8.2.10

1711


Os limites do segredo

Não verto lágrimas pela extinção de um programa de TV como o “Jornal das 6ª" que, nada tendo a ver com a informação isenta e imparcial, manifestamente prosseguia uma determinada agenda política.
Parece-me aliás evidente a falta de um autêntico pluralismo de opinião na comunicação social de hoje, dominada pelos grupos económicos, que, além dos inte-resses económico-financeiros, têm também interesses políticos…
Mas é óbvio que uma coisa é o interesse público na existência de pluralismo de opinião, outra o interesse (de algum titular) do poder político circunstancial em silenciar vozes incómodas, ainda que pouco dignas de fé. A tolerância à crítica, ainda que soez, deve ser apanágio dos titulares de cargos públicos. O TEDH tem muita jurisprudência sobre isso. No caso de difamação, há os tribunais. Fazer calar alguém por meios ínvios, não assumidos, é que não é admissível. 
A revelação pelo "Sol" dos despachos do MP e do JIC e de parte das escutas do caso “Face Oculta” suscita algumas questões.
Como cidadão, condição inalienável, emitirei a minha opinião.
Tendo sido proferido despacho de arquivamento sobre as certidões extraídas do processo de Aveiro, por inexistência de indícios suficientes do eventual crime de atentado ao Estado de Direito, está encerrada a discussão jurídico-judicial sobre essa matéria (a não ser que surjam novos elementos). 
Mas não a de foro político (da "polis"). Na verdade, uma determinada situação ou acção pode não ser penalmente ilícita, mas ser eticamente censurável. Os actos dos titulares de cargos públicos estão sujeitos a um particular escrutínio por parte dos seus concidadãos nessa dimensão (ética). O TEDH tem também muita jurisprudência sobre este ponto.
Apresenta-se, pois, como de interesse público a revelação e a discussão dos elementos que possam habilitar o povo a formar e emitir opinião sobre o tema. O segredo de justiça não é um valor absoluto. O interesse público prevalece, na ponde-ração de interesses com os protegidos pelo segredo. Aliás, nenhum facto indiciado se reporta à vida privada ou íntima de quem quer que seja.
Manter o segredo, pelas incertezas e dúvidas que alimentaria, seria até pior para os próprios “interessados”. E, em qualquer caso, pior para a formação adequada e justa da opinião pública, que de outra forma ficaria à mercê de atoardas e especulações que não poderia escrutinar.

1710





Notícias do naufrágio


Diz-se que, enquanto o Titanic se afundava, no salão de festas a orquestra continuou a tocar. A ter sido assim, deve ter havido um momento em que, ou porque a água chegou aos instrumentos ou porque chegou o pânico aos instrumentistas, a orquestra desafinou.
Ouve-se o primeiro-ministro dizer que o défice foi, afinal, uma opção do Governo, espécie de derrapagem controlada para tentar sair em velocidade da curva e, ao mesmo tempo, o ministro das Finanças confessar que se enganou quanto ao tamanho do "iceberg", e a desafinação dos solistas da crise orçamental não parece bom prenúncio. Acrescente-se a visão do governador do Banco de Portugal metido num bote a caminho de uma organização internacional e ceceando a monótona mantra do "Aumentem-se os impostos, baixem-se os salários" enquanto se multiplicam os rombos na credibilidade das instituições, e justificar-se-ia que crescesse a inquietação. Mas o Sporting perde, o Benfica empata, o seleccionador nacional esmurra não sei quem e Mimi Travessuras vem cantar a Lisboa. E, como que por milagre, dissipam-se, a julgar pelos jornais, todos os perigos.

