostos para um novo mandato à frente da EDP Renováveis. A novidade no futuro conselho de administração da empresa, que vai a votos a 18 de Abril em Oviedo, é a nomeação como administrador de Rui Teixeira que já desempenhava funções na área financeira. 
A EDP Renováveis pagou no ano passado 1,158 milhões de euros ao seu conselho de administração e comissão de auditoria. Este total representa um crescimento de mais de 50% do que em 2009. Só a CEO ganhou prémio.
Os restantes administradores executivos que acumulam funções com o conselho da EDP não receberam salário. Em 2009, o vencimento da gestora na EDP era ajustado em baixo para acomodar o salário na EDP Renováveis. 
A EDP Renováveis optou por não distribuir dividendos pelos resultados de 2010, uma decisão que suscitou um pedido de esclarecimento da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários por contrariar as indicações dadas no prospecto da oferta pública de venda.
Apesar da forte desvalorização em bolsa da filial da EDP, os analistas não antecipam que a eléctrica nacional siga os passos da Iberdrola e lance uma oferta para retirar a Renováveis da cotação.   



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a desgraça



Cavaco não é bom nem faz bem ao País.
Mas a alternativa não é o cada vez mais decrépito e ruinoso socretismo.

6.3.11

12 de Março

do socretismo como modo de vida

Grupo de trabalho custou 209 mil euros e reuniu-se uma vez em 14 meses

Por José António Cerejo
Os ministros da Cultura e das Finanças extinguiram no mês passado um grupo de trabalho que haviam criado um ano antes, para fazer o levantamento dos bens culturais imateriais, mas que apenas se reuniu uma vez e não desenvolveu qualquer actividade de campo. Dois dos membros daquele grupo, que custou ao Estado cerca de 209 mil euros, acusam o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) de nunca ter proporcionado as condições indispensáveis ao seu funcionamento. Um deles, o ex-director regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Marques, responsabiliza pessoalmente o secretário de Estado da Cultura, Elísio Sumavielle, pelo falhanço do projecto e por ter "lesado o interesse público". 

Criado em Janeiro de 2010, o Grupo de Trabalho para o Património Imaterial tinha por objectivo a realização, "no campo", do levantamento "sistemático" e "tendencialmente exaustivo" do património cultural imaterial português. Este levantamento devia ser efectuado no quadro do Departamento do Património Imaterial do IMC e estar concluído até 31 de Dezembro deste ano, constituindo o ponto de partida para a inscrição dos bens imateriais no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial - tarefa que compete legalmente a uma comissão criada em Dezembro último. 

Entre os bens cujo levantamento cabia ao grupo de trabalho avultavam "as tradições e expressões orais", "as expressões artísticas e manifestações de carácter performativo" e "as práticas sociais, rituais e eventos festivos". Para cumprir esta missão, dada a sua grandeza e a escassez de recursos do IMC - que tinha apenas três pessoas no Departamento do Património Imaterial (DPI), incluindo o director -, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, começou por escolher os anteriores directores regionais de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Marques, do Norte, Helena Gil, e do Alentejo, José Nascimento, que ela própria substituiu quando assumiu funções, em Outubro de 2009. Nenhum deles era funcionário do Ministério da Cultura, pelo que foram contratados com a remuneração mensal de 2613 euros, "paga 14 vezes por ano", por um período de 24 meses, renovável por uma só vez. 

De acordo com o previsto, o grupo começaria a trabalhar em Janeiro de 2010 nas instalações do IMC, no Palácio da Ajuda. O atraso na disponibilização das salas levou, porém, a que os três ex-directores nunca se chegassem a instalar em Lisboa. Já em Março, juntaram-se à equipa duas jovens técnicas que passaram a trabalhar diariamente no DPI, reforçando, na prática, o quadro daquele serviço. 

Os três ex-directores, a acreditar nas "informações" avulsas que subscreveram em substituição dos relatórios trimestrais que o grupo estava obrigado a produzir, não fizeram praticamente nada até serem exonerados - com efeitos a partir de 1 de Março -, na sequência da extinção formal da equipa, no dia 12 do mês passado. 

