

A Câmara de Matosinhos pagou cerca de 23 mil euros em trabalho extraordinário a um chefe de gabinete do presidente e a dois adjuntos em 2006 e 2007. A IGAL considera as despesas nulas e vai participar o caso ao Tribunal.
As remunerações, num total de 22971,53 euros, respeitam a trabalho em dias de descanso/feriados de um ex-chefe do Gabinete de Apoio Pessoal (GAP) de Guilherme Pinto e de dois ex-adjuntos do mesmo gabinete. O primeiro recebeu, nos dois anos, 13421,26 euros em trabalho extraordinário. Um dos ex-adjuntos auferiu 8913,47, no mesmo período, e o outro 636,80 euros, em 2007.
Os pagamentos ao ex-chefe de gabinete do presidente da Câmara foram efectivados todos os meses, sendo que na maioria dos casos representaram um acréscimo de 714 euros ao salário mensal.
Os valores constam do relatório da inspecção ordinária sectorial da IGAL (Inspecção-Geral da Administração Local) a que o JN teve acesso. A acção inspectiva incidiu sobre as áreas de Urbanismo e de Pessoal no período entre Julho de 2004 e Junho de 2008.
O documento, datado de Abril, vai ser discutido amanhã na reunião privada do Executivo, a pedido da IGAL por se tratar de matéria sigilosa.
As autorizações para a realização do trabalho extraordinário, em 2006 e 2007, e para o respectivo pagamento foram sempre assinadas e despachadas pelo presidente da Câmara de Matosinhos.
Contactado pelo JN, Guilherme Pinto nega que estejam em causa actos ilegais e discorda da interpretação do inspector, alegando que há pareceres formais de outras regiões que indicam que esta é uma prática normal nas autarquias. "Quem trabalha tem direito a receber", justificou o autarca, adiantando que a Câmara está a preparar uma resposta à IGAL nesta matéria e noutras que lhe foram desfavoráveis (ler textos na página seguinte). Tem um prazo de 15 dias.
Para concluir pela ilegalidade das remunerações, o inspector que assina o relatório, invoca, entre outros, o número 5 do artigo 74º da Lei das Autarquias Locais (169/99 de 18 de Setembro) que diz que "os membros dos gabinetes de apoio pessoal não podem beneficiar de quaisquer gratificações ou abonos suplementares não previstos na presente disposição, nomeadamente a título de trabalho extraordinário".
Face àquela norma, que a IGAL entende ser de "sentido claro e unívoco", "as aludidas despesas não eram permitidas por lei e, assim, os actos que as determinaram ou autorizaram são nulos", pode ler-se no relatório da Inspecção- Geral da Administração Local.
Vai, por isso, participá-los ao Ministério Publico junto do Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) do Porto, "com vista à eventual interposição de acção administrativa especial para declaração das nulidades".
Mas, para além da invalidade administrativa dos actos, a IGAL alerta que a violação das aludidas normas que regem as Autarquias Locais pode gerar "diversos tipos de responsabilidade, como a financeira, a tutelar, a disciplinar e a criminal". Para apuramento da responsabilidade financeira, a informação vai ser participada ao Tribunal de Contas.
A IGAL analisou ainda questões relativas à estrutura orgânica e quadro de pessoal, incluindo a reintegração do pessoal do SMAS na Autarquia, mas não encontrou qualquer situação ilegal ou irregular.
A acção inspectiva também não encontrou ilegalidades ou irregularidades no que toca ao pessoal do quadro e de fora do quadro e salienta que o Município de Matosinhos "cumpriu a imposição legal de, em 2006, manter as despesas com pessoal ao nível de 2005".