1709

Nomeações de Sócrates já acima de Durão e Santana

Por João d"Espiney
Em pouco mais de três meses, o Governo de José Sócrates já recrutou quase um milhar de pessoas só para os gabinetes ministeriais. E o número ainda vai aumentar


7.2.10

1708


A GRAVE SITUAÇÃO DO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA


AS DÚVIDAS SOBRE AS RAZÕES QUE FUNDAMENTARAM O DESPACHO DE ARQUIVAMENTO
As peças vindas a público este fim-de-semana do processo “Face Oculta” deixam ficar Pinto Monteiro, Procurador Geral da República, numa situação muito delicada.
É que não adianta nada argumentar no estilo Marinho Pinto para o ilibar das graves responsabilidades que sobre si recaem dizendo que despacho de arquivamento por ele proferido já transitou em julgado e que todo este alarido não passa de uma forma de torpedeamento daquela decisão. E não adianta, porque já não se está a discutir a solução para uma questão jurídica controvertida. O que agora se está a discutir é uma questão política decorrente de uma decisão jurídica.
E a questão política é muito fácil de equacionar: dois magistrados que têm a seu cargo a investigação criminal do “Processo Face Oculta” entenderam, pelos elementos de prova recolhidos durante a investigação a seu cargo, que havia indícios graves do crime de atentado contra o Estado de Direito e nessa conformidade extraíram as respectivas certidões e enviaram-nas ao Procurador Geral para instrução do respectivo processo, já que, sendo o indiciado quem é, só pode ser julgado pelo STJ competindo a cada juiz das Secções Criminais daquele tribunal dirigir a instrução, presidir ao debate instrutório e proferir o despacho de pronúncia ou não pronuncia.
Como os indícios parecem indiscutíveis, a questão que hoje se põe ao PGR é a seguinte: em qualquer outro processo, que não envolvesse personalidades sujeitas a foro especial, em que houvesse indícios de crime com a mesma força indiciária dos existentes no processo “Face oculta”, teria o PGR, ou qualquer procurador ou agente do MP, ordenado o arquivamento do processo?
A opinião pública em geral pensa que não. E a opinião pública jurídica especializada pensa exactamente o mesmo que a opinião pública em geral.
O refúgio na invalidade jurídica dos indícios não é argumento. Não é argumento porque segundo a melhor opinião tais indícios foram obtidos de forma juridicamente válida; não é argumento porque o próprio PGR emitiu sobre a substância dos indícios, abstraindo da questão da validade, um juízo de avaliação sobre a sua hipotética força probatória; e não é argumento finalmente porque a investigação poderia sempre fazer-se mesmo que os indícios tivessem sido juridicamente colhidos de forma invalida, já que, nesse caso, o que seria inválido era a sua utilização probatória e não o conhecimento que via deles se obtém.

1707

Opinião

Um homem perigoso

Por Vasco Pulido Valente
Alegadamente, o primeiro-ministro aprovou (ou, pelo menos, conhecia) um plano secreto e pouco saboroso para remover alguns críticos, que o irritavam, fazendo comprar a TVI e parte da imprensa por gente da sua confiança. As criaturas que ele queria exterminar eram, entre outras, o casal José Eduardo Moniz-Manuela Moura Guedes, como responsável pelo Jornal de Sexta, e José Manuel Fernandes, como director do PÚBLICO. Isto, a ser verdade, roça o absurdo. Nem o Jornal de Sexta, nem o PÚBLICO tinham o poder de pôr em risco o Governo ou sequer de afectar significativamente o prestígio e o estatuto de Sócrates. Se alguém tinha esse poder era o próprio José Sócrates, para não falar no grupo obscuro e anónimo, que, segundo se depreende dos documentos que o Sol revelou, o serviu zelosamente no terreno.
Não vale a pena insistir na ilegalidade e, sobretudo, na profunda imoralidade da operação, se por acaso existiu como a descreveram. Em qualquer sítio para lá de Badajoz, nenhum político sobreviveria um instante a essa grosseira tentativa de suprimir com dinheiro público o livre exame e a livre crítica, que a Constituição e os costumes claramente garantem. Mas não deixa de surpreender (e merecer comentário) que um primeiro-ministro de um partido que se gaba das suas tradições democráticas, declare por sua iniciativa, e sem razão suficiente, guerra aberta à generalidade dos media, que não o aprovam, defendem e bajulam. Não há precedentes na história deste regime de um ódio tão obsessivo à discordância, por pequena que seja, ou a qualquer oposição activa, de princípio ou de facto.
O autoritarismo natural de Sócrates não basta para explicar essa aberração na essência inteiramente inexplicável. Tanto mais que ela o prejudica e dá dele a imagem de um homem inseguro e fraco. Pior ainda: de um homem desequilibrado e perigoso. A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda. Ou melhor, de que, para ele, a propaganda substituiu a vida: Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal. Do "Simplex" que nada simplifica ao estranho melodrama sobre as finanças da Madeira que nada pesam, aumenta dia a dia a distância entre o que país vê e compreende e o que o primeiro-ministro afirma enfaticamente que é. Está perto o ponto em que só haverá uma solução: ou desaparece ele ou desaparecemos nós.