Luís Marques, que há longos anos trabalha na área do património imaterial, e Helena Gil não deixaram, contudo, de apontar o dedo ao IMC nas duas informações que apresentaram ao instituto, em Março e em Julho de 2010. Na primeira, a que juntam uma análise elaborada em conjunto sobre um inquérito lançado pelo DPI junto de centenas de entidades relacionadas com o património imaterial, salientam que essa iniciativa é da "exclusiva responsabilidade do DPI", não tendo o grupo de trabalho tido qualquer intervenção nela, "apesar de a maioria dos seus membros estar ao serviço desde Janeiro". Na segunda, afirmam que o grupo, "por razões exteriores à sua vontade [...], não conta ainda com as condições básicas de funcionamento, designadamente continua a aguardar a disponibilização das salas." Os seus membros, acrescenta o documento, "eventualmente a desempenhar tarefas a nível individual, não deram a conhecer o essencial de uma tal acção, nem reuniram em plenário e discutiram e definiram as regras e metas do seu trabalho". 

"Inércia" e "desleixo"

Luís Marques e Helena Gil notam também que solicitaram reuniões a Graça Filipe - a subdirectora do IMC que tinha a responsabilidade do grupo de trabalho e se demitiu em meados de Fevereiro "por razões pessoais" - para lhe manifestarem a sua preocupação, "mas sem sucesso". 

Já José Nascimento, que o PÚBLICO não conseguiu ouvir, limitou-se a apresentar durante todo o ano três documentos de duas ou três páginas onde afirma ter analisado e estudado algumas convenções da UNESCO e ter traduzido alguns textos de "especialistas convidados pela UNESCO". 

Contactado pelo PÚBLICO, Luís Marques insurgiu-se contra a ideia de que tinha estado um ano a receber sem fazer nada, adiantando que falou várias vezes em demitir-se, mas que sempre lhe disseram que ia finalmente haver condições para trabalhar, o que nunca aconteceu. "O que me dói é terem-me impedido de fazer o que há tanto tempo eu queria fazer", afirma, atribuindo a maior parte das culpas ao secretário de Estado da Cultura. 

"A posição dele foi de completa inércia e desleixo funcional, ficando durante um ano praticamente de braços cruzados sem nos dar as condições mínimas de funcionamento. Esta actuação fez com que o interesse público fosse lesado", acusou o ex-director regional, sustentando que "a direcção do IMC também não pode ficar isenta de responsabilidades". 

2671

Flash Mob - Protesto da Geração à Rasca - 12 de Março

5.3.11

missa do galo



Há muito tempo que não via uma tão grande pessegada!




E ainda por cima pretensiosa...




(salva-se o bom trabalho dos actores)

sucessos

FC Porto deve ficar a mandar no Porto Canal a partir de Julho



O FC Porto vai passar a controlar o Porto Canal a partir do Verão, provavelmente em Junho ou Julho, e imprimir-lhe uma orientação própria, que no entanto não deve seguir as que são comuns destes canais temáticos de clubes desportivos, tipo Benfica TV ou Real Madrid TV, mantendo-se como um canal generalista de inspiração portista.


Que bom destino tiveram os dinheiros da Câmara que o Dr. Pinto anda há anos a dar ao Porto Canal!

4.3.11

jogos


O Diário da República de hoje é integralmente dedicado aos jogos de fortuna e azar


municipalização?

Pessoalmente sou contra a municipalização dos estádios.
Por muitas e diversas razões; e todas vão bater nos motivos de baixa política que estão na origem da ideia.

Não percebo é que se possa ser contra a ideia de um referendo em que os munícipes possam expressar a sua opinião sobre o assunto, que é do interesse de todos.

2.3.11

Son necessarios dos para dançar el tango

Por meios que não posso divulgar, tive acesso a uma antevisão da conversa da Angela com José: Angela: José, desculpa ter-te chamado, mas precisamos falar. José: Como eu te compreendo Angela;eu é que peço desculpa porque me competia a mim ter adivinhado e vir mais cedo em teu socorro. Angela: Em meu socorro? Deves estar enganado. José: Não estou nada, minha querida. Eu nunca me engano; não te esqueças que sou a alma gé-mia do Silva; da nossa raínha de Inglaterra. Angela: Bom, o que eu te queria dizer, é que isto não pode continuar. José: Não podia estar mais de acordo contigo; esta pouca vergonha tem que acabar; senão chamo o Barroso e só lhe digo: quero isto porreiro pá. Angela: XIÇA; CALA-TE POR FAVOR E DEIXA-ME FALAR. Quero eu dizer que temos que intervir em Portugal, financeiramente, para evitar o efeito dominó, e darmos cabo de tudo. José: Ok eu sacrifico-me. Agora deixa-me ir fazer a minha corridinha do dia porque hoje ainda não fiz exercicio

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Á chegada a Portugal, José Socrates declarou que para salvar a UE, Angela Merker, lhe pediu insistentemente que deixasse o FMI entrar em Portugal, por causa da Espanha, Grécia , Irlanda.