Publicado por JoaoMiranda em 29 Maio, 2009
Dias Loureiro | José Sócrates |
| Existem suspeitas vagas sobre Dias Loureiro, embora ainda ninguém lhe tenha atribuído um crime concreto. Terá participado num negócio fictício em Porto Rico? Terá mentido ao Parlamento? | Charles Smith foi filmado a dizer que José Sócrates recebeu dinheiro para aprovar o Freeport. José Sócrates foi o responsável pela aprovação do Freeport nos últimos dias de um governo de gestão. |
| Autoridades portuguesas dizem que Dias Loureiro não está a ser investigado. | Autoridades portuguesas dizem que José Sócrates não está a ser investigado. |
| Nenhuma autoridade estrangeiras está a investigar Dias Loureiro. | As autoridades inglesas estão a investigar José Sócrates. |
| Oliveira e Costa diz que Dias Loureiro mentiu. Tinha interesse em dizer que mentiu. | Charles Smith foi filmado a dizer que José Sócrates recebeu dinheiro para aprovar o Freeport, mas depois desmentiu a acusação. Tinha interesse em desmentir. |
| Dias Loureiro não é arguido. | José Sócrates não é arguido. |
| Na SLN Dias Loureiro desempenhava funções privadas e tinha responsabilidades perante privados. | No Ministério do Ambiente, José Sócrates desempenhava funções públicas. |
| Dias Loureiro era Conselheiro de Estado, nomeado pelo Presidente da República. Desempenhava cargo com pouco poder e baixo risco para o sistema. Foi dito que Dias Loureiro descredibilizava o Conselho de Estado. | José Sócrates é conselheiro de Estado. Até ao momento, ninguém se lembrou de dizer que a sua presença no Conselho de Estado descredibiliza a instituição. |
| Dias Loureiro não era primeiro-ministro. | José Sócrates é primeiro-ministro. Desempenha um cargo de muito poder e alto risco para o sistema. |
| Dias Loureiro não podia ser demitido pelo Presidente da República. | José Sócrates pode ser demitido pelo Presidente da República. |
| Investigação do caso BPN prosseguiu de forma normal. | Investigação do caso Freeport parou durante 4 anos. Lopes da Mota está a ser investigado por ter feito pressões sobre responsáveis pelo processo. |
| Cândida Almeida nunca deu entrevistas sobre o caso BPN. | Cândida Almeida deu uma entrevista sobre o caso Freeport. |
| Dias Loureiro demitiu-se. | José Sócrates não se demitiu. |
A deputada do PS e presidente da comissão parlamentar de inquérito ao BPN, Maria de Belém Roseira, disse hoje que "não se revê" nas declarações do candidato socialista e destacou "a participação activa" do PSD na comissão. |
O PS alinha nas críticas à supervisão do Banco de Portugal ao BPN, mas a unanimidade da comissão de inquérito parlamentar quebra-se quando está em causa a classificação da acção de Vítor Constâncio. Os socialistas aceitam acção negligente, mas a oposição prefere apontar 'falha grave'. Classificação que, aliás, permite a demissão do governador.

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'SE A MENINA NÃO FOSSE LINDA, SERIA DIFERENTE'
'Se a menina não fosse linda, loira e de olhos azuis, seria completamente diferente', foi um dos comentários do vice-presidente do Tribunal da Relação de Guimarães, António Rodrigues Ribeiro, durante os esclarecimentos aos jornalistas.
Palmadas russas
Ministros ‘incomodados’ já são uns quantos. Juízes ‘chocados’ são vários. O próprio relator do acórdão que entregou Alexandra à mãe biológica ficou “perplexo” quando viu as imagens desta a dar umas palmadas na filha.
Estas palmadas russas na criança são, metaforicamente, também para a Justiça e Estado português. O juiz decidiu, como disse, perante “os factos que estavam no processo”. Não falou com ninguém, analisou o que tinha sido julgado na primeira instância mas fez uma valoração diferente dos factos.
A sua livre apreciação da causa foi tão radicalmente diferente do tribunal inferior que o levou a apontar uma “maternidade serôdia” à mãe de acolhimento. Não quis julgar a mãe biológica pelo quadro que era estabelecido pelos técnicos da Segurança Social, mas não se coibiu de arrasar a outra parte. Já agora, baseado em quê? Em que factos? A liberdade de decisão do juiz não se discute, mas a verdade é que esta não está a resistir a umas simples imagens das palmadas e a um lamentável quadro de exposição da criança a circunstâncias que cheiram a negócio.
Uma coisa este caso demonstra: os processos de menores não podem ser decididos em circunstâncias destas. Um monte de papel, factos avaliados à distância das pessoas, pura consideração de um determinismo biológico como critério dominante. É tal a ‘defesa da família’ que, tantas vezes, a pura realidade é atirada para o caixote do lixo.



Guia de voto nas Eleições Europeias de 2009
no inÉPCIA
BE
Cabeça de lista: O irmão do outro
O essencial: Em Portugal e na Europa, o Bloco é fundamentalmente do contra. Contra as instituições, contra o poder, contra quem apoia o poder e contra quem está na oposição. De vez em quando, até são contra os próprios companheiros de partido. Como grande projecto para os próximos anos, os candidatos bloquistas a deputados europeus pretendem exigir a unificação das casas de banho sexistas dos edifícios do parlamento em grandes urinários/defecários abertos a todas as identidades sexuais, etnias e estilos de vida.
CDS-PP
Cabeça de lista: Nuno Melo
O essencial: O partido pode estar longe dos seus tempos áureos, mas o CDS confia que a apresentação de um candidato às europeias que toma mais banhos por semana do que todos os outros juntos bastará para conquistar uma boa percentagem do eleitorado.