6.2.10

1706


1 - Os que defendem Sócrates não negam a veracidade do que se vai sabendo, não justificam politicamente os actos praticados, não dão a cara pelo «chefe».
Discutem qualidade de jornalismo e segredo de justiça.

2 - Os que defendem o «chefe» e os que não se distanciam da porcaria em que ele está atolado e para a qual nos quer arrastar terão no futuro dificuldade e apresentar-se como sérios, democratas, socialistas.
E de esquerda.



1705



Calhandra
Melanocorypha calandra

4.2.10

1701


1700




1699

Chegamos ao pântano?


PSI 20 (act.)
Lisboa afunda 5,7% e volta a níveis da falência da Lehman
Eudora Ribeiro


A bolsa portuguesa está a acentuar as perdas da sessão e voltou aos níveis da falência do histórico Lehman Brothers. O PSI 20 é o índice que mais cai em todo o mundo e tem 12 títulos a perder mais de 6%.
O PSI 20 afundava 5,68% para 7.388,30 pontos, o nível mais baixo desde a falência do norte-americano Lehman Brothers, que esteve na origem da maior crise mundial desde a Segunda Guerra Mundial.
A bolsa portuguesa é mesmo a que mais afunda em todo o mundo, seguida pela bolsa espanhola, que perde 5,6%. Isto porque, depois da Grécia, as atenções dos investidores voltam-se agora para outros países da zona euro que apresentam mais riscos de entrar em incumprimento, ou seja, Portugal e Espanha, onde os planos para reduzir o défice foram menos agressivos, tal como notou na semana passada a Moody's numa nota de análise sobre Portugal.
Os bancos são os que mais estão a ser castigados por este 'sell-off' porque são os que vão ser mais penalizados pelo aumento do custo da dívida nacional que também se está a fazer sentir. É que os CDS portugueses a cinco anos estão hoje a negociar acima dos 220 pontos, o que corresponde a um novo máximo recorde.
Em Lisboa, os títulos do BCP tombavam 8,66% para 0,70 euros, enquanto BES e BPI cediam mais de 6,5%.
A Teixeira Duarte era, contudo, a acção que mais valor perdia em Lisboa, com uma queda de 9,2% para cotar nos 0,84 euros. A Cimpor e a Sonae Indústria também se destacam com tombos superiores a 8%.
As acções da EDP, da Portugal Telecom e da REN são as que melhor estão a resistir a este 'sell-off', com descidas de cerca de 2%.
Mas não são só as bolsas portuguesa e espanhola que estão a viver um dia negro. As bolsas europeias estão a viver a pior sessão dos últimos dois meses, com quedas superiores a 2% e os índices norte-americanos também caem cerca de 2%.
"Há receios de que os défices da Grécia, de Portugal e Espanha estão demasiado altos", afirmou Manfred Hofer, especialista da LGT Capital Management à Bloomberg.

aqui








“Ou se continua como até aqui, aumentando todos os anos o quinhão de estado, e correndo mais tarde ou mais cedo o risco de estouro ou podemos cortar forte na despesa pública. Teremos guerras e guerrinhas, corporações em peso em protesto, clima de guerrilha institucional e um governo de curta duração. Cortar forte na despesa pública só pode significar um explosivo cocktail que incluirá na sua receita coisas como programas de redução de funcionários públicos, encerramento de dezenas de institutos e comissões, concessões de serviços até aqui públicos, menos dinheiro para a saúde, educação e cultura (encerramento de escolas, diminuição de subsídios), cortes importantes em subsídios e na segurança social, privatizações da RTP, TAP, ANA, etc. Mas… só assim poderemos esperar taxas de crescimento futuras que nos aproximem da UE. Quem terá coragem? Estas coisas não são fáceis de conseguir em democracia.”