O alvoroço dos barões

por Baptista Bastos
Barões do PS contra Sócrates por suspender regionalização." A grave notícia, publicada no DN de anteontem, deixou muitos corações perplexos. Entre os quais, o meu, pobre, e constantemente sobressaltado. Não sei quem são, não os conheço nem estou arquejante de curiosidade para conhecer esses pouco assinalados barões. A perplexidade advém da mera circunstância de as sucessivas direcções do PS terem suspendido tanta coisa, que mais esta suspensão não deveria suscitar alvoroço. Mário Soares suspendeu o próprio PS ao colocar o "socialismo na gaveta", a fim de o resguardar de tentações libidinosas. O PS, cuja origem "socialista" sempre deu que pensar, estava fragmentado à nascença, quando um destemido grupo de advogados e afins, o "fundou", numa recôndita cidade alemã. Era preciso, segundo o siso de alguns estadistas europeus, criar uma organização política, estruturada e com apoios financeiros, que se opusesse à hegemonia do PCP.
Houve alguns equívocos. Uns, fatais, como o de se baptizar o grupo de "socialista", designação extremamente franzina; outros, pitorescos, como aquele estribilho: "Partido Socialista, Partido Marxista", nascido, sabe lá hoje?, de que cabecinha privilegiada. Willy Brandt, "grande amigo de Portugal", como Portugal sabe, de Norte a Sul, ficou furioso quando soube do extraordinário estribilho. Socialista, vá que não vá; agora marxista, o destempero soava a blasfémia. Ajudara o agrupamento a formar-se, e aquela frase rimada, além de maluca e absurda, era perigosa. Rasurou-se, com arfante rapidez, a desmedida loucura. E também se deixou de saudar com o punho direito erguido, substituído pelo esquerdo. Aos poucos, mesmo este, símbolo tímido e um pouco envergonhado, cedeu o lugar a uma triste rosa pálida, metaforicamente a desfolhar-se no manso logótipo.
O PS tem sido tudo isto e o inferno também. Sempre foi um estado d'alma, uma comovida exaltação de fatigados republicanos e nostálgicos antifascistas, antes de ser o que nunca foi: um partido de Esquerda, com o desígnio de mudar o País política e socialmente. Aos poucos, degenerou na massa parda do clientelismo, das cumplicidades duvidosas, dos sinuosos acordos de poder. Exactamente porque jamais foi "socialista", o que quer que a palavra signifique hoje.
O alvoroço dos "barões" não tem razão de ser. Ou talvez tenha uma: a de ainda se desconhecer como o bolo da regionalização vai ser repartido. A pátria está de rastos; o Governo coloca-se de joelhos ante a senhora Merkel; sobe o desemprego; aumenta a fome e o desespero; a toda a hora somos humilhados com infaustas notícias sobre a dívida e as decisões do Banco Central Europeu; ninguém nos dá conta de nada; tudo é sigiloso e clandestino.
Menos a nossa infelicidade.

2662




Regionalizar Paço a passo

Por ordem de Sócrates, o Partido Socialista pôs a Regionalização na gaveta. De onde esta aliás nunca tinha saído. Mais uma promessa não cumprida pelo PS, sintoma de que mais um líder foi engolido pela Lisboa-Capital.