CDU
Cabeça de lista: Dona Ilda, do 3º Esq.
O essencial: A CDU apresenta-se a estas eleições europeias com três objectivos. O primeiro é provar, mais uma vez, que os seus eleitores se mantêm fiéis mesmo que o cabeça de lista seja uma batata com pernas e braços. O segundo é manter a ilusão de que Os Verdes são um partido real e não apenas uma justificação para retirar a palavra “comunista” do boletim de voto. O terceiro é qualquer coisa a ver com trabalhadores ou assim.
MEP
Cabeça de lista: Laurinda Alves
O essencial: O Movimento Esperança Portugal pretende levar ao Parlamento Europeu a voz dos cidadãos comuns, mas, como os cidadãos comuns são um pouco desbocados, raramente se lavam e não sabem vestir, o movimento esconde-os todos atrás de Laurinda Alves.
MMS
Cabeça de lista: Carlos Gomes
O essencial: O Movimento Mérito e Sociedade esgotou-se na procura bem-sucedida de um significado alternativo para MMS. Esperam que o reconhecimento da sigla pelos utilizadores mais entusiastas das mensagens telefónicas multimédia baste para conseguir votos.
MPT
Cabeça de lista: Pedro Quartin Graça
O essencial: Integrando-se no movimento europeu Libertas, o Partido da Terra promete lutar activamente por uma melhor União Europeia para os cidadãos, uma União Europeia que nos trate por tu, nos pergunte pela família e se ofereça para nos pagar bicas e pastéis de nata. Há sonhos bonitos…
PH
Cabeça de lista: Luís Filipe Guerra
O essencial: O Partido Humanista apresenta como principais propostas a defesa de tudo o que é bonito e sensato. Mesmo assim, muitos poderão achar demasiado radical a proposta de proibir o uso de roupa interior em todo o espaço europeu.
PCTP/MRPP
Cabeça de lista: Orlando (Garcia Pereira) Alves
O essencial: O PCTP/MRPP já teve ideais políticos muito vincados, mas ninguém no partido se lembra do sítio onde estes foram guardados algures nos anos 70. Farto de ser, em cada eleição, um dos candidatos de voz mais sensata em quem poucos votam por ser de um partido esquisito, Garcia Pereira submeteu-se a cirurgia plástica e apresenta-se agora com nova cara e nome fictício.
PNR
Cabeça de lista: Humberto Nuno de Savimbi e Oliveira
O essencial: A maior preocupação do PNR é sempre a mesma em todos os actos eleitorais. Desviar a atenção dos eleitores com referências constantes à imigração como fonte de todos os males do mundo. Assim, continuarão a ocultar à opinião pública que nem as avós angolanas que muitos escondem nas suas árvores genealógicas bastam para impedir que os dirigentes e militantes tenham pilas microscópicas (com excepção das militantes e dirigentes femininas, que são bastante dotadas nesse campo).
POUS
Cabeça de lista (póstuma): Carmelinda Pereira
O essencial: Por engano da Comissão Nacional de Eleições, o POUS continua a figurar nos boletins de voto, mesmo que o último militante do partido tenha falecido em 1997.
PPD/PSD
Cabeça de lista: Paulo Rangel
O essencial: Além da eterna cruzada para provar que “os outros” são muito piores do que eles próprios, o PSD definiu como objectivo global para as eleições de 2009 quebrar o recorde mundial do número de cartazes de propaganda com candidatos debruçados sobre um parapeito imaginário.
PPM
Cabeça de lista: Frederico Duarte de Carvalho
O essencial: O presidente do PPM é Nuno da Câmara Pereira e Gonçalo da Câmara Pereira é um dos vice-presidentes. Acho que fica tudo dito.
PS
Cabeça de lista: José Sócrates (espreitando sobre a cabeça de Vital Moreira)
O essencial: Além da eterna cruzada para provar que “os outros” são muito piores do que eles próprios (ver acima), o PS decide acalmar a normal antipatia sentida para com o partido do governo, sacrificando à populaça faminta e desempregada um conceituado constitucionalista, facilmente alvejável por toda a sorte de projécteis improvisados.

As declarações de ontem do cabeça de lista do PS às europeias sobre a criação de um novo imposto não o largam. Vital Moreira não quer falar sobre o assunto, os assessores evitam que essa questão seja levantada e os dirigentes socialistas que o acompanham, Almeida Santos, Edite Estrela, Capoulas Santos e Correia de Campos, desmultiplicam-se em interpretações e desdramatizações da proposta de Vital Moreira.
No DN