1698

Lacão promete consequências políticas se lei for aprovada



Jorge Lacão: “Está naturalmente em causa a governabilidade”



Esperanças...

1697

1696





Umas 'migalhas' para Jardim

Jardim tem-se dado bem com o recurso sistemático à chantagem para vampirizar o Orçamento do Estado e conseguir recordes de endividamento que lhe vão permitindo fazer, com dinheiro alheio, a obra "urbanística, rodoviária e turística" que Almeida Santos tanto admira e alimenta há anos as tentaculares clientelas locais do PSD. Agora, com o défice em 9,3% e um Orçamento fortemente restritivo (salários congelados, obras públicas suspensas, aumento de impostos à vista), Jardim exige mais uns milhões (umas "migalhas", diz Guilherme Silva) aos "cubanos", contando com o facto de ter o PSD como refém. À custa dos otários do Cont'nente, a Madeira tem hoje um poder de compra "per capita" de 95,46% da média nacional (Trás-os-Montes tem 66,33%, o Douro 67,93%, o Minho 71,21%, a Beira Interior Norte 70,88%, o que, como diz Vítor Bento, mais que justificaria que fosse a Madeira a ajudar essas regiões e não elas a continuar a pagar o Carnaval orçamental madeirense). Mas vá dizer-se isso à Oposição parlamentar que, falando muito em "rigor", apenas vê no caso a oportunidade para entalar o PS minoritário...

3.2.10

1695



Contas cruzadas



Carlos Marques de Almeida 

Equilibrar o Orçamento é como ir para o Céu – todos querem lá chegar, mas ninguém é capaz de fazer o mínimo para lá chegar.
O Orçamento de Estado para 2010 nem sequer sofre desta ilusão, uma vez que assume os comportamentos desviantes do Governo sem vergonha ou omissão. Pode dizer-se então que estamos perante um Orçamento realista? Talvez. Mas a forma da besta com 8.3% no ´deficit' e 85.8% na dívida pública desfaz o mito urbano e socialista de uma governação competente. A maioria moral que governou o país nos últimos cinco anos conseguiu o feito de atrasar Portugal por mais dez anos. O primeiro-ministro Sócrates pode orgulhar-se de ser o autor de mais uma década perdida. No meio de uma crise estrutural agravada por uma pesada crise internacional, o primeiro-ministro só pode ser a imagem de mais um herói improvável. A verdade é que o Orçamento é uma peça desgarrada, uma alavanca solta de um Governo sem engrenagem. Não há visão ou propósito, não há confiança nem ambição. Salve-se pois o pouco que ainda resta.
Politicamente, o Orçamento é um ponto zero, é a negação da Legislatura anterior. O Governo vem exibir ao sufrágio público o fiasco político e o colapso de mais uma modernização. Aliás, basta observar o clima político que envolve o país. O primeiro-ministro foge do debate puro e duro e vive numa redoma rosa em que cada discurso completa mais um momento zen. O Governo tem uma estratégia defensiva e conformista em que a apatia alterna com a excitação. O primeiro-ministro transformou a governação numa espécie de ‘road show' para português ver. Junte-se ainda o elemento da chantagem política virada para a Oposição e apontada contra a Presidência da República. A chantagem do Governo é a fonte da instável estabilidade em que o país vive. Mas a Oposição também não prima pela eficácia neste cenário turbulento. Na questão política do Orçamento, a esquerda radical revela a sua estrutural inutilidade, agarrada a um estatismo reciclado e suicida. As direitas, perdidas e sem projecto, são o velho abono de família de uma esquerda moderada e envergonhada no PS. Assim se explica um Orçamento à medida da conveniência do Governo e à escala da monstruosa inconveniência dos portugueses. O Orçamento é o resíduo das oportunidades perdidas pelo Governo e pelo país.
No entanto, no centenário da República, o Governo celebra cem dias de política. Cem dias de Governo equivalem a cem dias de um país em estado de coma. A República sectária, instável, violenta e nada democrática parece constituir uma inspiração para o Governo. Fraca e pobre inspiração. Na confusão de tamanho anacronismo, o Governo anuncia os infalíveis "cheques-bebé". O primeiro-ministro só pode ser um génio da política ao serviço de um país maléfico e ingrato.