Este recuo do primeiro-ministro constitui, além do mais, um sinal de que a sua apregoada qualidade de resistente se está a esgotar. O modelo de regionalização que interessa ao país exigiria muita coragem. E esta já não existe.
A reforma administrativa que se impõe consiste em substituir de vez o actual sistema de governo por um novo modelo totalmente descentralizado, que dê autonomia às populações de cada região em domínios que vão da saúde à educação ou da segurança social à agricultura e às pescas. Neste novo paradigma, o governo central manteria competências apenas em matérias relativas à soberania, segurança, justiça ou representação do Estado. Um executivo com estas atribuições teria na sua composição poucos ministérios, como o dos Negócios Estrangeiros, Defesa, Administração Interna ou Justiça. Todas as restantes políticas poderiam ser decididas regionalmente e a sua coordenação a nível nacional poderia ser feita ao nível do gabinete do primeiro-ministro.
É claro que este modelo implicaria desmantelar a Administração Pública caduca e colonial que subsiste em Lisboa. A regionalização surgiria assim como um óptimo pretexto para a redução drástica da despesa pública. Poderiam extinguir-se mais de metade dos ministérios. Teriam de ser reconvertidos os 60 mil funcionários públicos que Lisboa emprega. Os funcionários do Ministério da Agricultura que nunca devem ter visto uma couve teriam de ir viver no campo. Os três mil funcionários da sede do Ministério da Educação teriam de ir trabalhar. E o mesmo se passaria com todas as outras repartições da Administração Central.
Por este tipo de regionalização vale a pena lutar. Já, por outro lado, devemos rejeitar liminarmente essoutro arquétipo que consiste na multiplicação de pequenos "terreiros do paço" espalhados pelo país, com todos os seus defeitos. Para isso, mais vale estar quieto. Porque, como diz o ditado, "p'ra pior, já basta assim".

2661

1.3.11

OK, vamos lá então falar do PSD
Pedro Santos Guerreiro



Portugal, arruinado, vive da ajuda temporária dos bancos centrais. Não chega: a uma bicicleta em queda livre de nada servem as rodinhas.
Servirá mudar o ciclista? O PSD pensa que sim, quer eleições e diz porquê - mas não sabe ainda explicar para quê. 

O PS tem, desde o início, um Governo com medo de cair; o PSD tem, desde Passos Coelho, pressa em ascender. Um e outro parecem decidir o que fazem não em função do que é melhor para este cromo de uma caderneta alheia que é hoje Portugal, mas sim do seu poder, partidário e pessoal. A ajuda externa pode precipitar, na nossa queda, a do Governo. 

Desde 2008 que não se governa em Portugal. Em 2011 somos governados de fora. E José Sócrates, mesmo que não tenha sido culpado deste descalabro total, foi o primeiro-ministro a quem confiámos, a partir de 2005, que nos salvasse dele. Fracassou. A teoria da vitimização, que é outra face da negação que a precedeu, é uma cobardia. A tempestade é igualmente devastadora, mas as naus são os outros, de bote vamos nós. 

A ajuda externa, de uma forma ou de outra, virá. E o PSD, que se preparava para provocar eleições com o chumbo do próximo Orçamento do Estado, pode ter oportunidade de desalojar Sócrates até ao Verão. Isso, e as sondagens, colocam Pedro Passos Coelho possível próximo primeiro-ministro. O próprio já o pressente e, depois de andar semanas a mandar calar os excitados que o adulam, mudou no fim-de-semana. Já tem coordenador para o programa eleitoral. Já pediu uma maioria clara. Já ataca o tabu da estabilidade - já arregaça as mangas. Está na hora de ser exigente com Pedro Passos Coelho. E das duas dúvidas que ele levanta: a sua consistência ideológica e a sua autonomia face a quem o rodeia. 

Ser consistente significa poder mudar de opinião sem dobrar a convicção. É ser guiado pela sua própria cabeça e não pelo pensamento dominante em cada altura, tão histriónico quanto volúvel. Passos Coelho diz bem quando diz: isto é o que eu defendo, esta é a minha social-democracia, é vossa a opção de me dar poder ou não. Mas depois mostra-se plasticina quando os temas fracturam: na revisão constitucional; na privatização ou encerramento das empresas públicas perdulárias. Uma boa questão mal colocada - que ninguém percebeu e, pelos vistos, nem o próprio. Bastaria dizer: o Estado define, e paga, o que é serviço público; com essa receita do Orçamento, a empresa tem de ter equilíbrio económico. Não é mais aceitável engrossar dívidas "porque sim". 

Ser autónomo é ser independente do partido que o vai corroer com as pressões, cunhas, lóbis, interesses, corrupções, conspirações. E aí, lamento se estou a ser injusto, olha-se à volta de Passos Coelho e fica-se com medo. Imagine-se um Governo com Miguel Relvas como ministro da Presidência, Marco António Costa nas Obras Públicas, Diogo Leite Campos na Justiça ou Jorge Moreira da Silva no Ambiente. Passos Coelho não resistirá a ser olhado como líder de gente fraca ou a tratar do "business". 