1694



A lei proposta não resolve o problema da corrupção.

Mas ajuda.

Daí, apoio!

1693


Texto do Rui Viana Jorge:

O Orçamento de Estado para 2010, apresentado pelo Governo, não é, como poderia e deveria ser, um instrumento para combater a grave crise económica e social, nem para atenuar as desigualdades sociais e as assimetrias regionais que se têm avolumado de ano para ano.
A destruição do aparelho produtivo, a repartição da riqueza cada vez mais desigual e em desfavor dos rendimentos do trabalho, o aumento do desemprego e da pobreza são, entre outras, marcas das políticas que os sucessivos governos têm implementado.
O Orçamento de Estado para 2010 vai em sentido contrário ao que o País necessita, designadamente quanto ao reforço da sua capacidade produtiva, à melhoria das condições de vida de quem trabalha, ao desenvolvimento harmonioso combatendo as assimetrias.
O Orçamento de Estado para 2010 constitui um documento pouco transparente, com verbas avultadas em verdadeiros “sacos azuis”, sem qualquer referência a taxas de execução de investimentos que transitam de orçamentos anteriores e a forma como o Governo apresenta o PIDDAC dificulta a comparação, é uma manobra deliberada para tentar impedir o acesso à informação.
Tudo isto revela o propósito de se esconder o que o orçamento realmente é, tornando-o depois, na sua aplicação, uma caixinha de surpresas, contudo sempre amargas para a generalidade dos Portugueses.




AGRAVA-SE O DESINVESTIMENTO NO DISTRITO


O que o OE 2010 nos mostra é que o investimento público diminui substancialmente face ao ano anterior. E mostra-nos, ainda, em termos de PIDDAC que o Distrito do Porto continua a ser fortemente descriminado, e de uma forma crescente, pelo actual Governo PS, tal como nos anteriores de maiorias absolutas sejam elas do PS,PSD com ou sem o CDS.
É bom recordar que o PIDDAC 2009 foi inferior ao PIDDAC 2005 em mais de 850 milhões de euros, significando uma redução de 71%!
Sabe-se, e a população sente-o, que o Distrito do Porto vem empobrecendo crescentemente há vários anos. A destruição do tecido produtivo a um ritmo mais intenso do que se verifica no País e as taxas de desemprego e pobreza muito superiores à média nacional são algumas das consequências das opções políticas de sucessivos governos, de governos cada vez mais centralizadores.
O PIDDAC 2010 constitui um verdadeiro insulto a quem vive e trabalha no Distrito e, também, a quem exerce a sua actividade económica, designadamente aos micro, pequenos e médios empresários que constituem a esmagadora maioria.
Se compararmos as verbas previstas no PIDDAC 2010 com as do mesmo documento do ano anterior assistimos a uma redução de 84%, enquanto no País essa redução foi de “apenas” 30%! Um verdadeiro escândalo!
E este escândalo assume proporções ainda maiores se levarmos em consideração o factor população.
Na verdade a população do Distrito do Porto representa 17,2% da população nacional mas o Distrito apenas beneficia de 2% do PIDDAC global!
Daqui resulta que, se calcularmos o PIDDAC per capita, em média a cada Português correspondem 267 euros, mas no Distrito do Porto esse valor é de apenas 31 euros.
Como não hão-de aumentar as assimetrias regionais, estando o Distrito cada vez mais distante da média nacional em termos de desenvolvimento e qualidade de vida?


APROFUNDAM-SE ASSIMETRIAS - INTERIOR AINDA MAIS ABANDONADO


Mas se as assimetrias aumentam no País, também tal se verifica no Distrito do Porto.
Com efeito, os dez concelhos do Distrito que não fazem parte do Grande Porto, embora representem 31,3% da população, apenas são contemplados com 13,3% do total do PIDDAC distrital. É acrescentar discriminação à discriminação.
Se calcularmos o PIDDAC per capita nestes dez concelhos temos um valor de 13 euros, quando a nível nacional, recorde-se, é de 267 e a nível do Distrito, no seu conjunto, é de 31!
Verdadeiramente esclarecedor da sensibilidade do Governo que, na continuidade de políticas de muitos anos, não leva em consideração que a maior parte desses dez concelhos faz parte uma das sub-regiões mais pobres da União Europeia, a do Tâmega.


GOVERNO RETIRA VERBAS E FALHA COMPROMISSOS


Analisando os investimentos previstos, verifica-se a continuidade da inscrição de alguns que já deviam estar concluídos em 2009, a permanência de outros mas com prazo de conclusão mais dilatado e o desaparecimento de outros, casos, por exemplo, do Centro de Reabilitação do Norte e da Faculdade de Medicina – Ampliação e Recuperação.
Por outro lado, a Variante da Trofa – Linha do Minho que em 2009 tinha prevista um verba superior a 26,6 milhões de euros passa neste ano para 1,7 milhões, certamente pondo em causa o desenvolvimento do que havia sido projectado.
Também, e não pode deixar de se sublinhar pelo que representa, a expansão da linha do metro apenas é contemplada com 8 milhões de euros para o troço Dragão/Venda Nova. Onde param os protocolos, os acordos, as promessas tão espalhafatosamente feitas? Quanta propaganda que não passa disso mesmo!
Com este Orçamento de Estado, que não serve o País nem a região, o governo PS opta por insistir nas mesmas políticas, nas políticas que conduziram o país às injustiças e às desigualdades que hoje enfrenta.
Como será possível sair da “crise” mantendo as políticas que nos conduziram até ela?

1692

1691





A receita do costume

O Governador do Banco de Portugal é um homem surpreendente. Como Portas diz (onde isto chegou, eu de acordo com Portas!), "fica surpreendido com o BPP, fica surpreendido com o BCP, fica surpreendido com o BPN, fica surpreendido com o valor do défice, fica surpreendido com o valor do endividamento (...)". Constâncio cobra por mês 17 mil euros dos nossos impostos para vir regularmente a público manifestar-se surpreendido com o que se passa sob o seu nariz e, no entanto, é incapaz de surpreender seja quem for. Lebre do Governo sempre que há que preparar terreno para más notícias, chegou a vez de vir opinar que, depois do congelamento dos salários, é preciso aumentar o IVA, alegremente libertando o Governo (é para isso que serve um governador do Banco de Portugal) do compromisso eleitoral de não o fazer. De uma só e inventiva cajadada, o socialista Constâncio faz-se assim, de novo sem surpresa, núncio do FMI, que ontem deu instruções ao Governo para que vá buscar aos salários os milhões gastos em "ajudas" aos bancos. É a receita do costume, os do costume (quem havia de ser?) que paguem a crise.

2.2.10

1690

1689

1688

Matosinhos perdeu!

Consultado o PIDDAC para Matosinhos e, retirando a verba estabelecida para a Plataforma Logística que tem, obviamente, dimensão distrital ou mesmo nacional, as únicas dotações para Matosinhos são, pasme-se, para: a requalificação da EB 2,3 de Leça da Palmeira e para a EB 2,3 de Matosinhos; e reparação do portão do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo.

.....................

1687

1686

Matosinhos - Prado / Emílio Briel



Imagem roubada ao Das Margens do Rio

1685

Constâncio sugere aumento de impostos indirectos em 2011


 
 
Dinheiro Digital

1684




Para onde vai o Bloco de Esquerda?






1.2.10

1683




no ARIOPLANO

1682


Não publico o artigo do Mário Crespo pela razão óbvia que está já publicado um pouco por todo o lado.
Mas o que lá se relata não pode deixar de nos merecer reflexão.
É a manifestação inequívoca da forma de agir de quem pensa que tudo lhe é licito para se manter no poder.
E que nos envergonha.
Que me envergonha

Em tempo:
Não é «bonito» ouvir as conversas dos outros.
Mas quem é o que é, tem de se precatar com o que diz em público de forma audível, ainda que em conversas privadas.
Como nas escutas dos processos judiciais: depois de se tornarem públicas, apesar de mal e ilegalmente, não se pode agir como se não existissem. 
Existem e tem de ser levadas em conta por quem pensa o mundo.

31.1.10

1681

.

ISTO quer dizer o quê?


.

1680

Meteram nas comemorações do 31 de Janeiro padre e oração católicos.


É obra !