O facto de Eduardo Catroga ter sido chamado para credibilizar o PSD é em si mesmo uma demonstração dessa fragilidade. Em breve, o grupo "Mais Sociedade" trará outras capacidades mas o PS dirá, apontando para António Carrapatoso, Joaquim Goes ou Rui Ramos, que o Compromisso Portugal tomou conta do PSD. Nessa altura, o que fará Passos Coelho? Demarca-se, compromete-se, assume-se abaixo ou acima disso? 

Passos Coelho tem de mostrar que foi ele que escolheu os seus conselheiros, não que foram os seus conselheiros a escolhê-lo a ele. Só se o for merecerá o que quer: ser o próximo primeiro-ministro de Portugal. Porque nós, nós o que queremos é que quem o for interrompa esta infinita tristeza de não gerar um Governo de jeito em décadas.

28.2.11

O enterro da regionalização





O enterro da regionalização!

Não é coisa que surpreenda ou para a qual não se tenha chamado a atenção na campanha eleitoral de 2009: Sócrates está nos antípodas da regionalização e de tudo o que seja abrir mão da férrea concentração de poder no seu fiel núcleo duro. Por isso, não espanta que esteja agora a tentar enterrar a regionalização para proteger o feroz centralismo, uma das pedras de toque da sua governação.

Em maioria absoluta, Sócrates riscou a regionalização do seu programa e adiou-a para as calendas perante a passividade dos que no PS a defendiam; em 2009, tentando conter danos eleitorais, Sócrates ainda disse que a regionalização era uma "reforma indispensável e urgente". Já estaria a pensar no pretexto a usar para justificar o recuo...
Cai assim por terra mais uma máscara a Sócrates, agora a da regionalização. Em 2013, o PS terá oito anos de Governo sem dar um único passo concreto para cumprir a Constituição, que prevê a criação de regiões. E não sei se, também neste aspecto, Cavaco Silva vai "cooperar estrategicamente" ou se vai dar alguma nota sobre o que é (mais) uma reiterada inconstitucionalidade por omissão deste Governo.
Curiosamente, a mais recente machadada na regionalização dada por Sócrates usa - em sentido oposto - os mesmos argumentos que levaram Carlos Lage e a CCdRN a organizarem debates e conferências, e a encontrarem-se com os Grupos Parlamentares, defendendo que esta reforma administrativa, em tempo de crise, seria a melhor resposta para enfrentar os desafios do desenvolvimento do país!
Parece assim haver uma traição reiterada da direcção do PS à Regionalização: em 1998, acertou com o PSD liquidar a regionalização e constitucionalizar o referendo; em 2011, Sócrates segue Guterres e vai ao congresso do Porto enterrar a regionalização.

2658




Sócrates põe. Merkel dispõe

Em linguagem oficial, Sócrates "aceitou um convite da chanceler alemã Angela Merkel para uma reunião em Berlim no dia 2 de Março". Em linguagem comum, usada por alguns jornais para intitular a notícia, "Merkel chamou Sócrates a Berlim".

Entre uma e outra situa-se a controversa questão do livre arbítrio: será que o Homem (no caso, o nosso homem em S. Bento) tem de alguma autonomia face ao que a divindade (ou, como diz a dra. Ferreira Leite, "quem paga") dispõe? Em termos ainda mais simples, poderia Sócrates (ou outro nas mesmas circunstâncias) ter recusado o "convite"?
O encontro - marcado, por coincidência, para o dia de mais um dos animados leilões da dívida portuguesa - destinar-se-ia a "discutir" a flexibilização, pretendida por Portugal e a que a Alemanha tem posto as maiores reservas, do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Tendo porém em conta a capacidade negocial de Portugal na matéria, o mais certo é que a senhora Merkel tenha convocado Sócrates só para lhe comunicar o que já decidiu.
Sócrates tem dito e repetido que não quer o FMI a dar ordens em Portugal. Pelos vistos, prefere recebê-las directamente da senhora Merkel. Assim os portugueses sempre podem manter-se na ilusão de que, de 4 em 4 anos, elegem quem os representa e governa e não meros porta-vozes.
As crónicas estarão a partir de hoje de férias, regressando, se a senhora Merkel não dispuser outra coisa, em Abril.