30.1.10

1679

">

1678


O «eng» "martelou" o número do deficit de 2009 para (julga ele) enganar o mundo em geral e os portugueses em particular nos resultados do próximo ano e daí retirar eventuais proveitos políticos?

Não sei.

Mas que, atendendo à sua natureza intrínseca, é possível, é!

1677

1676

1675


SEGURANÇA SOCIAL

Governo retira do OE novo apoio a famílias pobres

por CATARINA ALMEIDA PEREIRA
 Ministério do Trabalho garante que a intenção se mantém, mas não esclarece se o custo  está, ou não, orçamentado  
O Governo retirou da versão final do Orçamento do Estado a intenção de avançar, já em 2010, com uma nova prestação social de apoio às famílias pobres com filhos. Ao DN, o Ministério do Trabalho não esclarece se a verba que financiará este apoio está, ou não, orçamentada.
Trata-se de uma promessa eleitoral que, segundo explicou a ministra do Trabalho, Helena André, a 18 de Dezembro, no Parlamento, deverá avançar em 2010, Ano Europeu do Combate à Pobreza.
A versão preliminar do Orçamento do Estado, a que o DN teve acesso, estipulava expressamente que "o Governo promoverá, já em 2010, o desenvolvimento de duas novas prestações sociais, dirigidas a pessoas com deficiência e a famílias trabalhadoras com filhos que tenham rendimentos inferiores ao limiar da pobreza".
Na versão final do documento, apresentado esta semana, este parágrafo desaparece.
Questionado sobre o facto da referência não constar da versão final, fonte oficial do Ministério do Trabalho confirma apenas que "a prestação para famílias trabalhadoras com filhos será aprovada e apresentada durante o ano de 2010". A mesma fonte remete para esse momento "qualquer divulgação de mais detalhes", não esclarecendo quais os custos e alcance da medida e se o novo apoio está, ou não, orçamentado.
Há pouca informação sobre esta nova prestação social, anunciada de forma genérica, e que ao que tudo indica deverá funcionar como um complemento, à semelhança do que existe para os idosos. E não é para menos. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a pobreza de famílias trabalhadoras com crianças se agravou de forma significativa: a taxa de risco passou de 5% em 2007 para 10% em 2008.
Num ano marcado pelo extraordinário aumento do desemprego - que em Dezembro terá chegado a 563 mil pessoas - a Segurança Social enfrentou o aumento das despesas com apoios, e a estagnação da principal fonte de receita, as contribuições. A tendência deverá agravar-se este ano, com o saldo da Segurança Social a cair a pique: de 1611 milhões em 2007 para 559 milhões em 2009 e 294 milhões em 2010.

29.1.10

1674




Dramatizações políticas e outras

por Ana Sá Lopes,

CADA VEZ QUE acontecia uma discussão mais embirrante, o Zé, o terceiro dos ex-maridos da Vanessa, simulava a iminência de um ataque cardíaco. Agarrava-se ao peito, revirava os olhos e, evidentemente, a discussão acabava ali, com a Vanessa a telefonar para o INEM, quando estava em causa um tema shocking, ou a sacar a caixa das aspirinas da gaveta dos medicamentos, se o drama em questão fosse do género light. E assim foram vivendo, enquanto a Vanessa, carregada de culpa pela morte anunciada, se esforçou por não radicalizar a coisa. Isto foi quase há 15 anos e ainda no sábado passado vi o Zé, feliz, embriagado e a fumar que nem um bruto, borrifando-se para o dr. Fernando Pádua mais a prevenção cardíaca. 


A Vanessa lembrou-se disto quando apareci lá em casa para beber um café exactamente na altura em que o dr. Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, anunciava ao país a iminente crise política e a impossibilidade de prosseguir a governação se fosse aprovada a lei que manda para a Madeira os dinheiros reivindicados pelo dr. Jardim, apoiado pelos comunistas. 


- Eh lá! Mas se isto acontecer o governo demite-se mesmo? perguntou, enquanto olhava para o ar sofrido de Teixeira dos Santos depois de tantas noites a sonhar com o défice. 


De repente vieram-lhe à cabeça as cenas do Zé e desatou às gargalhadas.

-  Ó pá, e aquelas vezes todas que eu telefonei para o 115! E vinha a ambulância e o gajo ia para o hospital! E eu pensava que era o fim! Lembras-te? Fogo, os homens são todos iguais!
no I

1673





O bom aluno

Durante algum tempo, foi contrariado que Teixeira dos Santos desempenhou nas TV e jornais o papel de vilão que lhe coube no "casting" da derrapagem das contas públicas. Via-se-lhe na cara que preferia o papel de "técnico competente", o homem que matara o Liberty Valance do défice e deixara o herói ("Já o fiz antes e sei como fazê-lo") ficar com os louros e com a rapariga.

Aos poucos ganhou o gosto à coisa e o actor acabou por se transformar na personagem. Só um "político competente", e não um "técnico competente", teria, sem corar, previsto para 2009 um défice de 2,2% e, depois, perante os factos, corrigir o tiro para 5% para, no final do ano, o corrigir de novo para 8,7% e, uns dias depois, no momento da apresentação do OE, o recorrigir ainda mais uma vez para 9,3%, disparando culpas em todas as direcções, da crise internacional às agências de "rating" (faltou o aquecimento global). Agora, Teixeira dos Santos diz-se "disposto a abdicar de parte do seu salário, se for necessário". Entretanto, e para já, vai "abdicando" dos salários alheios. Ninguém pode acusá-lo de que não aprende depressa.

1672


Garantia de reembolso abrange cerca de 2250 clientes

BPP pago pelos contribuintes

São os contribuintes, através de verba inscrita no Orçamento do Estado, que vão pagar parte do dinheiro aplicado pelos clientes do retorno absoluto do BPP.

O Governo vai comprometer-se a pagar o intervalo entre o valor das aplicações que estiverem no Fundo Especial de Investimento, que será constituído até ao fim de Fevereiro, e o tecto máximo de 250 mil euros de reembolso que o Executivo admite pagar na maturidade do fundo, ou seja, daqui a quatro anos. A garantia de reembolso abrange cerca de 2250 clientes.
'A recuperação de até 250 mil euros é fixada no montante correspondente exclusivamente à diferença entre o valor nominal das aplicações dos titulares de contas de Retorno Absoluto de Investimento Indirecto', lê-se no Orçamento do Estado. 'Os eventuais encargos decorrentes da execução do disposto nos números anteriores são suportados por recurso a adequada dotação a inscrever no Orçamento do Estado referente ao ano em que for exigível o respectivo pagamento', acrescenta.
Numa fase inicial, a verba a atribuir aos clientes será paga pelo accionamento do Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização dos Investidores, caso os clientes adiram ao fundo. Os pagamentos serão feitos 'a título de ressarcimento indemnizatório, amortização de capital, distribuição de rendimentos, partilha de activos em liquidação, ou qualquer outro'.

D.R

28.1.10

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Última hora! Último Escândalo!
Para que servem os deputados do Porto?
Prepara-se um novo 31 de Janeiro?
O PIDDAC regionalizado para o Distrito do Porto passou de 351 milhões em 2009 para 55,7 milhões em 2010, o que significa uma quebra de 84% do investimento público, não sendo agora mais do que 17% do PIDDAC nacional.
Pode pensar-se que tal resulta de cortes no investimento público dado o contexto... Santa Ingenuidade!... Só no Porto é que existe uma quebra deste tipo! Para o Distrito de Lisboa o PIDDAC sobe 25%!!!
Em 2009 cada portuense (distrito) "recebia" em teoria 180 €, agora ficar-se-á nos 31€!!!
Que fazem no Parlamento os deputados e deputadas do Porto além do papel de bobos? Representam quem? Estão no Parlamento por mandato de quem? Como se atrevem a aprovar uma ignomínia destas? Írá mais algum para os cofres do clube da capital? Ou alguém pediu um novo 31 de Janeiro? Mais bem preparado, mais eficaz? Até porque também nisto, ainda hoje, se sentem os efeitos da derrota do de 1891! Quem semeia ventos, colhe tempestades. E por mais meteorologias que estudem nos marketings políticos que consomem boa parte do Orçamento, as tempestades sociais são sempre imprevisíveis (Pedro Baptista).

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Ponte do Carro                           imagem daqui