27.2.11

EUA arrasam Ministério da Defesa e Militares Portugueses

O documento vindo a público na Wikileaks, diz entre muitas outras coisas, que os nossos militares têm um desejo por brinquedos caros sustentado por um complexo de inferioridade, não se importando se são úteis ou não, dando como ex. os submarinos.

Sobre o Ministro Severiano Magalhães, dizem ser fraco, ridicularizado e não respeitado pelas chefias militares.

E que diz o nosso inefável Ministro Santos Silva???? isto que se transcreve:

"A minha opinião é de condenação.A confidencialidade desses e doutros documentos é necessária para os países assegurarem a liberdade e segurança das suas populações".

Não se insurgindo contra as afirmações feitas, o simpático ministro, duma vez só, dá uma facada nas costas dos Generais e do colega Ministro. É a vingança possível de quem nem sequer mereceu a atenção do referido embaixador.

Dos EUA, nós e a Europa já agora, admitimos tudo. Podem insultar-nos á vontade.

25.2.11

2656




Maus augúrios para Kadafi

Mais do que as notícias do avanço da rebelião popular sobre Tripoli, o sinal de que as coisas vão de mal a pior para a ditadura de Kadafi são os ratos que nos últimos dias têm saltado apressadamente do barco. Porque o instinto do tipo de ratazanas que, sob a capa da "realpolitik", se junta à volta da mesa de ditadores de toda a ordem, por mais sanguinários que sejam, com a intenção de apanhar umas migalhas do banquete, nunca se engana.

Basta ouvir agora os "amigos" de Kadafi que ainda há pouco lhe tinham ido cantar os parabéns pelos seus 40 anos de poder absoluto para perdermos alguma réstia de esperança que ainda pudéssemos ter na natureza humana e, em particular, na natureza da política.
Felizmente para a Internacional Socialista, Kadafi não tem um partido e não abrilhanta, pois, o rol de ditadores "socialistas" da organização, ao contrário do RDC de Ben Ali e o PND de Mubarak (ou do FPI de Gbagbo e do MPLA de Eduardo dos Santos). Assim, a IS não terá que expulsar desta vez nenhum partido recém-apeado do poder.
A mesma sorte não tem a ONU. Ontem, o PNUD já se apressou a demitir a filha de Kadafi, Aisha, de "embaixadora da boa vontade" (que terá ela feito ontem que não fizesse há muitos anos?). Espera-se agora pelo que fará também o Conselho "dos Direitos Humanos", de que a Líbia (ao lado de outros notórios defensores dos direitos humanos, como Angola ou a Tailândia) é honorável membro.

24.2.11

2655




Vampiros e eunucos

Há 24 anos, feitos ontem, morreu José Afonso. Entretanto, vindos "em bandos, com pés de veludo", os vampiros foram progressivamente ocupando todos os lugares de esperança inaugurados em 1974, e hoje (basta olhar em volta) os "mordomos do universo todo/ senhores à força, mandadores sem lei", enchem de novo "as tulhas, bebem vinho novo" e "dançam a ronda no pinhal do rei", tendo, em tempos afrontosamente desiguais, ganho inaceitável literalidade o refrão "eles comem tudo, eles comem tudo/ eles comem tudo e não deixam nada".

Talvez, mais do que legisladores, artistas como José Afonso sejam, convocando Pound, "antenas de raça". Ou talvez apenas olhem com olhos mais transparentes e mais fundos. Ou então talvez a sua voz coincida com a voz colectiva por transportar alguma espécie singular de verdade. Pois, completando Novalis, também o mais verdadeiro é necessariamente mais poético.
O certo é que a "fauna hipernutrida" de "parasitas do sangue alheio" que José Afonso entreviu na sociedade portuguesa de há mais de meio século está aí de novo, nem sequer com diferentes vestes; se é que alguma vez os seus vultos deixaram de estar "pousa[dos] nos prédios, pousa[dos] nas calçadas". E, com ela, o cortejo venal dos "eunucos" que "em vénias malabares à luz do dia/ lambuzam da saliva os maiorais".
Lembrar hoje José Afonso pode ser, mais do que um ritual melancólico, um gesto de fidelidade e inconformismo.